sexta-feira, 31 de março de 2017

Osbar

O espaço outro 
Os Stones ao fundo
O Osmar e os causos 
A noite
Do centro.

O vento 
Fresco
O convite 
Espesso.

O Osbar reformado 
A alegria de volta 
A troca de volta
A noite de volta.

O toque 
Da madeira
Mulher, 
O cuidado
Da madeira
Bruta
E única.

A comida farta
A cerveja na garganta
Gelada, a cachaça
Em rios, o espaço
Tão nosso.

Ter vocês 
Em volta 
É a minha
Felicidade.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Troca

Troco porque choro
Troco porque rio
Troco porque mar.

Troco porque mundo
Troco porque mudo
Não existo.

Troco porque tudo
Troco porque fundo
Oceano.

Troco porque
A troca
É a vitória sobre a morte.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Fim de noite

Os olhares conversam,
Os ruídos abstratos,
O que estou
Fazendo aqui?

A respiração curta,
Para que falar
Algo
Mais?

Mas há pessoas trabalhando,
Garrafas recolhidas,
O fim da noite,
O começo
De um talvez.

Mas a noite continua,
Mas a fumaça continua,
Mas o não equilíbrio
Continua.

A mesma
Dor
De cabeça
Lateja.

É hora,
É hora
De dormir.

Seco

Quando o amor seca,
Quando a terra seca,
Quando a boca seca,
Quando a semente morre
E perde-se a plantação.

Quando o amanhã seca,
Quando o horizonte seca,
Quando o céu não chora
Mais, caem amarelas
As folhas e os frutos.

Quando o corpo seca,
Quando a flor seca,
Quando a alma já seca
Contrai-se, é chegado
O tempo de caminhar.

Dorme

Então durma o sono dos justos,
Então vá sonhar os seus sonhos,
Então vá viver essa vida
De ilusões.

Sinta o dia a dia cru,
Sinta a manhã sedenta,
Sinta o peito nu
E seco.

Então durma com o véu de Maia,
Então vá mergulhar no nada,
Então vá viver o mais
Desfalecido.

Sinta a rotina espessa,
Sinta o sangue frio,
Sinta o amor
Indo embora.

domingo, 19 de março de 2017

Água

Água,
O rio,
A chuva,
Uma gota
Multiplicada
É força,
Quando junta
Pode ser tudo.

O mar
Oceânico
De ondas
Correntes
E forças.

A pele
Úmida
Transpira
Transborda
Translíquida.

A água
É plástica,
É troca,
É origem
E fim.

Úmida

A música
De fundo
Da beleza.

O convite
Sincero
Da vida.

O horizonte
Aberto
E límpido.

A noite
Respira
Úmida.

Centro

O coração
Sangra
Na boca.

O fígado
Grita
Intestinos.

A fome
Infinita
De cores.

O grave
Chamado
Do som.

O centro
Fibroso
Da alma.

Acolhe

O fluxo
Desintervalado
Embala,
Acolhe.

O olhar,
O sorriso,
O sentido,
O amigo.

O berço,
O barco,
O céu
Azul.

Tudo

Nada mais que a beleza,
Nada mais que o sentido,
Nada mais que o gozo
Da vida.

Nada além de prazer,
Nada além de brilho,
Nada além de sangue
Correndo.

Tudo a mais de vida,
Tudo a mais de doce,
Tudo amais
Sorrindo.

Sente

Sente o rio
Transbordar
De sentido.

Sente
A alma
Tão leve.

Sente
O vento
No rosto.

Sente
O beijo
Do todo.

Sente o brio
De uma vida
Substancial.

Olha Tom

Olha Tom,
Olha o papai tocando,
Olha o tio bruno,
Olha o chefe.

Olha o baixo,
Olha Tom
A bateria,
A guitarra.

Sim,
Acontece,
Olha o mundo
Se abrindo.

Diálogo

Vem, toca,
Grita em compassos
Sempiternos,
Acaricia
Com essas notas
Quebradas,
Me transborda
De melodias
E luzes,
Borbulha
O meu sangue
Em semínimas,
Abre
O horizonte
Sem palavras,
Me faz
Perceber
Que ainda há sentido,
Que ainda há o possível,
Que ainda há
O amanhã.

Intervalo

E então
O intervalo
Acontece.

A vida pulsa
As veias saltam
O sangue aquece.

E então
O interdito
Aparece.

A música grita
As cores derretem
A troca começa.

E então
O impossível
Na língua.

O horizonte se abre
O ontem se esquece
O amanhã evanesce.

E então
O agora
Ressoa.

O sorriso brilha
O compasso chama
O solo liquefaz.

sábado, 18 de março de 2017

Se você

Se você não quiser
O espinho extremo,
O mar sem beira,
O céu azul e claro,
O sangue na boca
E o coração
Na mesa
Nem me procure.

Se você não quiser
O banho de chuva,
A noite brilhante,
O dia todo quente,
A terceira margem
Do rio, então vá
Embora e durma.

Neste sono pesado
Estarei por aí
Perdido em poemas
Enquanto você
Perderá a mordida
Desse pedaço de beleza,
Desse pequeno infinito
Que cabe em versos.

Toca, Tom

Toca Tom,
Toca essa guitarrinha
De brinquedo branco,
Sente que o mundo
É doce, é lindo.

Toca Tom,
Sente esse sonho,
A brincadeira eterna,
A sua grande banda,
A sua grande dança.

Vem Tom,
Descobre esse mundo
Ele te convida, abraça,
Toca esse mundo
Morde esse mundo.

Vem Tom
Nos ensine o impossível
De ter o sorriso aberto
De mamadeira na mão
E a certeza da beleza
Gritando em seu ouvido.

