sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Beleza

A beleza não se compra, não se troca,
A beleza não se busca, não se encontra,
A beleza se mostra
A quem tem olhos abertos.

Em beleza não há respostas:
Cessa o próprio ato de perguntar.
Não traz soluções nem caminhos,
Apenas a profunda certeza,
Inexprimível.

A beleza se experimenta sozinho,
Ao lado de alguém ou não.
Ofusca os olhos não acostumados
Com sua luz contumaz.

Em beleza não há o tempo,
Não há espaço só há o momento,
Qualquer intento em qualquer direção
Morre em face da sua Verdade.

Em beleza há uma pura saciedade,
Há a plenitude do transbordamento,
Que se afirma
E que confirma
O existir.

Mas como em um mergulho
Da beleza se volta,
Respiramos o comum ar,
Olhamos em nossa volta,
E nada mais nos resta
Além de agradecer.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A infância da inteligência

Na infância da inteligência
A ironia desponta,
Nasce a dúvida,
Assim como a dúvida do duvidar.

A alma abre os olhos a contemplar
A vida em toda sua veemência,
E também o horizonte que aponta
O eterno caminhar.

A alegria por ser produto de muitas eras
De pensamentos e ideias,
A humildade de saber-se
Ignorante
E a certeza de que a verdade
Não se encontra, mas se busca.

Nesse despertar
As noites se mostram insones
Em todo seu vazio abissal.

O homem que outrora se era
Desmanchou-se em conceber
O projeto que se é
Nesse instante.

O paradoxo de existir
Se afirma.
O momento presente
Como a grande possibilidade,
O movediço solo da pergunta
Em sua emoção virginal.