terça-feira, 27 de setembro de 2016

Há muito

Há muito mundo no mundo,
Muito céu nessa terra,
Muito mar nos teus cabelos,
Muito sim no teu talvez.

Há muito mundo no mundo,
Muitos horizontes no hoje,
Muitos sonhos atrás da porta
E a chave, em tuas mãos.

Há muito mundo no mundo,
Muitos olhares na paisagem,
Muitos destinos na multidão,
Muito será? nas tuas certezas.

Há muito mundo no mundo,
Muita música no deserto,
Muitos montes para se ver mais
Longe, deitar-se e ser feliz.

sábado, 24 de setembro de 2016

Convite

A arte
Que chora,
Dialoga,
Comunica,
Chove e dança,
A arte
Que chama,
Testemunha,
Rima,
Canta e grita,
A arte
Que amareia,
Desvela,
Imanta,
Brilha e toca,
Essa arte
Convida
Você.

Eixo

O eixo
E trilho
Da vida
Em uma crista de onda,
Em uma borda de nuvem,
Em uma costa de areia,
Em um golpe de vento,
Em uma copa de árvore,
Em uma canção de mar,
Em uma vela de barco,
Em um voo de pássaro,
Convida,
Singelo
E doce.

Sonhos

Em sonhos
Tão leves
Flutuo
Fluxo,
Tão sim
Mergulho
Marulho,
Tão simples
Desliso
Despido,
Tão doces,
Eternamente
Ternos.

Belo

O brilho
Contido
Do infinito,
Do todo,
Do rio,
Do tudo
E do nada
Em amplo
Espaço
Se abre.

É belo
Viver.

domingo, 18 de setembro de 2016

Saias

As saias balanço,
Saias pele,
Saias dedos 
Em saias corpo.

As saias horizonte,
Saias certezas,
Saias movimento,
Saias vivas.

As saias carbono,
Saias coloridas,
Saias acolhem
As pernas firmes.

As saias círculos,
Saias manifesto,
Saias compõem sinfônicas
O farfalhar do tecido.

As saias longas,
Saias rodadas,
Saias deixam à mostra
Os pés
Sujos e sorridentes
Da estrada.

Sats

A busca do todo,
A busca do sim,
A busca sentido,
A busca enfim.

O horizonte curvo,
O horizonte redondo,
O horizonte sem fim,
O horizonte sintético.

As saias balanço,
As saias pele,
As saias dedos
Em saias corpo.

sábado, 17 de setembro de 2016

Caminho

Os olhos se abrem,
Cores,
Luzes.

Nomes,
Fiat lux,
Coisas.

Palavras,
Remédio-doença,
Farmácia.

Arte,
Mimesis
E paixão.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Poesia

A poesia piscina
Mise-en-abime da vida,
Do verso quebrado
Interrompido
Da busca.

A montanha amigos,
A arte rio
Sentido
Em direção
Ao todo.

O infinito
Musical
Redondo
Brilhante,
Singelo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Eis

Eis o falcão
Com seu vôo tão livre,
Com seu vôo tão longe,
Com seu vento
Tão perto.

Eis a noite,
Com seu brilho tão pastoso,
Com seus olhos tão certos,
Com seus gritos
Tão doces.

Eis o mundo
Tão pequeno e próximo,
Eis o mundo
Tão simples e belo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Vela

Apesar de pequenos,
Apesar de oprimidos,
Apesar de esquecidos,
Enquanto houver injustiça,
Enquanto houver dor,
Enquanto houver morte,
Como uma tosse em um concerto
Gritaremos,
Como um grão de areia no olho
Incomodaremos,
Como uma pulga nos lençóis
Coçaremos,
Como um verme no alface
Chocaremos
E como uma vela no escuro
Seremos
A esperança
Que mostra o caminho
De um mundo melhor.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Homenagem

Os ecos
A arte,
O som
Fundo
Tocando
A alma,
A batida
Quebrada
Lembrando
A vida
De alguém
Que nos deu
Tanto,
Alegrias
Sorrisos
Noites
Sem fim,
Em
Tua
Homenagem
Hoje
Danço.

domingo, 4 de setembro de 2016

Pés

Pisam os pés
Essa terra de sangue,
Essa terra de morte,
Essa terra de cores
Em palidez.

Pisam os pés
Essa terra de Macunaíma,
De Clarices, de Machados,
Essa terra de escravos
De ontem, de hoje e do amanhã.

Mas pisam os pés
Essa mesma terra de sonhos,
Essa terra de uma esperança
Verde,
Essa terra de um céu
Azul,
Essa terra
De uma arte
Dourada.

