quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Olhar

A música da vida,
As vozes da vida,
O futuro
E a eternidade.

A passagem ao além,
Horizonte além-mar,
Corpo além todo,
Na entrega do dia que virá.

O que será do amanhã?
O que seremos amanhã?
Como chegará a manhã
Do dia incerto?

'Apenas vá '
Diz a alma,
E então a noite se desdobra
Na possibilidade infinita
Da beleza do olhar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Filme

O filme da vida
Em contornos indefinidos
No cinema tão próximo
Das pálpebras fechadas.

A luz que flutua
Na alma tão nua
Do olhar
Que emudece.

A voz tão pura
Na pele não sua
Da liberdade
A ondear.

A música convida
Em notas coloridas
No beijo tão Bóreas,
No beijo do mar.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Paisagem

Horizonte
De luzes
E curvas
E beijos
E sims.

Paisagem
De cores
E ondas
E abraços
E sinuosidades.

Reflexo
Do céu
E estrelas
Em nuvens
De cometas.

Começo
Do dia
Da vida
Da alma
Sem fim.

S

Sim
Sentido
Sorriso
Sem siso
Sensível
Sentindo
Sorrateiro
Sem siso
Sentido
Sentindo
Sensível
Em ondas
Lagartixeando.

Très

O céu
Azul cinza branco,
A luz
Clara escura tremulânte,
O som
Preenchido redondo infinito.

O pulo
No todo no ar no mar,
O fluxo
De si do sim do fim,
O sorriso
De amor de carinho de sentido.

A noite
Ruidosa de ecos e olhares,
O infinito
Doce, palpável e macio,
O ser
Que se entrega e preenche.

Barco

No barco sem porto,
No horizonte sem fim,
No infinito de luz,
No balanço do mar,

No barco sem destino,
No tapete do céu,
No azul amarelo,
Na manhã do amanhã,

No barco sem rota,
No vôo sem fim,
Na montanha sinuosa,
No eco do silêncio,

No barco assim,
No convite enfim,
No beijo do sim
O transbordamento.

Todo

Os momentos tão simples,
Os instantes tão simples,
Simples
Mente
Presentes.

A música de fundo,
O riso de fundo,
Os sorrisos ao fundo
E olhares
Tão sim.

São luzes,
São leves,
Não longes,
Em passos
Sincronizados.

É o espaço,
É o encontro
Palpável
Do todo.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Continuidade

Eu, compacta,
Inteira,
Vertical,
Nasço da terra
Em direção ao céu.

Conformada
Pelo tempo,
Pelo vento,
Pelo fogo
E pelo ar,
Testemunho.

Surgida antes da história,
Surgida antes do mundo,
Surgida antes do antes,
Sou prova viva
E permaneço.

Converse
Com meus filhos mudos,
Converse
Com meu verde musgo,
Converse
E absorva.

Ame aos meus pés.
Eu, toda,
Acolho
E guardo.

Tu

Tu,
Que não me pedes nada
E me dás tudo,
É vida
E continuidade.

Teus filhos
Doces,
Suculentos
E futuro.

Tuas filhas
Sombra,
Ar
E paisagem.

Tu,
Que não me pedes nada
E me dás tudo,
É entrega
E calma.

Teus braços
Ondas,
Abraços
E perdão.

Teus pés
Força,
Certeza
E segurança.

A tu,
Que não me pedes nada
E me dás tudo,
Uma lágrima
De obrigado.

Contigo

As cores
Do infinito
Se pintam
Em tua pele
De sol.

Os ecos
Do tempo
Em teus olhos
Castanhos.

O prazer
Sem fim
Em tua voz
De gozo.

E a carícia
Da vida
Em teus
Doces
Dedos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Além

Além da rotina,
Além do dia-a-dia,
Além do dia útil,
Além do espaço-tempo
Há o olhar
Há o mar
Há a beleza
Em seu completo transbordamento
Há o sol
Que aquece a alma,
Há o vento
Que confirma a calma
Há o sim
Sinuoso,
Há a eternidade
E a perfeição.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Quente

O eco do tempo,
O eco singelo,
Movimento.

O som presente,
O sim presente,
E o olhar em frente.

Apenas horizonte,
Apenas a fonte
Do mais doce mel.

E o sentir-se todo,
E o sentir-se parte
De tão quente
Abraço.

Experiência

A mente se expande
Para abarcar
O todo.

O peito se expande
Para aspirar
O horizonte.

O corpo se expande
E infinito
Se torna.

O ser se expande
E não há fronteiras,
Só o mar.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Fluxo

Uma flor
Que suspira
E morre.

Um vento
Que beija
E cessa.

Um horizonte
Que abraça
E fecha.

O todo,
O sim
E o não.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Centopéia

Há uma centopéia gigante
Elétrica,
Fluorescente,
Fria
E impessoal.

Há uma centopéia gigante
Com retângulos luminosos
Que distraem
E convidam
Ao esquecimento.

Há uma centopéia gigante
Com rugidos metálicos
Que atravessam a terra
Deixando para trás
Centelhas
E vazio.

Há uma centopéia gigante
Passageira,
Inconstante
Móvel
E eficiente.

domingo, 29 de novembro de 2015

Tempo

Busco teus olhos neste horizonte quente,
Neste céu azul duas luas castanhas,
Neste mar de correntezas e espumas
Teu toque de certezas presente.

Busco a mim nestes suspiros de vento,
Neste abraço infinito a calma,
Neste verde sem fim e sem falta
A alma do mundo e do momento.

A busca não se encerra,
Não cessa e não encontra,
Não se luta a favor ou contra.

De repente a longa espera
Se converte em encontro súbito 
Com a solidez do fluxo do tempo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Centro

No âmago do tempo,
No âmago movimento
Perpétuo.

As luzes rimadas
E os toques de música.
Vibração.

O apenas agora,
O apenas lá fora
Pois há conexão.

Acontecer

A alegria
Do acontecer
Da vida.

A doçura
De poder
Existir.

O amargor
Se dissolve
No abrir.

Ser mais,
Ser além,
Ser todo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Olhar

Os momentos de infinito,
Os voos tão longe,
Os beijos do mar,
As montanhas e horizontes,
Os mergulhos no absoluto,
As melodias de sentido,
O canto das ninfas,
As luzes multicoloridas,
As expressões corretas
E as metáforas perfeitas
Não valem
Um segundo
Do seu olhar
De mel
Em meus braços.

Corpo (VII)

Venha ser
Meu dicionário de cama,
Meu corpo suporte
De horizontes infinitos.

Venha viver
Um calendário de cores,
Um sopro bem forte
De incomparável sentido.

A língua
Fluidadamente
Escreverá palavras
Em teu ventre.

A rima
Alternadamente
Tecerá curvas
Em tua frente.

E será o azul profundo
Pintado de estrelas
Criado a quatro mãos
A nos esperar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ar

Em meu quarto
Viajo tão longe
Que o vôo mais rápido
Não consegue alcançar

Em minhas pálpebras
Cores tão vivas,
Ecos de memórias
E do que virá.

Em meu corpo o sorriso,
Em meu rosto o sim
De o compasso fundamental
Poder escutar.

O agora se afirma,
O instante perfeito
E o beijo suave
Na leveza do ar.

sábado, 14 de novembro de 2015

Como

Como vou longe,
O doce vôo
Em direção
Ao sentido
Do todo.

Como são plenas,
Como são cenas
Infinitas
De cores.

Como o doce,
Como o simples
Suave
Sentir.

Cores

A psicodelia de cores
E sons
Em uma onda
Do mar.

Flutuar
Além
Do todo
No instante
Perfeito.

A
Vibração
Alternada
Do ser
E sentir.

Um rio
De loucura
Com força
E sem direção.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

À noite

Opiniões à meia luz,
Ritmos à meia luz,
Copos e fumaça
À meia luz.

São sorrisos sinuosos,
São risos redondos,
São vozes vociferando
Sussurros.

Olhares curiosos,
Lábios caridosos,
Abraços caluniosos
De verdades passageiras.

Eis mais um gole,
Eis mais um toque,
Eis outro luar
Na noite escura.

sábado, 7 de novembro de 2015

Corre, Corre

Corre o rio do destino,
Corre tão rápido,
Corre tão rente
E para.

De repente
Abrem-se os olhos,
Abrem-se os gostos,
Abrem-se os rostos
E o instante
É infinito.

A música do todo
Toca na alma
E a tão bela calma
Da contemplação.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Brasília

Cidade de curvas,
De carros e rotatórias,
Teus cruzamentos inexistentes,
Tuas verticalidades surpreendentes.

Cidade de tempo seco e concreto,
Cimento de movimentos impensáveis,
De reuniões congressos seminários paletós,
Em tuas salas
Se constrói o futuro
De uma nação.

Cidade-umbigo,
És filha de um gênio e mãe de nós,
A tua terra é vermelha
Do sangue de tantos brasileiros
Que se deram um pouco
Para realizar
Esse sonho irreal
De existires.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Venha Tom

Venha para o mundo Tom,
Olha como o verde é tão verde
E o céu infinito
A te esperar.

Abra os olhos
E o coração
Estamos aqui
Com você.

Chegue
A nós
E nos continue
Para sempre.

domingo, 1 de novembro de 2015

Encontro

Levanto os meus olhos e te vejo,
Saio destes poemas em minhas mãos e encaro teus olhos
Tristes, cabisbaixos, um pouco perdidos,
Em teu rosto ainda há inocência,
Em teu ventre um futuro
(mas tua carteira de motorista foi ontem)
Em teus pensamentos a última ultra,
O aluguel, as contas, o teu futuro,
O marido noivo namorado caso ou qualquer outro que te ajudou a criar este milagre
E eu quero te abraçar,
Tudo vai ficar bem, descansa.
Mas como reagirias?
E eu quero dançar contigo os cânticos de Gaia,
Te mostrar que tu és o que nos faz permanecer,
Continuamos pois tu cozes o pão
Que alimentará o amanhã,
Mas chega a tua estação
E te vejo partir.
Então escrevo estes versos
Para que um dia os tenha contigo
E saibas que naquele dia em que estavas triste
Naquele metrô para a Zona Sul
Um estranho dançou contigo os cânticos de Gaia,
Um estranho te mostrou como és parte,
Ele te abraçou
E te quis bem.

sábado, 31 de outubro de 2015

Círculo

As notas graves
Marcam o chamado
Em meio às vozes
Em busca do todo.

