quinta-feira, 29 de agosto de 2019

sobre saber ser perdoado

há um carinho nos corpos que se conhecem

a revolução virá dos jovens
e de ninguém mais
o gozo sempre será ilegal

há uma luz nos olhos que se revêem
e um sorriso na antesala do novo

o amanhã virá dos jovens
e de ninguém mais
o sonho será sempre improvável

há uma alegria paciente
germinal

o acorde ressonante virá dos jovens
e de ninguém mais
o vento traz azul ao horizonte

há uma esperança ativa
irrequieta e incômoda
o sangue lágrima

a tua hora virá dos jovens
e de ninguém mais
deixa passar

sábado, 17 de agosto de 2019

construção

era uma sexta-feira à noite
já sábado
uma borboleta branca pousa
em um casaco preto
há um vento frio no rio
de janeiro

o dia passou mas ainda procuramos
algum brilho em tempos foscos
cuja foto já é memória
de uma época tão antiga

os amores passaram mas na esquina
sem inesperar quase nada
talvez ainda alguma alegria
à espreita

os sonhos mordidas com força
para não esquecer
nem sufocar
ou desistir

a lua ainda está lá, nova
persistindo
buscando sempre lembrar
que apesar do sol deserto
ainda há um oásis
a ser construído

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

o subsolo de Júpiter

o subsolo de Júpiter
subsolo de mancha

negra em meio ao vermelho
em plena tempestade infinita
de espirais de vento trovões
intermináveis
nascidos há um porralhão de tempo
e permanentes tanto após
qualquer sopro
de lutas dúvidas perguntas inglórias

e lágrimas e dores e vazios

impermanentes

contra moinhos de vento
que poderiam girar
sozinhos