segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Natureza

"Bom poeta seria aquele que pudesse imprimir
os ventos e os rios em sua obra, para falarem por ele."
Thoreau

"A mim deveis a vida
Fiz todas as florestas
E campos e prados e savanas.
Os pássaros em mim descansam
Sou porto seguro,
Sou morada certa,
E por isso me deveis gratidão",
disse a terra,
"Mas para quê todo esse peso?
Para quê tanta certeza?
Eu que mudo a cada instante,
Traço um caminho e vou,
Fluindo constantemente sou
Morada e lar de vida,
Esperança do ermitão temente,
Frescor de um dia quente,
Então é a mim
Que deveis gratidão",
disse o rio,
mas prontamente se ouviu:
"Sou sem forma
Minha presença informa
O eco de estrelas.
Não me agradecei, de nenhuma maneira,
Estou e não estou
Quando quero,
Distribuo beijos sinceros,
Não nasço, não morro,
Pois brinco de viver,
Tudo o que faço
É correr.
Contra ninguém concorro.
Às vezes descanso,
De um sono gostoso e manso,
Outras vezes salto feroz
Em veloz jogo.
Mas não julgo, sou ar.
Meu sussurro é um grito
Pois ser vento é infinito,
De um infinito de ondas do mar."