As notas agudas
Marcam o grito
Em meio ao silêncio
Da ausência de sentido.

Mas chega o refrão,
Chega a possibilidade,
E a alma é pura entrega
Pois plena
E redonda
Se realiza.

Agora

A doce busca
Se transforma em encontro
Quando o tom harmônico
É encontrado.

Os solos de si,
Os refrões de sentido,
As estrofes de entrega
São os versos poéticos.

De repente não há mais nada,
De repente o sorriso,
De repente o presente momento
É perfeito.

São ecos felizes
De versos assimétricos
Pois a razão
É encontrada:

Compartilhar a vida,
Compartilhar a dúvida,
Escutar o som
E viver a certeza.

Em cantos dissonantes,
Em danças dissonantes,
A verdade se mostra:
Só há o agora.

Escala

Eis então o puro som,
Eco do movimento primeiro,
Reflexo do brilho primeiro
Que nos trouxe até aqui.

São vozes dispersas,
São almas dispersas,
Perdidas em busca
De um autêntico viver.

Mas chega o momento
Em que tudo é sim,
Tudo é pleno,
Tudo é reflexo de uma escala
Solfejada em brilho perfeito
Pois o infinito
Se afirma
No sincero sentir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fractal

Queima
O palimpsesto
Devagar.

Vejo figuras geométricas
De círculos perfeitos
E iterações perfeitas
Em busca do infinito.

Leio não letras mas espaços,
Não estrofes mas intervalos,
Não poemas mas vazios.

Brilha
O fractal
Colorido.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Balanço

Vão e vem os sonhos,
O frio na barriga,
Os cabelos ao vento
E o sorriso no rosto.

Pernas escolhidas,
Pernas esticadas,
O doce zumbido
E a possibilidade de ir mais longe.

O medo ficou lá fora,
Aqui tão contente
Se pode balançar.

O mundo ficou lá fora,
Aqui só o presente
E o beijo do ar.

domingo, 25 de outubro de 2015

Com você

O brilho dos teus olhos
Castanhamente doces
Beija minha boca
E me deixa calar.

O toque do teu sorriso
Calorosamente branco
Abraça o meu corpo
E então a voar

Aos verdes campos infinitos,
Aos rubros mantos do céu,
Aos suaves cantos do mar,

Chegamos ao horizonte enfim,
Somos a ponte sem fim
Para um reino de sonhos e papel.

sábado, 24 de outubro de 2015

Questões

Como viver desperto
Em um mundo que dorme?
Como viver sorrindo sendo seguindo
Quando a ilusão da solidão
Bate a porta
Palpavelmente?

As montanhas,
Refúgio dos deuses e imortais,
O vazio,
Lar dos desesperançosos,
O sonho de grandeza,
Abrigo dos vazios de coração.

Ou isso ou amar,
Amar, desamar e reamar,
Amar e malamar,
A saudade tácita,
O beijo implícito,
O toque contido
E o abraço de ontem.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Insistência

Giram giram girassóis,
Solta solta ondas do mar,
Beijam beijam beija-flores
Sem sequer duvidar.

Pedem pedem mudos pedintes,
Ouvem ouvem surdos ouvintes,
Vivem vivem viv'almas,
Sentem sentem a calma eterna.

Mas canta canta cata-vento,
Venta venta ventania,
Fia fia filha eterna,
Pernas pernas para que te quero.

Olhos olhos olham e vêem,
Tocam tocam o toque das flores,
Bocas bocas abocanham o sentido
E se entregam no infinito, aqui e agora.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Corpo (VI)

As palavras de teus pés nos sustentam,
De tuas pernas se alongam,
De tua bunda se arredondam,
De tua boca se aprofundam,
De tuas costas planície,
De tua barriga alimento,
De teus mamilos círculos,
De teu colo colo,
De teus braços abraços,
De tuas mãos direções,
De teu pescoço alturas
E de teus lábios os meus.

Corpo (V)

Minha letra tremida
De medos e dores,
Manchadas de lágrimas,
Desenham o teu corpo quente.

Lembranças há muito passadas
De um tempo esquecido
Mas ainda presente
Quando olhava o horizonte

E só via o azul concreto
Em meio ao deserto
Achando-me certo
De um duro existir.

Agora seguro, decerto,
O céu sorri
Pois em teus braços
Tudo está bem.

domingo, 18 de outubro de 2015

Olhar

O rio ruidoso
Que nos leva,
O sol quente
Que acalma
E a lua de lágrimas
Que sorri.

O canto do pássaro,
O céu azul,
O véu de pétalas
Do instante presente.

Apenas uma certeza
Se mostra:
De olhar para a frente e ver
O caminho perfeito.

Corpo (IV)

Em tua pele conjugo verbos,
Declino metáforas
E transcrevo o fluxo
Em busca da perfeita
Semântica.

Uma gramática de toques
Em uma oração assindética
De um período composto
Que se revela
No olhar.

A etimologia de nós,
A metonímia do todo
E o paradoxo do tempo
Acontecendo
Agora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Corpo (III)

Neste livro sem páginas,
Neste sonho acordado,
Neste caderno sem pauta,
Nesta poesia silenciosa
Apenas o infinito.

Nesta lua quente,
Nesta estrada de curvas,
Nesta música de cores,
Nestes mares sem costa
O toque sedoso.

Nestes tecidos sem fio,
Nestes precipícios sem queda,
Nestes mapas sem fim,
Nestas possibilidades certas
A metáfora perfeita.

Nestas alturas planas,
Nestas superfícies profundas,
Nestas nuvens de sal
A morte
E a eternidade.

Corpo (II)

Meus versos côncavos
Em tuas curvas convexas,
Meu olhar sobre o mundo
Derramado em ti,
O sentir tão fundo
Da experiência complexa
Da sinestesia.

Tua superfície me completa,
De tuas montanhas vejo tão longe,
Além do horizonte,
Vejo rios e mares e terras sem fim,
Vidas, estios e as tempestades enfim
Que encharcam a sede seca
Da terra semimorta.

De tua imagem a alma absorta
Relembra as ninfas, as deusas e os mitos,
Os sóis, as luas e a beleza,
E de te ver tão nua
Emudece.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Corpo

Teu corpo guarda meus versos,
Teus seios, minhas metáforas e boca.
Escrevo sobre o infinito em tuas coxas,
Em teu centro, a origem de tudo.

Sobre tua pele me inclino mudo,
Longas orações dos braços aos pés
Manuscritas sinuosamente.

Sobre teu coração meus beijos e rimas,
Sobre teu ventre desejos e finas
Letras compondo canções.

Olho esse templo com a fé
De que não pode a humana mente
Conceber algo mais belo
E me entrego no mergulho singelo
De te ter em meus braços.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O que é arte

A arte é o ar
Que não se vê mas se respira,
A arte é amar
Incomensuravelmente.

A arte aos anjos aspira
Criando formas sons e cores,
É beleza que se sente
Em um movimento tão rente.

A arte é dor
Onde se mergulha com prazer,
A arte é ardor
Onde se busca viver e morrer.

Na pureza de um riso de criança
A arte é o homem
Construindo o mundo
Para atingir o infinito.

domingo, 11 de outubro de 2015

Amigos

O conforto da presença
O conforto da palavra partilhada
E o sentir-se
Bem.

O bom receber
Lembranças à parte
E uma pitada
De horizontes.

Então a música,
Então o copo
E as tantas histórias
E os tantos momentos
Que nos trouxeram
Aqui.

sábado, 10 de outubro de 2015

Arte

A arte é entrega
É morte
Em vida.
É ar
E conexão.

Além dela o deserto,
Além dela o incerto
E o surdo
Sentir.

Em seu seio o sentido,
Em meu peito o pulsar.
Em seu peito o Todo
Em meu sorriso
A alma.

E a música da luz primeira
E o canto dos anjos
Trazem a certeza definitiva
Do valor
Do viver.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Música

E eis o eco da terra
Eis os ventos do infinito,
O beijo do todo
E o abraço tão doce.

Me entrego às cores deslumbrantes
Que sussurram
Em mim.

É música em versos,
É fluxo no mar,
É sonho tão belo,
É a alma derretendo
Por singelo existir.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

E então

Então construiremos nosso castelo
De areia em cima de nuvens
De sonhos doces como um pêssego
Maduro e suculento.

Então o sol aquecerá nossas almas
Enquanto nos traz a certeza
De poder sentir o Todo
E viver verdadeiramente.

Então o mar tocará nossos corpos
Salgados e livres
Despertando as ondas
Do mais puro sentido.

Então nosso olhar será um
Para o horizonte infinito
Ouvindo a música
Das ninfas e dos anjos.

domingo, 4 de outubro de 2015

Ecos

E então ecoam as luzes de sentido
E então ressoa a fundamental origem
Pois tudo é puro movimento
Pois tudo é apenas o momento
Presente.

São tempos contratempos constantes
Incensos, sons e cores,
E ao fundo a afirmação
Que rima com o fluxo
Do ser.

Refrões que refazem o chamado,
Em composições complexamente elaboradas
Pois almejam apenas a simples
Ressonância.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Ode urbana

Ouço o chamado da urbe,
Ouço-a chamando quente
A possibilidade de sentir-se
Parte.

Suas ruas e praças
São veias, são nervos,
Convidando ao tão esperado
Sentido.

Feita de sonhos e cruzamentos,
Projetos, imagens e pontes,
Ela se entrega
Nessa rubra noite.

Sua estação terminal
É minha expectativa singela,
Afinal, tão bela,
Ela é meu começo e meu fim.

Sonhar

Então vôo em meio a rubro céu
Infinito de possibilidades e cores,
Então nado em meio a doce véu
De estrelas, de sons e e de amores.

Um elefante rosa me olha,
Perguntando-me duvidoso,
Um refrão cai tal suave folha
Afirmando o encontro dadivoso.

