Navego em oceanos de estrelas
E rios de sonhos.
Singro o vazio risonho.
Nada ocorre: o estio do tempo.
Nado em um lago sem margem,
Flutuo em um chão de flores,
Corro em um céu de aurora.
Sento no ponto imutável
E contemplo a grande vaga
A quebrar
Sonora.
O Eu é então eco de tempos distantes
Calor de mil luas,
Frio de mil sóis,
Sombras de branca luz,
Silêncios da mais pura voz.
Do ar o fluido reflexo.
Lágrimas de nuvens.
Infinita fonte.
O sussurro do universo.
Ressonância.
Paz.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
A Sociedade do Vento
Algum dia, já há muito distante,
Uma criança viu o mundo pela primeira vez
E sorriu.
Naquele instante de gravidez
Ela nasceu.
Seus poetas nunca morrem,
Mas vivem através do canto de suas metáforas.
Seu canto vive
Em infindáveis sussurros.
Mas vivem através do canto de suas metáforas.
Seu canto vive
Em infindáveis sussurros.
Em um constante fluxo
Sem foz nem nascente,
Só há céu,
Só há o infinito de estrelas.
Só há céu,
Só há o infinito de estrelas.
Ao Todo pertencem,
Do Nada nada temem,
Pois são pura parte.
Afastados da sepultura dos costumes,
Olham o mundo com prazer.
Uma pequena verde folha
Contém toda a história do universo.
Do Nada nada temem,
Pois são pura parte.
Afastados da sepultura dos costumes,
Olham o mundo com prazer.
Uma pequena verde folha
Contém toda a história do universo.
Seus iniciados não buscam,
Sentem o belo e o bom
Em suas veias.
(Não pense que a Sociedade
É uma instituição:
Ela é somente
Um estado de espírito.)
(Não pense que a Sociedade
É uma instituição:
Ela é somente
Um estado de espírito.)
Então em sincera entrega,
É tempo da Grande Manhã,
A névoa se dissipa.
Ao ver a moldura do universo
Constroem um castelo de ar
E descansam
Em nuvens de sonhos.
Constroem um castelo de ar
E descansam
Em nuvens de sonhos.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Natureza
"Bom poeta seria aquele que pudesse imprimir
os ventos e os rios em sua obra, para falarem por ele."
Thoreau
"A mim deveis a vida
Fiz todas as florestas
E campos e prados e savanas.
Os pássaros em mim descansam
Sou porto seguro,
Sou morada certa,
E por isso me deveis gratidão",
disse a terra,
"Mas para quê todo esse peso?
Para quê tanta certeza?
Eu que mudo a cada instante,
Traço um caminho e vou,
Fluindo constantemente sou
Morada e lar de vida,
Esperança do ermitão temente,
Frescor de um dia quente,
Então é a mim
Que deveis gratidão",
disse o rio,
mas prontamente se ouviu:
"Sou sem forma
Minha presença informa
O eco de estrelas.
Não me agradecei, de nenhuma maneira,
Estou e não estou
Quando quero,
Distribuo beijos sinceros,
Não nasço, não morro,
Pois brinco de viver,
Tudo o que faço
É correr.
Contra ninguém concorro.
Às vezes descanso,
De um sono gostoso e manso,
Outras vezes salto feroz
Em veloz jogo.
Mas não julgo, sou ar.
Meu sussurro é um grito
Pois ser vento é infinito,
De um infinito de ondas do mar."
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Intertexto
A máxima de Píndaro me leva
Ao grande meio dia:
Olho e vejo
O mundo sem sombras.
A vontade de viver me toma,
Minha alma é uma fonte que jorra.
Estendo-me imóvel como espelho d’água
Para que em mim se espelhe o profundo céu.
Por ser imortal
Paga-se caro:
Morre-se várias vezes em vida.
Uma alegria transborda
O ser que ainda não sou,
O ser que ainda não sou,
O país da loucura e o da normalidade
Não tem fronteiras definidas.
Mergulho no vir a ser,
O mundo se revela
Construção, metáfora.
O devir se desvela,
Só existe o aqui e agora.
Sinto a suprema felicidade por receber.
Tudo é bom e belo
E estou de acordo.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Fome
Física, espiritual? Me perguntais.
De viver? Podeis indagar.
Qual verdade o poeta traz?
Qual garrafa ele lança ao mar?
Respostas simples não podeis obter,
Elas não existem em um mundo infinito,
Elas não existem onde há o grito,
Elas não existem no terreno do ser.
Olho o horizonte e vejo uma odisseia,
Um moinho, um cavaleiro,
Um café, uma madeleine,
Um caminho, uma pedra,
Uma ovelha, um pastor.
Tenho fome de metáforas
E sede de infinito,
Tudo o que não é meu
Me interessa.
De viver? Podeis indagar.
Qual verdade o poeta traz?
Qual garrafa ele lança ao mar?
Respostas simples não podeis obter,
Elas não existem em um mundo infinito,
Elas não existem onde há o grito,
Elas não existem no terreno do ser.
Olho o horizonte e vejo uma odisseia,
Um moinho, um cavaleiro,
Um café, uma madeleine,
Um caminho, uma pedra,
Uma ovelha, um pastor.
Tenho fome de metáforas
E sede de infinito,
Tudo o que não é meu
Me interessa.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Em Chuvosa Noite
Em longos e retilíneos corredores vazios
Busco aquilo há muito perdido,
Busco fugir do profundo olvido,
Sinto de ecos e sombras arrepios.
E então questiono:
Existo, por questionar?
E então afirmo:
Talvez, por afirmar?
O eu é simples metáfora,
Catacrese.
O devir grande catáfora,
Severa tese.
E então?
O não.
O nada.
Argênteo.
Assinar:
Postagens (Atom)