Na infância da inteligência
A ironia desponta,
Nasce a dúvida,
Assim como a dúvida do duvidar.
A alma abre os olhos a contemplar
A vida em toda sua veemência,
E também o horizonte que aponta
O eterno caminhar.
A alegria por ser produto de muitas eras
De pensamentos e ideias,
A humildade de saber-se
Ignorante
E a certeza de que a verdade
Não se encontra, mas se busca.
Nesse despertar
As noites se mostram insones
Em todo seu vazio abissal.
O homem que outrora se era
Desmanchou-se em conceber
O projeto que se é
Nesse instante.
O paradoxo de existir
Se afirma.
O momento presente
Como a grande possibilidade,
O movediço solo da pergunta
Em sua emoção virginal.