Eis que acordo e percebo que era sonho
Mas a realidade é sonho que se sonha junto
E então continuo a voar e a sentir risonho

O eco do todo, o momento preciso,
As luzes que cantam o sentido conjunto,
E o momento sólido, solidamente conciso.

domingo, 27 de setembro de 2015

Plenitude

Plenitude
Estado de saciedade
Da alma,
Suavidade
E fluxo.

Ondas do mar,
Ventos de sentido
Cantando docemente
O rubro luar.

Cores
Dissolvendo-se no horizonte,
Passados de estrelas,
Presente e futuro.

Completude do ser
Que se expande
Ilimitadamente.

A criação e o ato,
A fonte primeira,
O sopro de vida
E a leveza de um pássaro a voar.

Lua

Ó lua
Tão lua,
Tão bela,
Tão plena
E redonda.

Habite meus sonhos
Embale meu céu
Me beije e me abrace
Nessa noite sem fim.

Ó lua
Tão lua,
Tão nua
Tão sincera
E hipnotizante.

Seja o meu fim
Minha meta e meu objetivo
Pois na entrega enfim
Desapareceremos no mar infinito.

Boca

As luzes que brilham
Ritmadas
Tem gosto
De infinito.

Um toque de sentido,
Uma pitada do todo,
Dois dedos de poesia
E três partes de fluxo.

O doce sabor
De beleza
A derreter
Em minha boca.

Sorriso

O eclipse da dúvida
Olhando o horizonte
E vendo o privilégio
Do sincero existir.

O compasso do céu
E o abraço do todo
Envolvem
E acolhem.

Poder testemunhar
A dádiva infinita
De poder estar
No momento presente.

A dissolução da alma
A sorrir
Pois ilimitada
Enfim
Se torna.

sábado, 26 de setembro de 2015

Entrega

Sentir a felicidade de ser livre,
Olhar a estrada e ver o horizonte,
Olhar o futuro e enxergar a fonte
De tanto sentido.

O caminhar acontece
Rumo ao silêncio,
Pois não cabe na língua
Tão sincero viver.

Ser-caminho
Passando paisagens passageiras
A deixar impressões derradeiras
Do acontecimento do tempo.

Ao meu lado está você,
Ao meu lado está um sorriso
Que toca o meu corpo
E se entrega de prazer.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Vida

O compasso
Tão certo
Do abraço
Tão perto
Do infinito.

Ecoam
Almas
Em um rio
A fluir.

A beleza acalma
E convida
Ao todo
Sentir.

Então é tão lindo
O instante sagrado
Da origem
Dos dias.

O instante
Convite
Do sincero
Viver.

Poesia

Vamos sonhar juntos
O grande amanhã.
Vamos ver juntos
A origem do mar.
Vamos voar juntos
Para a lua a brilhar.

Então tudo será certo
E o futuro incerto
Será apenas o agora,
A tão bela hora
Que ao sentido convida.

Então tudo será
Poesia:
Poesia que flui
No olhar
Pois plena
E perfeita se torna.

Anjo

O anjo da morte
Ronda a todos,
Rindo de títulos,
Rindo de posses,
Rindo, e rindo.

Lutamos por permanecer,
Lutamos por continuar,
Lutamos por lutar,
E ao fundo, ela está lá,
Aquela graça inexistente.

No dia final
Chegará o anjo negro
A perguntar
Apenas isto:
"Amaste e foste amado?
Então descanse
Pois para isto que foste feito."

Amor

Me pediste um olhar,
Dei-te o horizonte.
Me pediste o horizonte,
Dei-te o céu.
Me pediste o céu,
Dei-te o vôo de uma gaivota.

Me pediste um toque,
Dei-te um beijo.
Me pediste um beijo
Dei-te a alma.
Agora não sou mais eu,
Um pedaço de ti em mim habita.

domingo, 20 de setembro de 2015

Céu

Sou pescador de sonhos
Navegador de destinos
Explorando as metáforas
Que me deixem mais perto
Do infinito.

Voo com os pássaros,
Cavalgo com os mitos,
Mergulho na loucura
Para emergir um pouco mais são.

Então vivo a beleza,
Então ilimito-me
A olhar e a sorrir
O acontecer da vida.

Às tuas asas

O meio é o caminho,
Dizem os sábios,
Se desces a água pesa,
Se sobes o fogo inflama.

Mas Ícaro, te entendemos,
Como pelo meio optar
Quando há um oceano de loucura
E um céu da cor do mar?

Como pelo meio optar
Quando o sol te convida
Para esse terreno sem linguagem,
Nem espaço nem tempo?

Como pelo meio optar,
Quando estás tão próximo do infinito,
Quando as portas azuis te são abertas,
Quando tudo o que resta
É a contemplação?

Ícaro, honraremos a tua memória
Em manicômios e em versos,
Pois vives entre nós,
O teu chamado é o nosso chamado,
O teu sonho, o nosso amanhã,
As tuas asas, o nosso horizonte,
E os teus olhos, os nossos.

sábado, 19 de setembro de 2015

Tempo

Ser história
Trazer todo o passado
Até aqui.

Ser potência
Ligado ao tempo
Sem início nem fim.

O acontecimento
Se desdobra
E permite
O infinito sentir.

Só há o agora
A acontecer
Tão naturalmente
Que o todo se apresenta
Em um singelo instante
De pura beleza.

Poesia

A poesia acontece
Em um momento singelo
De sentido e conexão.

Jorram as palavras,
Jorram os sentidos
Jorra o perdão
Definitivo.

Então o todo acontece
Em uma simples metáfora
E um paradoxo
Tão belo.

A rede

Ela te segura
E te levanta
Rumo ao céu
A flutuar.

Te espera com a conexão,
Com o infinito
A demonstrar
Singular beleza.

Então é só entrega,
Então é só o todo
Que se mostra
Em um refrão sem fim.

Roda

As ninfas a cantar
O som da natureza
Em uma roda singela
E os elfos chegando
Com seus centauros
De pelo tão branco.

Languidamente
Dançam as ninfas
Em movimentos suaves
De compassos tão leves.

Do lago vem as sereias
De torso tão nu
A escutarem atentas
O doce murmúrio.

O vento rebrilha
E o sol sopra
O eco do todo
Para todos banhar.

Vá

Abrindo caminhos
No mar infinito
Vai o filho da terra
Rumo ao abraço quente
Das novas correntes.

A vida pulsa
E ele segue
O chamado primeiro
A nadar.

Vá! Vá! Tão belo golfinho
Com um sorriso nos olhos,
Um peixe na boca
E na alma a natureza.

Vá! Vá!
O futuro te espera,
Ansioso,
Rumo ao teu doce destino.

Palavras

O mundo
Só é mundo
Com beleza.

Sem beleza,
O mundo é nada,
É um fantasma
A se acabar.

Mas quando as ninfas chamam,
Quando o tempo ecoa
E o espaço cede
O sentido se torna óbvio
E impronunciável.

Leveza

O som
Primeiro
Se repete
Rumo à fonte
Do todo.

O eu se remete
Ao infinito
Tão belo.

O singelo sentir
Da origem
Do tempo.

Invento sonhos
E o vento me leva
Ao derradeiro sorrir.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Noite

Os trilhos dourados
De caminhos abertos
Em túneis sinuosos
Rumo ao coração da noite.

Os ecos sorridentes,
Distantes tão próximos,
Do calor o abraço
E do frio o beijo.

Os sorrisos fugidios
Apressadamente brancos,
Os corpos fluindo
Avidamente santos.

Possibilidades se desdobram
E o menino a engraxar
Sapatos orgulhosos
Sonha com um melhor amanhã.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Ondas

E então o sopro do todo
É vivo sorriso,
É vento sentido
E vivido
Plenamente.

O derradeiro sentido
Do fluxo infinito
Dos ecos
Da fonte.

A leve fronte
A olhar o horizonte
E viver
O infinito.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Momento

O passado
Se desdobra
Em razões encontradas
A posteriori.

A agulha do tempo
Com seu pêndulo pendulando
Em um relógio da sala
Derretido de sonhos.

O rio-mar
Cessa seu fluxo eterno
Para uma respiração
A contemplar.

O suave efêmero
Do sincero agora,
É chegada a hora
Do sorriso final.

Mundo, Vim

Mundo
Meu mundo
Vim aqui
Por você.

Mundo,
Vim.

Para te deixar um pouco mais belo,
Um pouco mais certo,
Um pouco mais justo,
Um pouco mais.

Espero que consiga,
Que a minha pena seja a tua mente,
A minha voz o teu desejo
E o meu lampejo o teu pensar.

Que o meu braço seja a tua força,
O meu destino o teu passo,
O meu horizonte o teu olhar.

Assim voltarei ao nada sorrindo,
Assim voarei desapressadamente
Pois me unirei a ti
E serei para sempre.

domingo, 13 de setembro de 2015

Instante

A beleza
Dói
Quando se apresenta
Grande
Pois não cabe
No infinito de si.

São ecos suaves
Sensíveis
Da palavra primeira
Que então existiu.

O instante
Se materializa
Em horizonte
E o futuro
Está todo agora
A sorrir.

Fatal

O alto
Tão alto
Píncaro
É o agora
Que olha para o todo
A sorrir
Olhares de nuvens.

O movimento contínuo
Rumo ao infinito
Do aquário
De si.

Cem
Tidos.
Fle
Xionados
Fatalmente.

História

Chego à verdade
Em batidas ritmadas
De um hang
Em Paris.

O céu de Sevilha
E o mar Egeu
Se encontram
Em um compasso crescente
De puro sentir.

Os Sóis poentes
Se misturam
E as luas tão lindas
Traduzem o fluxo
Do tempo até aqui.

Ser história,
Permanecer
E passar.

E deixar
Algo
Tão belo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Si

Elaboro sentimentos
Em rimas assimétricas
De versos convexos
Refletindo o Infinito.

O coro de vozes
Em círculos concêntricos
Com uma força centrípeta
Atinge o centro
Do si.