Banzo

Por corredores vazios,
Por salas de reunião cheias,
Pelo Estado covarde,
Por indivíduos heróicos,
Por sonhos desmanchados,
Por ideais impostos,
Por direitos desmantelados,
Por barracas guardadas,
Por armas impostas,
Por esperanças depostas
E pela dúvida
De um estrelado amanhã.

Sabonete

Queria ter um sabonete mágico
Para lavar a alma,
Para lavar o mundo,
Para limpar as máculas
Da História.

Queria ter um sabonete mágico
Para lavar as dores,
Para lavar a pátria,
Para lavar os pés
De todos desvalidos.

Mas não tendo um sabonete mágico
E tampouco
Em mágica
Acreditando,
Quero mergulhar no lodo,
Quero mergulhar no sujo,
Quero mergulhar no esgoto
Pois sei
Que de lá
Uma flor
Há de nascer.

Um rosto

Um rosto marcado
De histórias,
Sóis,
Alegrias e dores.

Os sulcos de um rosto,
Veredas de lágrimas
A desaguar no mar infinito
De uma camiseta encharcada.

Sentado,
Só,
Na escada,
A cabeça apoiada
Em joelhos cansados
De tanto caminhar.

A voz embargada,
A mente embargada,
A vista embargada
Guardando a esperança,
Guardando um sonho,
Aguardando, aguardando.

Canecão

Minhas paredes testemunham,
Relatam e gritam,
A tua opressão,
Minhas tendas te dizem
Que ainda há aqueles
Que tem esperança.

Os corpos agora meus
Embalam amanhãs
Que hão de nascer,
A minha arte
É certeza-horizonte
De um céu estrelado.

O meu sentido
Nunca será esvaziado
Pelo seu discurso vazio,
Os sonhos que aqui se sonharam
Se multiplicam
Como flores na primavera.

Você se esquecerá de mim,
Mas eu não serei esquecido.

Ano

Em um ano envelheço cinco,
Em um ano bebo dez,
Em um ano corro quinze,
Em um ano o país atrasa cinquenta e dois.

Mas em um ano conheço vinte,
Em um ano respiro trinta,
Em um ano experiencio cinquenta,
Em um ano vivo cem.

Rio-mar

O rio-mar
Reflexo de estrelas
Convite do todo
Caminho sem volta
Música sem fim
Refrão do tempo
Em um solo improviso
Grita
E você vai.

O rio-mar
Acontecendo presente
Em uma batida elétrica
Em cordas graves
Em contraponto agudo
Em uma rima funda
Flui
E se esvai.

O rio-mar
Horizonte sonhado
Entrega tão doce
Sorriso tão amplo
Olhos tão brilho
Luzes tão sim
Vem
E dissolve-se.

sábado, 3 de setembro de 2016

Físico

Eu sonho
Corro
Vivo
Vou
Mas minha coluna grita
Minha coluna chora
Minha coluna dói.

Nessa rima de meu nome
A substância densa da vida
Relembra e convida
A mente inventiva
Em estar logo ali.

Então componho
Morro
Grito
Voo
Mas minha coluna aflita
Minha coluna demora
Minha coluna sói
Doer.

Rio

Apesar de,
Eu vou viver,
Eu vou sonhar,
Eu vou amar
Eu vou cantar.

Apesar de,
Eu vou rimar,
Eu vou tentar,
Eu vou dizer
Eu vou ser nada.

Apesar de,
A música encanta,
A arte convida,
E a vida se entrega
No sincero fluir.

Pares

A vida é saudade,
É dor,
Pergunta,
Dúvida
E será?

Mas sendo saudade,
Dor,
Pergunta,
Dúvida,
E será
A vida é presente,
Amor,
Certeza,
E alegria.

À luz

A poesia da vida
Em paredes claras
Da casa sem teto
À luz das estrelas.

O canto da vida
Em vozes tão doces
Da melodia curva
À luz do luar.

O gosto da vida
Em pratos tão tenros
Da grávida terra
À luz do infinito.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Inocente

As luzes
Quentes
Doces
No horizonte
Sem fim.

A ambiência
Da bela ciência
Da instabilidade
Atemporal.

A mudança
Impossível
Tornada
Liberdade.

O acontecer
Da vida
A desdobrar-se
Inocente.

Beleza

As narrativas entrecrudas
Nos trazem
Aqui
Nos trazem
Agora
Nos trazem
Então.

O
Passado
Presente
Em futuro,
A
Natureza
Que é
Totalidade
E se mostra
Na plenitude
Do não
Conhecimento.

Há beleza.

O beijo
Singelo
Do infinito
Suave
Gélido
E doce

Há beleza.