domingo, 23 de novembro de 2014

Óculos

O homem atrás dos óculos
É sério
Sorridente
E sisudo
Seus olhos veem o mistério
Presente
Em tudo.

Mas seu coração nublado
Duvida
E pergunta.
O seu falar calado
Com a vida
Assunta.

O mundo é uma pintura a óleo
A se mover
Em espirais.
Da morte o grande espólio
Será um ser
Em fractais.

E ele, viva interrogação,
Caminha
E caminha.
O grande apelo do não
Se avizinha,
Se avizinha.

sábado, 22 de novembro de 2014

Noite

Mergulho na noite,
Nado entre estrelas.
Testemunho o mundo
Vejo raios e trovões
E sopros e vidas.
O vento me leva
Rumo ao infinito
De mim.
Em profunda entrega
Contemplo
Um pequeno gesto,
Um vestido a farfalhar,
O som de passos,
E aceito a beleza
A sorrir.

domingo, 16 de novembro de 2014

Parte

Em uma amena tarde
Você sente que cada parte
Faz sentido

Tantos sonhos
Em uma praça reunidos,
O sol que ilumina os malabares
A voar,
O vento que distribui beijos,
Os sorrisos que distribuem olhares
Contentes.

Uma música ao fundo
Pessoas a dançar.
O resto cai no olvido
O resto é resto.
Na alma o simples desejo,
De poder continuar contemplando
O mundo que existe
E é bom.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Soneto da Segunda-feira

Passantes caminham resolutos
Apressados rumo às nove horas
Escondem os medos e guardam o luto
De ver de uma janela tantas auroras.

A cidade é um corpo que pulsa.
Suas ruas repletas de sentimentos
A alguns causa amarela repulsa
E a outros azul pertencimento.

Eu testemunho o urbano horizonte
Um apressado e constante rumo a
O gosto do mais doce fruto que há.

Ela é minha, a impossível e eterna fonte.
Ao meu chamado ela escuta atenta
E nua e terna se entrega em suave tormenta.

domingo, 2 de novembro de 2014

Sim

A noite se permite
Para quem se permite
E ela insiste
Em estar junto à mim.
Nao posso,
Enfim,
Não posso dizer não.
Eu mergulho
E me orgulho
De poder ser assim.
O tempo existe
E eu digo sim.

sábado, 1 de novembro de 2014

Sentir

Ela perspectiviza o mundo
Um homem brilhante, um grande escritor?
Não. O corpo grita iracundo
Pedindo apenas instantes sem dor.

Meu reino por esse almejado dia!
É fácil não perceber a leveza
Quando o peso há muito não se via.
Ela, inclemente, mostra pétrea certeza.

Abraçando-a, entretanto, o gosto é mais gosto,
A noite mais noite, a vida mais viva.
Apenas por existir se crispa seu rosto
Quando ela ataca lasciva.

A finitude como possibilidade sempre minha,
O sentido do todo como eterno devir,
O resto é mero resto, e assim se avizinha
A grande possibilidade do profundo sentir.

Doce (2)

Olho para o mundo
E vejo-as belas
Mas penso em você
Mais que bela
Sendo você.

Olho-a nua
E vejo a lua
Que me está a sorrir.

Olho-a perto
O desenlace incerto
Do eterno devir.

Nesta grande noite
O suave açoite
Me atinge.

Nestes pequenos versos
Canto a fome insaciável
Da sentinela esfinge.

Meus olhos pintam paisagens
Suavemente impossíveis.
Doce dança de imagens.

Rubras lembranças
Que a alma alcança:
Um passado de cal
E futuro.

Assim penso em você
Para ser
Enfim
Feliz.

Doce (1)

Olho para o mundo
E vejo-as belas
Mas penso em você
Mais que bela sendo você.

É de noite
O suave açoite
Existe,
E ele insiste
Na sua lembrança.

Doce dança
De imagens,
Doces memórias,
Vermelhas histórias.

E penso em você
Para ser
Enfim
Feliz.