Espelhos do horizonte
Que mostram
Caminhos
Sem fim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Sereias

Nesse oceano de loucura
Deserto de razão
Entrego a alma nua,
Faço do corpo o pão.

Ouço os doces cantos impuros
Nesse barco, sem mastro nem cera,
Faço minha casa sem muros,
Pulo desse precipício sem beira.

Então vejo seu convidativo rosto,
Apenas a certeza, não pode haver mal,
E nesse ondulante mar sinto o gosto
Do meu último beijo, de sal.

As vozes de cânticos suaves,
A morte, o fim, o nada,
E o eu submerso e grave
Sente a luz que se apaga.

Mas um cardume então me abraça
E voamos rumo à lua rubra
Flutuando à noite, até que renasça
O sol repleto de amanhãs.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Previsão do Tempo

Há muito confiei na sua palavra,
Achei que era comigo que ele falava,
Imagens tão belas
E uma vida medíocre da qual se fugir.

Tudo parecia certo,
Santo,
Mas a hora da morte chega
E meus chamados só caem na caixa postal.

Minha espada
Agora jaz rubra de sangue seco
Alheio.

Meus joelhos marcados de milho
Ainda me doem quando sento no sofá
E assisto às antigas novidades
Do jornal das 21 horas.

Sem opção, agora aguardo
O dia em que o tédio se tornar
Tão insuportável
Que o beijo do vazio
Será chuva em meu deserto.

Tempo

Eu que segurei em meus braços
Vidas cheias de esperanças,
Que já embalei em meu leite
Noites sem fim,
Sinto o peso
Da passagem incessante
Dos dias e dos homens.

Bebo e como a rosa atômica
Em produtos laboratoriais,
O ozônio a escorrer em cloacas,
As fronteiras-muro e não caminho,
Olhos fundos de fome
A assombrar meus pesadelos mornos,
Dedos secos da fome de amor
Por não ter um rosto para acariciar,
Crianças de barrigas inchadas
Pelo verme da ganância
E pergunto 'por que?'.

Mas não paguei o dízimo
E deus tornou-se surdo
Então sozinha
Só ouço minha voz.

Se um outro destino
Vier desse útero já berço
O abraçarei dizendo:
"Vá, faça!
O meu tempo já se foi"
E emudeço
Pois não posso mais.

Aqui

O tão belo instante
Do doce agora
É puro amor
Pois então longe da dor
O homem se sente tão leve
Que o vento suave
É o afago definitivo
De pura gratidão
Já que tudo
De bom e de ruim
Nos trouxe
Até aqui.

Doce cidade

O seu amor
Em rubro candor
Me traz
O infinito abraço.

Sentidos ecoam
Atravessando seus cruzamentos,
Calçadas
E viadutos.

Suas ruas
São veias
De puro
Mel.

Em seu cálido reduto
Posso mais,
Com você durmo sonhos suaves
E acordo dias de luz.

A avenida que ao horizonte conduz
Atravessa sua teia
E em seus caminhos subterrâneos
Dissipa-se a dor.

Pintura

As cores pastéis
Do momento perfeito
Em suave melodia
Rumo ao infinito.

As ondas doces
Brancas de espuma,
Amargas de sal
E quentes de mar.

O templo do todo
Se desdobra
E acontece
Sensivelmente.

Então o abraço
Que contém
Todos os sons
A fluir.

sábado, 5 de setembro de 2015

Doces melodias

O eco do sim
A cantar enfim
O doce fim
Da dúvida.

O então tão longe
Mas agora tão perto
E definitivamente certo
Sentido.

Ecos
De luzes
Quentes.

Sons
De cores
Púrpuras.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ser Humano

Tento curar a ferida narcísica
No colo materno
Quente e inexistente.

O atemporal desejo
Do doce beijo
E do eterno repouso.

Sua insuficiência
É meu lamento
Que ecoa
Gerações.

Mas respiro e vejo
Que a urbe me abraça,
Que o olhar amigo me acolhe
E que poder
Sentir dor
E perceber-se
Frágil
É poder
Ser
Humano.

domingo, 23 de agosto de 2015

Livros

Com um bom livro
Nunca estou sozinho,
As odes me fazem cantar,
Os sonetos, flutuar.

Com um bom livro
Nunca estou sozinho,
Sinto os grandes livres
A sentar em minha mesa
E me mostrar os caminhos.

Com um bom livro
Nunca estou sozinho,
As palavras voam leves
Construindo um novo horizonte
E o Machado, meu vizinho,
Me sussurra segredos de sangue.

Com um bom livro
Nunca estou sozinho,
Encontro a juvenil fonte,
Travo batalhas, vivo mil almas,
Desfaço mortalhas, encontro a senil calma,
Sou um pescador, um beija flor, a inexistente cor,
Um guerreiro, um mateiro, um cavaleiro,
Um índio, um físico, um cínico,
Sou mais e infinito-me
Nos egos tomados de empréstimo
E nunca devolvidos.

sábado, 22 de agosto de 2015

Caminhos

A estrada que passa
O perto tão rápido,
O longe incerto,
Velo
Cidade,
Da vida a graça
Do movimento.

Vamos! Vamos!
Mais rápido!
O mundo vão
Para trás ficou
E com ele todo o peso.
À frente o rosto indefeso
Acariciando o vento
E brilhando com o rubro luar
No quente horizonte.

O descobrimento

(Com Desi)

Vestir a beleza
Com os olhos do outro,
O filme da vida,
O solo de cigarras se mistura
À sinfonia sem fim.

As cores entremeadas,
O mar da alma,
A ilha ancorada
Cheia de pegadas
Marcadas na areia.

O rosto rugoso
Que observa
O luar das recordações.

O amanhã que chega
Impetuoso.
O barco
De velas içadas
Na direção do horizonte.

Sabores

(Com Desi)

O azeite em favos de mel,
O vinho adamascado,
O sal com saudades do mar
E o gosto espesso
Da pele ainda quente.

A pulsação do corpo
Em cardumes infinitos.
O suculento pêssego
A derreter-se em ondas.
Engolir a textura concreta
Da última gota de água.

Ondas

A beleza do instante
Em ecos suaves
Da grandeza infante
Da mestra chave.

Tudo se abre,
O corpo, a alma e o ser,
Não mais se cabe
Pois é pleno o viver.

Então o fluxo,
Então o fluido sentir
Então o divino empuxo

Impunemente perfeito
Se faz pressentir
Em face do argenteo efeito.

Nuvens

Conhecer o mundo
É desconhecer-se
Rumo à pergunta,
Rumo ao sentido
Do belo.

A alma assunta-se,
A verdade sincera
Se realiza.
Abrir-se.
Engolir o mar
Em grandes goles.

O corpo se transforma
No vento sem forma
Que beija o infinito.

O olhar que brilha
A testemunhar e refletir
O azul horizonte.

A seda das ondas,
A natureza do aquário de si,
A tão verde e viva vida
E o dissolver da dúvida
No calor
E abraço do sol.

O sorriso do ser
Em puro fluir,
A grandeza do instante
E a morte das flechas do tempo.

Ondas

A beleza do instante
Em ecos suaves
Da grandeza infante
Da mestra chave.

Tudo se abre,
O corpo, a alma e o ser,
Não mais se cabe
Pois é pleno o viver.

Então o fluxo,
Então o fluido sentir
Então o divino empuxo

Impunemente perfeito
Se faz pressentir
Em face do argenteo efeito.

Castanhos

Em um castanho olhar
E um sorriso de marfim
Encontrei o belo enfim
Sentido que estava a buscar.

São ondas em minha praia,
São fontes de meus areais,
Sinto os beijos finais
Que retiram de Maia

Seu carinhoso véu
E mostram impiedosos
As alturas do céu

O abraço quente,
O toque sedoso
E o brilho presente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Veias

Em vias concretas
Encontro o caminho
Rumo ao infinito.

São sons dissonantes
A ecoar
Em infindáveis
Ruas.

Suas luzes me aquecem,
Seus ventos me abrigam,
Suas pontes me direcionam,
Suas vias, minhas veias.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Palimpsesto

Vejo este belo palimpsesto
Tão singelo em seu dizer
É simples, confesso,
Mas bonito de se ver.

Mas espere, há algo mais,
Que interessante, não havia
Visto esse algo atrás.
Tão plano parecia,

Mas agora cheio está
De possibilidades.
O sentido primeiro já

Não importa, mas sim
A minha veracidade
Em camadas sem fim.

Vida

A vida é um respiro
De consciência
Em face da morte.

Sem a negra viúva
De que valeria
Viver?

Junto de sua foice
Ela nos traz
Possibilidades
E sentido.

Fomos pó de estrelas.
Seremos terra,
Grama,
Árvores.

A verdadeira morte
É esquecer-se
De viver.

Caminhar

Caminhar rumo ao desconhecido,
O horizonte à frente,
Os cabelos ao vento
E as saudades atrás.

A estrada que passa
E passa,
E passa,
O chão que corre
Inebriante,
O beijo do sentido
E seu abraço quente.

Não há linha de chegada,
Só um ponto de partida
Há muito distante.

A certeza de infinitos portos,
A certeza de incontáveis amanhãs.

É então celebrada a grande manhã,
É então cantada a melodia final
Em uma fogueira noturna
Feita de estrelas.

Espelho

Em um reflexo translúcido
Vejo o céu de mim
Amplo, vejo-o lúcido,
Vejo-o em luzes sem fim.

Em doce horizonte
De ternas ondulações
Vejo a vital fonte,
Vejo um mar de constelações.

O beijo de suave brisa,
Convida para o infinito
E para a alma avisa

Ser dos deuses sinal.
Então me entrego convicto
Ao afago da melodia final.

Caleidoscópio

A fonte da vida
Em doces notas
De ternos compassos.
O fim do espaço
E do tempo.
Apenas sentido,
Apenas o momento,
O horizonte,
Luzes
E cores
E os versos
De um poema.

sábado, 8 de agosto de 2015

Crescimento

O som do infinito
Que ressoa nas ruas
É convite de sentido,
É convite de almas nuas
Rumo ao eco do tempo.

O horizonte vertical
Que vem com a entrega
Derradeira, além do bem e do mal,
Todas as certezas enverga,
E permite a solução final.

