domingo, 26 de outubro de 2014

Escolhas

Vejo que te inquietas,
Cara amiga,
Pela escolha tomada
Em uma encruzilhada.

Não viste as setas,
Cantando doce cantiga,
Olhaste apenas as estrelas
E não o chão.
O vento soprava suave,
Mas agora forte
Te fazes recuar.

Não culpe a sorte,
Altiva dama dos olhos vendados,
Não culpe o destino,
Ancião de alfarrábios empoeirados,
Tampouco culpe a ti,
Que buscava apenas encontrar
A tua nesga de céu.

Se tua escolha te aproxima de ti,
Ela é boa.
Se ao contrário, te sentes mais longe,
E tua vida se cobriu com um azulado véu,
Sorria:
Os deuses te deram um presente.
Lembre-se que os grifos e as sereias
Há muito
Nos deixaram
(ou deixamos-los nós).
Não há perigo.
Aceite
A beleza
Da vida
Que é
Aprender.

Mudança

Contratos e caixas decerto
Um caminhão de mudança
O perto futuro incerto
A dúvida que a alma alcança.

Embalo sonhos,
Empacoto frustrações,
Guardo ilusões,
Encaixoto momentos risonhos
E tristes.
O olhar em riste
Vê um horizonte
De possibilidades.
Controlo o medo
E sigo cedo
Rumo ao atraente
Desconhecido.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

À Noite

Noite.
Longa.
Distante.
Venta.

O teu negrume
Impessoal.
O cheiro de estrume
Das vidas insípidas.
Chove.
E venta.

O teu infinito
Canto
Encanta
E inebria.
O pesado manto
Do pedido dito
Mas perdido no ar.
Troveja.
Chove.
E venta.

Me pedes muito
Te posso pouco:
Os ouvidos moucos
Me dão razão.
Me queres junto
Mas teu toque áspero
É o ponto final.
Eu sei, espero
O óleo abismal,
Quente,
Para lavar-me do frio
De estar junto a ti.
A alma escura
Pergunta,
Mas em um relampejo
A fina tessitura
Se esvai.
Eu sinto,
Eu sou.
No horizonte
Nasce o sol.
Trovejo.
Chovo.
E vento.

sábado, 18 de outubro de 2014

Ser Poesia

Ser poesia
É existir
E sentir
Que o Todo
Se afirma
E confirma
O grande rogo
Da alma
Que diz:
Sim,
Simplesmente sim.

O mundo se basta
Mas você não basta
Para a beleza que há.
O sonhado dia
Se aproxima.
Você desconfia
Mas enfim se entrega.
Então tão em cima
O pulo.

O vôo.

Liberdade.