Parece

O sonho
De um novo
Amanhã
Aparece
Possível.

O horizonte
Colorido
De nuvens
Aparece
Claro.

O impossível
Improvável
Indizível
Aparece
Em cores.

O imovível
Irrealizável
Imprestável
Aparece
Grave.

Acontece

A beleza acontece
Milagrosamente,
Impunemente
Agora.

O chamado acontece
Desavisadamente
Inopinadamente
Agora.

A curva acontece
Transcendente
Salvamente
À frente.

Rio

O olhar do convite,
O olhar do chamado,
O vômito de beleza,
O sorriso aberto,
A certeza sorrindo,
A noite cantando,
As duas olhando,
As duas sorrindo,
O doce sentido,
O doce convite,
O doce mar,
Da doce noite.

Desejo

Pois queria
Sentir a alma
Rasgada
Chorou
Ao ver
Pés passando
Um atrás do outro,
Chorou
Ouvindo
O silêncio
Do mundo,
Chorou
Sabendo
O grito
Do vazio
E sorriu
Sentindo
O calor
Do outro.

Suspensão

O espaço além
Da vida comum,
O espaço quase
Ultrapassamento,
A vida além
Do espaço comum,
O convite aquém
De qualquer outro
Convite
Silencia.

Queria
O espinho extremo,
Queria a dor
E a beleza,
A lágrima
E o sorriso,
A violência
E a entrega.

Queria
A sede e o rio,
A fome e a carne,
A esperança
E a morte.

Mas dorme,
É chegada a hora,
A vida intervala-se,
A vida silencia-se,
A vida suspende-se
Aguardando
A hora
Do vômito,
A hora
Da entrega,
A hora
Do não amanhã.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Venha

Venha me contar
Sobre o barulho da chuva
Sobre a doçura da primavera
Sobre o toque do mar
Sobre o brancoamarelo
Da areia.

Venha me mostrar
O relógio parado
A janela aberta
O verde sem fim
A vida pulsando,
Sobrando.

sábado, 4 de março de 2017

Banco

Padrões
De cores
Azuis
E brancos,
Os óculos
Halls
Cereja,
Camisa
Psicodélica,
Gente
Bêbada
Rindo,
Estamos
Vendo
Muitas
Coisas,
Um ritual
De magia
Negra,
Um banco
Em
Meio
À cozinha
Branca.

(com Vinicius Coutinho)

Na cozinha

O prazer
Do brilho
Simétrico,
O ladrilho
Do rejunte
Perfeito,
Ladrilhos
Se juntam.

O equilíbrio
Entre
O ódio
E a felicidade,
O desamor
É ódio.

O fundamento,
Nós somos a soma
De cada instante.

O amor,
A desigualdade
Presente
Uma nota ao fim,
O resultado
É de algo
Lá atrás
De felicidade.

(com Fernanda Silvino)

Contraste

A sala diminuiu,
A luz bruxeleou,
O todo contraiu-se,
O olhar constrói o universo,
As nossas inter-relações,
Mas a vela ventou,
A cor e o brilho,
Contraste
Sem fim.

(com Rodrigo Ney)

sexta-feira, 3 de março de 2017

Universo

Tão perto
Do universo,
Pertenço,
Não é que o universo
Seja grande
Nem pequeno,
É tão grandioso,
É tão perto,
É sempre dinâmico,
É sempre tão outro
Diferente,
A luz brilha
Mais alto,
A sempre não
Precisão.

(com Rodrigo Ney)

quarta-feira, 1 de março de 2017

Acontecer

Os toques graves
Ecoam
O tempo.

O solo agudo
Canta
Em luz.

Os pratos,
Tambores,
Coração.

A base
Da vida
É ínfima.

Um lampejo,
Uma certeza,
Um convite.

Do corpo liberto
Da alma liberto
Só não liberto
De palavras
Para te apresentar
Essa beleza impossível
Acontecendo.

Furo

A ante-sala do horizonte
Convida
Roga
Implora
Para você
Se entregar.

A ante-véspera do amanhã
Aguarda
Espera
Descansa
Chama
Pacientemente.

A certeza do gozo
Absoluto
Sujo
Impuro
Nascido no figado
E doce.

O ar tão leve
Interessante
Para se flutuar.
Os olhos tão
Leves
Abertos
Brilhantes
E distantes.

A música
Tão simples
Da voz da alma
Pedindo sentido
Brilhante em sonhos
Vivendo a certeza
Do doceamargo
No fundo
Da língua.

Essa vida sanguínea
Baixa
Pus
Brilha e nasce
A flor azul
No lodo.

Essa flor radioativa
Imortal
Impregnada
Nasce,
Cresce
E se multiplica.

Essa flor subatômica
Esse canto agudo
Gritando
Há vida
Há presença
Há troca
Há certeza
De manhãs infinitas,
De mares sem costa,
De montanhas subindo
Sem fim
Furando
O céu.

Desejo

Queria escrever
Um que fique,
Que seja belo,
Que eterno
Mostre
Sentido,
Um que lembre
Os sons
Harmônicos
Do infinito,
Que te toque,
Que te faça
Certeza,
Que brilhe com o azul do céu,
Que sole
Polifônico
Simultaneamente,
Que cante
A vida
Em sangue e lágrimas
E sorrisos e gozos,
Que te mostre
A luz
Desse horizonte repentino,
Que transforme
O grito em palavra,
A lembrança em sonho
E o amanhã em encontro.

Queria escrever
Certo que verás
Comigo,
Tudo isso,
Toda essa amplitude,
Todo o absoluto
Tão convidativo,
Certo que teus olhos
Percorrerão essas linhas
Sabendo que existe
Um futuro a brilhar.