Sinal de pura ressonância,
Dissolução em doce leveza,
As estrelas o olhar alcança,
É palpável a sólida beleza
E a sinuosamente colorida dança.

Além da dúvida está o instante,
Está o momento presente
De imagens flutuantes,
Além do vento que se sente
Está a grandeza infante.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Horizonte

O horizonte começa,
Onde termina o olhar.
Apenas montanhas e luzes,
Apenas o mar,

Lá onde a imaginação desperta,
Lá longe, tão perto,
Dormem as certezas,
E vem os sonhos.

Momentos risonhos de se pensar
Além, depois, e então.
Terra de monstros e ninfas,
Céu de deuses e estrelas.

O astro quente descansa
Depois de árduo trabalho.
A amante branca se levanta
E consigo nos traz doce esperança.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Pesar

Apesar da fome,
Apesar do câncer,
Incurável,
Apesar da dor,
Apesar da morte,
Apesar do rancor,
Apesar da sorte,
Que nem sempre vem,
Apesar da falta,
Apesar das saudades
De estar com alguém,
Apesar das maldades
Feitas com prazer,
Apesar da falta,
Apesar do não ter
Horizonte, 
A vida
Ainda
É bela.

Sal

A possibilidade do seu corpo
Envolto em poesia
É prazer que confia,
É certeza de estar absorto

Em suas curvas de vento,
Seus olhares de malícia
Ao provar a derradeira delícia
De renunciar a qualquer intento.

Algo mais, não quero,
Algo mais, não espero,
Somente a pétrea vontade

De dentro de você estar,
De amar seus beijos de mar,
E morrer em um sal sem idade.

O oceano da loucura

Ah, como é belo o oceano da loucura
Um rio de cores púrpuras,
Sem margens
Nem nascente nem foz.

Golfinhos voam no céu rosa
Com uma redonda lua azul.
Tamanha sedução em verso e prosa,
Rubros ventos do sul.

Palmeiras crescendo em nuvens
Que tocam o chão.
Brotam do solo chuvas,
Cai do céu o pão.

Cachoeiras horizontais
Que sobem para as estrelas,
A alma pedindo mais,
Vento em casas com velas.

Nesse horizonte sem fim
Ventanias afundam
Enquanto artistas abundam
A cantar poemas assim.

Mar

A mar
Com suas ondas,
A mar
Com seu acolhimento
E carícias coloridas,
Em perfeito equilíbrio.

Entrelaçado em harmonia
Por fazer parte
De uma imensidão.
Parar de respirar
Pela beleza
Tão violenta
E por poder vivê-la.

Beijo azul
Em um fundo nu
De céu.

Céu

A liberdade
Da alma
Bate a porta.
Eu digo
"Entre",
É claro.

"Por que?"
Me pergunta.
À qual
Respondo:
"Porque é infinito"
E vôo,
Tão longe vou,
Que me deito
Entre as estrelas.

Instante

Momento
Do tempo.
Intento.
Alento final.
O vento derrama
Sentimentos.
Contentamento.
Comprimento infinito
Do instante.

Então

A paz que há no momento
Do sentido
É sentida
Como luz
E poesia
E sons.

Refrões infinitos
De melodias policrômicas
Que vem como o mar
Em seu quente abraço.

O enlace da alma
Com o todo.
A certeza que acalma
O engodo
De ser
Só
Um.

A solução
Da dissolução
É entrega.

domingo, 26 de julho de 2015

Subjetivo

Conheço o mundo
Em suave canção :
O conceito do todo,
É verde vestido
Em seco areal.

São ecos de sentido
Capturados no momento
Do instante definitivo.

Subjetivo.

O brilhante prazer
Da entrega última
Onde só há
Infinito.

Sou

Eu me questiono,
Homem sou.
Imagino,
Sonho
O destino risonho
Do doce existir.

Tão suave sentir
Em sons infinitos
E cores vivas
Do definitivo viver.

sábado, 25 de julho de 2015

A alma sorri

Todas minhas conquistas
Todos meus momentos,
Todos meus intentos,
São para os deuses
Chamados sol, terra,
Água e ar.

Sentimentos de pura beleza.
A grande e final certeza
De existir
Em um fluxo contínuo
Do tempo.

A verdade se mostra nua,
A verdade se mostra crua
E a alma sorri.

domingo, 19 de julho de 2015

Céu

Em fluido movimento
O sentimento atento
Ao profundo sentido
Do momento.

A verde esperança
A voar
Tão perto.

A alma alcança
O todo
Tão certo.

Então o sorriso final
Da vivência plena
Das estrelas.

Viagem

O diálogo com si mesmo
Fora do espaço
E do tempo.

A roda que gira
Em seu perfeito
Caminhar.

O sentimento do vento
Em seu sincero
Correr.

Fluxo

O intento da entrega
É não ser mais
Nada.

A pergunta sincera
Da fímbria
Da vida
Convida.

Então o som que brilha,
Aquece e abraça
Flui
E vem.

sábado, 18 de julho de 2015

Reforme-se

(com Emmanuel Rosa)

Disforme, reforme, transforme.
Dize: forme, reforme e transforme!
Disforme-se, reforme-se, transforme-se...
Não se conforme, transe, forme-se.

Informe, conforme a fome
Disforme, consome sem nome,
O pronome sem fim.

Urbe

Em vias infinitas
De luzes e sons
Você me recebe
De braços abertos.

São destinos que se cruzam,
Caminhos a atravessar
Seu mar de cimento.

Suas veias pulsam
De vida e movimento
Que em minha alma
Ecoam.

A liberdade ressoa
Em possibilidades concretas
De versos assimétricos.

Então sou seu,
Então você é minha
E juntos seguiremos
Ao ilimitado céu.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Positividade

Os momentos que ecoam
Sentido
São o intento da vida
Em seu sorrir.

O prazer de existir
Em fluxo,
A beleza de sentir
O todo.

O refrão derradeiro
Da estrofe perfeita,
A corda inteira
Em infinita vibração.

É então chegado
O tão esperado
Sim.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Mais

Mais uma noite brilha
Com seu cheiro de luar,
Gosto de estrelas
E paisagem de sons

Dissonantes,
Em azul harmonia
De um fosco cantar
Ao plumbeo horizonte

De dúvidas e incertezas
Que caem por terra
Na existência vera
De não mais insistir

E apenas olhar
O acontecer
Que se desdobra
Tranquilamente
Transparente.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Pergunta

A pergunta que encerra
A fundamental questão
É coisa singela
Que resume o sim e o não.

De repente ouvi da tua boca,
E me pus a meditar.
Por que habitar a terra
E não se dissolver no mar?

Essa terra tem saudades
Do que foi e do que virá,
Tem flores que carregamos no peito
E aquelas que ganhamos sem jeito.

Tem risos, tem gostos,
Olhares, suspiros, caminhos,
Descaminhos (é claro!)
Mas as lágrimas em seu brilho fosco
Preparam o solo
Para a nova colheita.

Dessa terra comemos os frutos
De intenso prazer,
Bebemos seus rios,
Nos alçamos em seus montes
E o amanhecer
Nos abraça.

Não sei se é essa vida é a única
(Como poderia sabê-lo?)
Mas é única
E única será para toda a eternidade.

A liberdade não está tão longe:
Ela é aqui
E agora.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Depois

Ouço o chamado
Rumo ao desconhecer.
Siga-o
Pois então
Não sou
Nem existo.

Rios de cores púrpuras
Bafejam humildemente.
A impermanência se solidifica.
Sólida e úmida.

Sorve a boca sedenta
Da alma
O sentido
E o guarda
Para depois.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Aceito

O suave beijo
Do vento
A trazer
O profundo
Sentido
É tão
Verdadeiramente
Sincero
Que a entrega
É simples
Aceitar.

Complexo

O influxo do tempo
Cria o momento
Eternamente presente.

O líquido sentir
Introspecta,
Expande
E recolhe.

Complexo
Reflexo
Do todo
No agora.

Então

E então
O grande
E calmo
Porvir
Se materializa
Presente.

É vontade
De se derreter
Com o mar e o céu
E a terra e o ar
Que se transforma
Em ato.

Tão grato
Pelo todo sentir,
É entrega
No fato
De não
Existir.

Mover-se

Ouvir cores
E ver sons.
O céu respirando
A ondulação das vias
Que caminham
Rumo o infinito.

Com cabelos ao vento
Sigo entregue
No fluxo do todo.

O pêndulo
Tão preciso
Em seu ondear.

Movimento.

Terra

A mãe terra
É eterna
E boa
Em seu quente
Abraço.

A lua me chama
Inteira
E se entrega
Em tão belo
Despir.

O mar
Me diz
O vai e vem
Do todo.

Passo

O passo final
Rumo a.
O destino final
Do grande sorrir.

O fluxo do tempo
Se derrete.
Dourado confete
Em uma noite ao luar.

O prazer ao amar
O infinito existir,
O ser sem
Limites
É convite
Do belo
Sincero,
E pleno
Sentir.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dezoito Horas

Rios de gente,
Enchente.
Dezoito horas
Agora
Liberdade.

Rostos cansados
Ansiando
A eternidade
Dessas parcas horas
De esquecimento.

Olhares esboçando sorrisos:
Pensamentos-distância
Antes do novo
Amanhã.

domingo, 5 de julho de 2015

Som

O harmonia do som
É rima rica
Em verso alexandrino
De um soneto perfeito.

A música em seu
Desen
Envolvimento
É puro
Movimento
Rumo a

Alcançar
O final
Conceito
Do todo.

Infinitas

Poder estar no momento,
Poder compartilhar
O mais puro sentimento
De conexão.

É tão certo
O incerto porvir.
É tão perto
O decerto sentir

Que tudo é tão belo,
Singelo sim,
Que não há mais além,
Só aqui
E que as possibilidades
São infinitas.

sábado, 4 de julho de 2015

O grito do daimon

Olho o passado
De frente para trás.
Todos os acontecimentos
Me trouxeram aqui.

Queima a fogueira primeira
Onde começou a história.
Nascedouro dos homens,
Saturnal,
Tão belo
E quente!

A maresia infinita,
O vento do perdão,
E o beijo  do êxtase
Enchem o mundo
Da mais pura
Significação

O daimon
Pula,
Grita,
Canta
E dança,
E então
Calmamente
Sorri.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O grande transbordar

O momento do sentido
É momento sentido
Sem senão.

O puro sim,
Enfim!
Que se expande.

Cada pequeno momento
Per
Fei
To
Em seu lugar.

Cada pequeno intento
Con
Ti
Do
No seu confirmar

Do puro unguento
E do furo sedento
Que se extingue.

Passam paisagens paralelas,
Passam imagens tão belas.

É então
O grande transbordar.

Seio

A vida deve ser vivida!
Se não o for,
O que resta ao homem?
Dormir insone
E sempre supor
O senão?

A vida se mostra
A quem se mostra
E concorda
Em arriscar.

Em quem a angústia acorda,
Em quem a dúvida transborda,
Vive?

A realidade é.
Em seu seio
Formoso
Transbordo.

domingo, 28 de junho de 2015

Onde o mar encontra o céu

Onde o mar encontra o céu
Estarei te esperando
Para dormirmos a noite infinita
Envoltos em lençóis de nuvens.

O vento a embalar nosso sono,
As estrelas solfejando o amanhã.
Viveremos de orvalho e sonhos,
E desejos e beijos e sussurros.

Voaremos alto,
Não tão alto quanto Ícaro,
Mas tão alto
Que nos abraçaremos sós
Com os deuses.

Na manhã das almas,
Onde o mar encontra o céu,
Estaremos juntos
Para sempre.

sábado, 27 de junho de 2015

Desabrochar

Em meio à noite branca
Enleio da noite franca,
Então o coração espanta,
Então o não

Profundamente sim
Se converte em verdade,
Inverte a realidade
E vem a mocidade
Do viver.

É tão belo
E tão certo,
E tão sincero
Desabrochar.

Enfim

O fim do momento,
O fim do intento,
O fim que aguento
A voar

Afinal tão alto,
Afinal tão plácido,
Afinal tão pleno,
A olhar

O todo infinito
O todo do grito
O todo
Enfim.

Momento

E o momento infinito
Que se encontra presente,
O horizonte perfeito
Do todo que sente
O mar a ondear as almas.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Sentido

Tua taça cheia
Está cheia de ar,
Teu copo
Está apenas meio cheio,
Teu prato
Sempre vazio
Demonstra
Insuficiência.

Tua vida sempre cheia,
Cheia de convicções,
Transborda
De merda.
Intolerância.

Não vês
O mundo
À tua frente,
Não vês o fundo
De ti.

Desperte
Ou morrerás
Sem sentido.

domingo, 21 de junho de 2015

É chegado

É chegada a hora,
É chegado o momento
Da entrega final.

O lamento do tempo
A sorrir
Ternamente.

Contentamento
Inteiro,
Completo.

Não há mais nada,
Não há mais,
Não há
Não.

A experiência urbana

Tráfego
Tráfico
Encontros.

Luzes
Passagens
Desencontros.

Distâncias
E proximidades.

Rastros
Vastos
Do homem.

O horizonte
Iluminado
Por vidas.

O cristo
A redimir
E a abençoar.

A lua
A beijar
Entre nuvens.

E o concreto
A pavimentar
Existências.

Prazer

O viver líquido,
O sentir plácido,
O olhar fixo
No brilhante
Infinito.

Luzes douradas,
Uma ninfa dourada,
Sóis dourados
A aquecer
A já terna
Alma.

O prazer que se expande,
Ecoa
E abrange
O todo.

O sim

Ah, o sim
Como é belo
E redondo
O sim,

Em sua forma perfeita
Per
Fei
Ta
Mente
Construído.

A grande afirmação
A derradeira certeza,
Da inteireza
Do ser.

Tão singela forma
Que então revela
E desforma
O viver.

Diálogo

O fluido sentir,
No fluxo, devir,
Sem limites.

O infinito presente
Que na alma se sente
E a você vai

Em infindáveis metáforas
Inconformadas,
Em contínuos contatos
Com o todo,
E em um
Singelo
Olhar.

Ponto

O ponto imutável
O autêntico movimento
O sincero momento.

O eterno presente
O fundamental agora
A essência tão rente

E não mais lá fora.

Lapso

O fluxo refluxo
Influxo do sim
Enfim assim
Tão certo.

Em unidade singelo,
Em sentido sincero,
No caminho
Do belo.

Compassos honestos
De semínimas ternas
Aceleradas.

Criado o rio,
Criada a travessia,
Criada a via
Para o infinito.

Tácito

O jogo de luzes,
O jogo de sons,
O jogo de tons
Dissonantes.

O fogo reluz,
O fogo conduz,
O fogo induz
Ao desconhecido.

O foco do todo,
O foco do mundo,
O foco do mudo
A falar.

O eco da atenção,
Em profunda tensão,
Pois agora então
Plácido.

O jogo ácido,
O fogo fátuo,
O foco fluido
Do ecoar.

Intensamente

Repetições infinitas,
Indistintas,
Rumo ao sim.

O fluxo do vento,
O intento do tempo,
O momento
Que se desfaz.

A proporção áurea
O retângulo perfeito
Em um ângulo simétrico.

Contentamento
Do viver
In
Tensamente.

Infinito

(com Pedro Vaz)

Infinite-me.
Infinitésimo.
Infinitamente
Extenso.

O senso
Contínuo.
Prolongamento
Não linear.

Prolegomenos
Definitivos.
O ocaso
Da intuição.

O contínuo
Rio
Sem fronteiras,
Sem barreiras,
Sem senãos.

Ecos

O rimado eco
Da fímbria
Do âmago
Do ser.

Vibração ação,
Sim não,
Então
São.

Ouvindo,
Sentindo,
Infinitando-me
E sendo.

Hora

A noturna hora
Chega agora
E então lá fora
O corvo a cantar.

O soturno véu
E então o céu
Em doce mel
De estrelas.

Os ásperos ventos
Reinventam
O sofrer
E o transformam.

Metamorfose.

Luzes

É então líquida,
É tão linda
A experiência
De poder
Viver
O eterno
Momento.

Sons em sombra
Sombreando sobre
Nós.
Vozes em luzes
Vociferando
Verdades.

O derradeiro acontecer
Definitivo,
Infinito.
O sopro verdadeiro
Que soluça
Sincero.

Resplandecente.

Manhã

Ah, o dourado sol que surge,
É chegada a grande manhã.
De beleza a alma urge.

De existir delicado afã,
A alma transborda o ser.
Não há filosofia vã

Que abarque o sincero viver,
Que embarque na aventura
De então em paz conviver

Com o mundo, com as venturas
E tristezas, com os caminhos
E descaminhos. A tessitura

Do todo, o trilhar sozinho
A virgem última trilha
Bebendo bendito vinho.

Das ninfas a filha,
Dos deuses o pai,
Do náufrago a ilha.

Esvairam-se os ventos invernais,
É tempo de calor,
O curso do rio vai,

E eu me vou sem dor.

Assim

Entre os dentes
Seguro a primavera
Entre os dentes
Seguro a doce espera.

Entre os dentes.

O infinito,
O céu,
O véu,
O sim.

Assim
Enfim
Tão belo.

O além

O acontecimento do tempo
Em pura existência
Que sempre insiste
Em sempre existir.

Então o tão fluxo,
Então o tão líquido,
Então o são físico,
Então o sentir.

O constante vibrar
Do profundo amar
E então flutuar
Para sempre.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Efêmero

Folhas balançando, vida,
Pessoas passando, alegria.
Os raios de sol aquecem
A saudade fria.

O sorriso convida,
As dores fenecem,
Os movimentos deixam traços,
Os pensamentos escassos
No espaços de um momento.

A palavra falta,
O conceito falta,
Só resta
O olhar.

Mármore

Você que lasciva me olha,
Não me toca por não teres mãos,
Não sorri por ter muito chorado
O tempo, Em sua imobilidade
Constantemente presente,
És testemunha de gerações,
De amores, guerras e paixões,
De risos que não ecoam mais,
De gestos há tanto esquecidos,
Dê-me um beijo desse rosto sem lábios,
Um abraço desse corpo sem braços,
Seja minha pois eu passarei
E você terá toda a eternidade
Ao seu dispor.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Primavera

Passam as histórias,
Passam os caminhos,
Os sorrisos e tristezas
Passam,
E eu
Passarinho.

Sua velocidade
Me enebria.
Sua força,
Alegria.

Passam as glórias,
Passam os espinhos,
A vida e a morte
Passam,
E eu
Passarei.

Lampejo

Em ressonância com o todo,
O céu e a terra se tocam
O mar beija as estrelas
E o vento abraça.

Tão singela graça
Exageradamente bela.

Uma toalha negra

Olhando o mar infinito
Vejo o infinito de mim.
Dentro de mim o sentido,
Sentido de ser enfim

Derradeira a entrega.
Um céu feito de passados,
Um sim feito de afagos,
Um sorriso que só nega

O talvez. Ser então
Tão grande. Ser assim
Tão belo o mundo.

Milhões
De grãos
De sal
Em uma toalha negra.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Horizonte

Os reflexos da alma
Que se espelham no mar,
A graça por alcançar
Tão final e cálida calma.

Dúvidas, não mais,
Não há mais talvez.
Apenas estrelas,
Apenas o horizonte

Infinito. Um sorriso
E o grito que ecoa
Trazendo sentido.

A lua branca,
A entrega branca
E o verso final.

Viajando

Viajando rumo ao desconhecido,
Rumo ao horizonte,
Rumo à insaciável fonte,
O olhar há tanto esquecido

Vê o infinito e sorri,
Vê rostos, destinos,
Foscos desatinos,
E o brilho de si.

Então o belo,
Então o singelo,
Então o sincero

Abraço.
Não há mais:
Só há paz.

Ao por do sol

Ninguém a ouvir meu canto,
Ninguém a chorar meu pranto,
Ninguém a nadar meu rio,
Ninguém a escutar o frio

Que ecoa em minhas asas.
Apenas o sol a se por,
Apenas o olhar a supor
Quão infinito se é.

Subo com a corrente de vento.
Subo sem qualquer intento
A não ser ver

A beleza a se expandir
E a derradeira certeza
De docemente existir.

domingo, 31 de maio de 2015

Fonte

Por que o agora
Em tão bela hora?
Por que então,
Por que o se não?

Dourado sol
De noite brilhante,
Dê-me
Enfim
Sentido.

O beijo do sim
E o afago do talvez.

Não há mais nada
Só horizonte.
Enfim a fonte,
Enfim a origem.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

São Salvador

Em uma praça qualquer
Se reúnem sorrisos,
Amigos e caminhos
Novos e antigos.

Luzes e lembranças
Embaladas por uma música
De fundo: o talvez
E o amanhã.

A paisagem abraça,
A fonte convida,
A árvore acolhe
E a noite
Se entrega.

Passantes
Chegam, mais e mais.
Vão-se, mais e mais.

Fluxo,
Passagem
E impermanência.

domingo, 24 de maio de 2015

Silêncio

Em agudo sussurro,
Em doce melodia,
O grave grito,
O definitivo sim.

Sinestésica contemplação,
Sintético senão,
E a presença,
E a sentença

De ser-mais.
Ou ser-todo?

Pois sim:
Entrega
E transbordamento.

Então

Quando surge o som,
Quando surge o tom,
Não há mais nada,
Não há mais.

Cada intervalo é espera,
Cada refrão é eco,
Então há só entrega,
Então só há o momento.

O ego há muito esquecido,
O futuro há muito esquecido,
O tempo que se dilui.

Está tudo agora,
Está tudo afora,
E o sorriso final.

domingo, 17 de maio de 2015

Aguardo

O corpo que sente
O sincero pulsar.
Sempre presente
A verdade a amar.

És bela coisa
E o eterno futuro.
És a espera contente
E o alegre chegar.

Venha.
Te espero.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sincero

Uma doce música ao fundo
Confirma o profundo existir.

O doce sentir
Do eterno horizonte,
O sincero devir
Da mais bela fonte.

Sou mar,
Sou ar,
Sou vento,
O sincero intento
Do sincero viver.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pedro Pai

(em homenagem ao aniversário de Pedro Vaz)

Pedro pai
Fez o pedido,
Fugiu do perigo
E encontrou o perdão.

Começou a partida
Pedro pai.
Proferiste a palavra
Pedro pai.

Tenhas paciência,
Ganhaste o privilégio.
Tenhas paixão,
Ganhaste a paz.

Pedro pai:
Ganhaste o presente.
O futuro
Te pertence.

Presente

Na busca a busca
É o encontro.
Na sede a sede
É de vida
Na fome a fome
É sentido.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De ser
Humano.

No horizonte o horizonte
De mim.
No céu o céu
Tão perto.
No mar o mar
Tão meu.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De estar
Humano.

Rumo ao rumo
De mim.
Rumo ao rumo
Sem fim.
Rumo ao rumo
Do pó.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De viver
Sem plano.

domingo, 10 de maio de 2015

Maternidade

Uma ostra apressada só produz areia,
Uma satisfeita não produz nada.

Sinto as dores do parto
E o vazio da perda.

Transformo olhares em verso,
Exponho o anverso de mim.

Nino metáforas
E em doce metamorfose
Surgem aliterações sinestésicas.

Vulgo vazio vão vem vindo veloz,
Com cheiro de brisa
E gosto de beijo.

E então
De repente a Verdade,
Um oxímoro possível,
Se transforma em palavras.

Círculo

Forma perfeita,
Equidistante.
Por inspiração feita,
Neste exato instante.

Infinito de mim,
Enquanto existência,
Enquanto ciência,
Sinceramente sim.

Em sua presença existo,
Em sua presença insisto
Em ver
E viver.

O agora imortal,
O derradeiro sinal
Da consciência
De si.

sábado, 9 de maio de 2015

Lua

A fome de beleza,
A infinita natureza
E a esperança que seja
Presente.

As perguntas que molham a terra
E o sol se abre:
Não há entrave
Para o florescer.

Trovões de lua
Que se mostra nua
Para a gente amar.

Momento

(com Pedro Vaz)

O cosmos é o antônimo de caos,
Sinônimo de tudo.

O tempo é relógio e algoz,
O tempo é presente
A vida é a voz.

O compasso, sim e não,
A tempo do último perdão.

O definitivo sim
E a beleza
Em estado
Puro.

Sons

A música que emerge
O viver subverte
E então converte
Em doce o ruído.

Escute o som
Que vem em ondas
Do mar.

Ele traz
Sentido
E perdão.

Doce canção,
Suave
Dor
De prazer.

O fim do olvido
O fim
E o começo.

A luz que vibra

A luz que vibra ao som dessa
Possibilidade, Resiste em ser apenas
E passa então a ser grande fresta
Por onde encontra-se o todo.

A existência que se materializa,
A consistência de viver,
A consciência do olhar,
Final falência do ser.

Por que mais?
Por que o porquê?
Tudo é sim,
Tudo é tanto,
Tudo é tão
Belo.

Então nada mais,
Então nada se faz,
Então
Entrega.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O artista

Cante para nós!
Pule, salte, grite!
Não faça da arte um convite,
Mas uma necessidade.

Componha, pinte, escreva!
Que a tua doce voz esteja
Em cada alma sedenta
E em cada olhar de busca.

A tua obra representa
O ouro que o sol ofusca,
A imagem que o cego almeja
E o rouxinol a cantar em rubra manhã.

Mas lembre-se:
Serás como a esponja do mar
Filtrando a nossa loucura,
Serás como o bobo de Lear
Dizendo-nos verdades veladas.

E nenhuma glória
Te será devida,
Pois a tua miséria
É a definitiva vitória
Da nossa mediocridade.

sábado, 2 de maio de 2015

Efêmero

Sento no ponto imutável,
Sinto um mundo tão lindo,
Sinto um mundo sorrindo,
Sendo o toque afável,
A carícia que acolhe
E o beijo recente.

Seu gosto me gosta,
Fímbria de prazer
Que o destino escolhe.
Seu calor me acalenta,
Singelo viver
Em gratuito presente.

A beleza que dói,
A cidade que flui
Com carros, pessoas e gestos,
Olhares, adeuses e caminhos.

Em pura contemplação
A ausência de fronteiras,
A ausência de ausências,
E as palavras que faltam
Pois só há a entrega.

domingo, 26 de abril de 2015

Esse eu

Esse eu
Que só acontece na linguagem
Testemunha
E está de acordo.

Explora a infinita viagem
De não existir
Então em derradeira comunhão
O autêntico sentir.

As perguntas não são respondidas
Mas caem por terra.
As dúvidas continuam dúvidas,
As angústias, angústias,
Mas não fazem sentido
Pois o sentido
É sublime sensação.

A beleza de poder ver,
A leveza do caminhar.
De braços abertos,
O mergulho.

Vastos campos verdejantes,
A lágrima de prazer,
O chamado do vento,
O canto dos pássaros
E a entrega.

sábado, 18 de abril de 2015

Testemunho

Testemunho o mundo,
O sorriso do mundo,
As cores do mundo
E tudo é
Singelo.

A possibilidade
De ver
É graça.
Rever,
Um milagre.

Sem qualquer entrave
O todo se mostra
Em um olhar.

Tudo é tão
Belo.

O abstrato se afirma
E se desvela.
O que resta?
Ser.

Em comunhão,
Em plena presença,
O grande sim.
Transbordamento.

sábado, 11 de abril de 2015

Solidão

O ar baço,
Ar de janelas e almas fechadas,
Ar da suspensão do tempo.
O espelho sem o mais leve traço
Daquela tranquila calma.
No horizonte de si uma singela jangada
Em meio à névoa onipresente.

Um sentimento baço,
Uma ausência de ausências,
Do negro mensageiro a semente.
Se desmancha no ar
A solidez de cada ato.
Somente o líquido se afirma.
Homem pastoso.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite

Após suave e gélido beijo,
Após fechar olhos inertes,
Após o derradeiro lampejo,
O vazio que a alma perverte.

Por que há tão severo algoz?
Por que agora, assim, e então?
Dúvidas com um negrume atroz,
Dúvidas que só admitem o não.

Mas onde ela está eu não estou.
Carregamos a sina de poder
Ver pois viver foi o que nos restou.

Então vivamos. Intensamente.
Pois assim no vizinho adeus do ser
Nos dissolveremos sorridentes.

sábado, 14 de março de 2015

Agora

Com Pedro Vaz

Entro em ressonância com o infinito
Com ele harmonizo
E me destaco do tempo.

Em um corpóreo sorriso
O abandono do ego
Ao presente me entrego.

Em sublime alento
Me desprendo do grito.
Mergulho.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Soneto à Mulher Amante

Contigo troco carícias e sonhos,
Beijos, abraços e mundos,
Esqueço o dia tristonho,
Relembro o prazer profundo.

Nos aquecemos entre lençóis,
Suspiros você me traz.
Do sentir a vasta foz,
De poder a alegria se faz.

Nada te peço, entrego-me todo,
Nada confesso, apenas o lodo
De onde brotará singela flor.

Agradeço a tua existência,
Literatura, pois em sua ausência,
Me tomaria amarga dor.

Nascimento

Nasci no alto verão
Do ano de 2010.
E então comecei
Minha odisseia
Rumo a mim.

Enrugada tez
Cheia de ideias.
Construía sonhos
No caminhar.

A fome de existir
Me tornou retirante.
Peregrino da metáfora,
Viajante do eu,
No zéfiro infinito
Descansava.

Caminhos asfaltava
Procurando seguro
O incerto destino.

Hoje não busco mais.
Buscar é olhar
Para o inatingível amanhã.
Memórias não guardo mais.
Lembrar-se é construir
Um castelo
De vento.

Sou devir.
Contemplo e rimo
O hoje singelo
A sorrir.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Identidade

Navego em oceanos de estrelas
E rios de sonhos.
Singro o vazio risonho.
Nada ocorre: o estio do tempo.
Nado em um lago sem margem,
Flutuo em um chão de flores,
Corro em um céu de aurora.
Sento no ponto imutável
E contemplo a grande vaga
A quebrar
Sonora.

O Eu é então eco de tempos distantes
Calor de mil luas,
Frio de mil sóis,
Sombras de branca luz,
Silêncios da mais pura voz.
Do ar o fluido reflexo.

Lágrimas de nuvens.
Infinita fonte.
O sussurro do universo.
Ressonância.
Paz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A Sociedade do Vento

Algum dia, já há muito distante,
Uma criança viu o mundo pela primeira vez
E sorriu.
Naquele instante de gravidez
Ela nasceu.

Seus poetas nunca morrem,
Mas vivem através do canto de suas metáforas.
Seu canto vive
Em infindáveis sussurros.

Em um constante fluxo 
Sem foz nem nascente,
Só há céu,
Só há o infinito de estrelas.

Ao Todo pertencem,
Do Nada nada temem,
Pois são pura parte.

Afastados da sepultura dos costumes,
Olham o mundo com prazer.
Uma pequena verde folha
Contém toda a história do universo.

Seus iniciados não buscam,
Sentem o belo e o bom
Em suas veias.

(Não pense que a Sociedade
É uma instituição:
Ela é somente
Um estado de espírito.)

Então em sincera entrega,
É tempo da Grande Manhã,
A névoa se dissipa.

Ao ver a moldura do universo
Constroem um castelo de ar
E descansam
Em nuvens de sonhos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Natureza

"Bom poeta seria aquele que pudesse imprimir
os ventos e os rios em sua obra, para falarem por ele."
Thoreau

"A mim deveis a vida
Fiz todas as florestas
E campos e prados e savanas.
Os pássaros em mim descansam
Sou porto seguro,
Sou morada certa,
E por isso me deveis gratidão",
disse a terra,
"Mas para quê todo esse peso?
Para quê tanta certeza?
Eu que mudo a cada instante,
Traço um caminho e vou,
Fluindo constantemente sou
Morada e lar de vida,
Esperança do ermitão temente,
Frescor de um dia quente,
Então é a mim
Que deveis gratidão",
disse o rio,
mas prontamente se ouviu:
"Sou sem forma
Minha presença informa
O eco de estrelas.
Não me agradecei, de nenhuma maneira,
Estou e não estou
Quando quero,
Distribuo beijos sinceros,
Não nasço, não morro,
Pois brinco de viver,
Tudo o que faço
É correr.
Contra ninguém concorro.
Às vezes descanso,
De um sono gostoso e manso,
Outras vezes salto feroz
Em veloz jogo.
Mas não julgo, sou ar.
Meu sussurro é um grito
Pois ser vento é infinito,
De um infinito de ondas do mar."

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Intertexto

A máxima de Píndaro me leva
Ao grande meio dia:
Olho e vejo
O mundo sem sombras.

A vontade de viver me toma,
Minha alma é uma fonte que jorra.
Estendo-me imóvel como espelho d’água
Para que em mim se espelhe o profundo céu.

Por ser imortal
Paga-se caro:
Morre-se várias vezes em vida.
Uma alegria transborda
O ser que ainda não sou,
O país da loucura e o da normalidade
Não tem fronteiras definidas.

Mergulho no vir a ser,
O mundo se revela
Construção, metáfora.
O devir se desvela,
Só existe o aqui e agora.

Sinto a suprema felicidade por receber.
Tudo é bom e belo
E estou de acordo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fome

Física, espiritual? Me perguntais.
De viver? Podeis indagar.
Qual verdade o poeta traz?
Qual garrafa ele lança ao mar?

Respostas simples não podeis obter,
Elas não existem em um mundo infinito,
Elas não existem onde há o grito,
Elas não existem no terreno do ser.

Olho o horizonte e vejo uma odisseia,
Um moinho, um cavaleiro,
Um café, uma madeleine,
Um caminho, uma pedra,
Uma ovelha, um pastor.

Tenho fome de metáforas
E sede de infinito,
Tudo o que não é meu
Me interessa.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Em Chuvosa Noite


Em longos e retilíneos corredores vazios
Busco aquilo há muito perdido,
Busco fugir do profundo olvido,
Sinto de ecos e sombras arrepios.

E então questiono:
Existo, por questionar?
E então afirmo:
Talvez, por afirmar?

O eu é simples metáfora,
Catacrese.
O devir grande catáfora,
Severa tese.

E então?
O não.
O nada.
Argênteo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Teoria da Literatura

Puxo fios
Desconstruo tecidos
Rumo a um sentido
Que vou construindo.

Me aguardam pacientemente
Expectantes
Enquanto alinhavo metáforas
Em busca
Do imponderável.

Me perguntam:
"Quando terminarás, Penélope?"
E respondo não sei,
Um dia.
Tenho o tempo a meu favor.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Engenheiro de Letras

Sou um engenheiro de letras
Construo pontes de palavras
Com arcos ogivais.
Ergo templos singulares
Com colunas de rimas
E piso de metáforas.
Pavimento romanos caminhos
Rumo ao Desconhecido.
Afora um paisagismo natural,
Levanto casas para aquecer
As invernais sombras
Sempre presentes.
Um caráter de caracteres
Se mostra no meu proceder.
Alitero imagens,
Paradoxo viagens impossíveis,
Sinestesio impressões imprecisas,
Graduo a beleza simples,
Paraleliso o Todo e o sim.
Coleciono fugidias sensações
Para cozer tijolos de morfemas.
E sem quase perceber
Surge então
Um novo poema.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Desejo

Quero o abraço quente
E o beijo frio,
O carinho presente
E o derradeiro fio
Do céu
E do mar.

Quero dormir em leito de estrelas,
Ventar em um toque singelo,
Navegar em ondas de gelo,
E que a chuva infinita esteja
Em mim.

A cada lua que durma,
A cada lua que se levante,
Quero ser sem forma,
Quero ser feliz infante.

Natureza,
Mãe de todas as mães,
Segura fonte e destino,
Diga sim
E serei seu
Para sempre.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sim

Quando a vida afirma a vida
E tudo se transforma
Em um grande sim
A única forma
É um círculo perfeito.

O peito transborda
Em um contentamento sem fim,
Puro,
E brilhante.

O ser sem muros,
O eterno instante
Insinuantemente belo,
Singelo prazer,
O sorriso nos olhos
Pelo abraço do céu.

O véu de estrelas
Que brilham por brilhar,
O sentido sussurrado pelo vento,
O infinito presente no mar,
Nos mostram
O singelo
Viver.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ser

Eu como vento
Eu como folha
Sou a contento
Sou uma escolha
Sou um invento
Sou um ser livre
Sou um ser livro
Era como estive
Eu como crivo
Sou um ser vento
Sou um ser folha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Tempo

Algumas vezes
Como um corredor
Que ao máximo se esforça
Em deixar para trás,

Outras
Como um monge
Que sabe
Que cada momento é eterno,

Você marcha.
Inexorável.

Eu te peço:
'Dê-me por favor
Um pouco daquela idílica infância,
Daquela viagem um pouco de calor,
Diga-me o caminho,
Para não trilhá-lo sozinho,
De tudo o que virá.'
E então confesso
Ser um ser de saudades
Do que passou e do que será.

Mas você ríspido responde:
'Se quiseres o passado,
Aquele onde a memória se esconde,
Coma uma madeleine meu caro.
Se quiseres o futuro
Para sentir-se mais seguro,
Aguarde.
Apenas o presente posso te dar.
Esse mesmo que já se foi
Enquanto afoito
Lias
Isso.'

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ser vento

Eu queria ser vento
Mudar de direção ao bel prazer,
Estar aqui e lá, em qualquer lugar,
Conhecer chuva e tempestade
E dias e noites
E seguir
Simplesmente.

Conhecer o formoso rosto
E o sincero sorrir.
Fustigar.
Uma saia que voa.

Estar na floresta e no mar,
No campo infinito
Continuar sendo.

Ver as folhas cantando
Em ondas macias
Fazendo-me ouvir.

Distribuir sonhos
E esperanças
A quem me sentir.

Por existires

Por existires, querida sociedade,
Te agradeço a cada dia,
A toda manhã dou bom dia
Para tudo que tive
E que virei a ter.

Se adoeço me cuidas,
Se pergunto me explicas,
Se duvido me duvidas.

Me ninastes
Até meu caminhar.

Ser de linguagem que sou,
Devo devolver-te:
O dourado pôr do sol,
O púmbleo luar,
E o rubro despertar.

Agora lhe digo:
Tive muito
Podes pedir-me
Mais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Diálogo

Eterna roda dos desejos
Círculo perfeito em superfície sem atrito
Dê-me mais um sonho para sonhar
Gire, gire, gire, gire!

Para onde poderia eu olhar,
Se não para o seu horizonte colorido?
É redondo o mundo,
E o horizonte sempre está à frente.

Mas de que importa?

Eterna roda dos desejos,
Dê-me uma nova esperança para eu me cegar,
Uma nova possibilidade,
Pois a felicidade,
Só pode estar
Lá longe.

Eterna roda dos desejos,
Me faça desejar mais e mais,
Para assim, certo e diligente,
Fugirei do abismo de mim.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Quando

Eu serei feliz quando...
Dizem os cegos
E para lá seguem andando
Rápidos, afoitos, sem sossego,
Buscando esse objetivo somente.

Subjetiva mente pergunta
E após o quando?
Angustiado coração assunta
E então?

O que não se vê,
Ah, é uma pena, mas não se vê,
É que não existe lugar
Para a plenitude se dar
Se não agora.

Ela existe
Em uma lágrima do mar que escorre lentamente do rosto após o mergulho no todo,
Em uma singela flor que nasce perfeita e perfeita o é simplesmente para ser bela,
Em um vento que sussurra boas novas baixinho para quem olha o céu e sorri,
Em uma costureira distante que tece sonhos e em roupa os transforma para a gente vestir,
E em tantas coisas, e no próprio existir, intervalo ínfimo entre dois infinitos silêncios.

O quando é hoje.