Por que o agora
Em tão bela hora?
Por que então,
Por que o se não?
Dourado sol
De noite brilhante,
Dê-me
Enfim
Sentido.
O beijo do sim
E o afago do talvez.
Não há mais nada
Só horizonte.
Enfim a fonte,
Enfim a origem.
Por que o agora
Em tão bela hora?
Por que então,
Por que o se não?
Dourado sol
De noite brilhante,
Dê-me
Enfim
Sentido.
O beijo do sim
E o afago do talvez.
Não há mais nada
Só horizonte.
Enfim a fonte,
Enfim a origem.
Em uma praça qualquer
Se reúnem sorrisos,
Amigos e caminhos
Novos e antigos.
Luzes e lembranças
Embaladas por uma música
De fundo: o talvez
E o amanhã.
A paisagem abraça,
A fonte convida,
A árvore acolhe
E a noite
Se entrega.
Passantes
Chegam, mais e mais.
Vão-se, mais e mais.
Fluxo,
Passagem
E impermanência.
Em agudo sussurro,
Em doce melodia,
O grave grito,
O definitivo sim.
Sinestésica contemplação,
Sintético senão,
E a presença,
E a sentença
De ser-mais.
Ou ser-todo?
Pois sim:
Entrega
E transbordamento.
Quando surge o som,
Quando surge o tom,
Não há mais nada,
Não há mais.
Cada intervalo é espera,
Cada refrão é eco,
Então há só entrega,
Então só há o momento.
O ego há muito esquecido,
O futuro há muito esquecido,
O tempo que se dilui.
Está tudo agora,
Está tudo afora,
E o sorriso final.
O corpo que sente
O sincero pulsar.
Sempre presente
A verdade a amar.
És bela coisa
E o eterno futuro.
És a espera contente
E o alegre chegar.
Venha.
Te espero.
Uma doce música ao fundo
Confirma o profundo existir.
O doce sentir
Do eterno horizonte,
O sincero devir
Da mais bela fonte.
Sou mar,
Sou ar,
Sou vento,
O sincero intento
Do sincero viver.
(em homenagem ao aniversário de Pedro Vaz)
Pedro pai
Fez o pedido,
Fugiu do perigo
E encontrou o perdão.
Começou a partida
Pedro pai.
Proferiste a palavra
Pedro pai.
Tenhas paciência,
Ganhaste o privilégio.
Tenhas paixão,
Ganhaste a paz.
Pedro pai:
Ganhaste o presente.
O futuro
Te pertence.
Na busca a busca
É o encontro.
Na sede a sede
É de vida
Na fome a fome
É sentido.
Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De ser
Humano.
No horizonte o horizonte
De mim.
No céu o céu
Tão perto.
No mar o mar
Tão meu.
Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De estar
Humano.
Rumo ao rumo
De mim.
Rumo ao rumo
Sem fim.
Rumo ao rumo
Do pó.
Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De viver
Sem plano.
Uma ostra apressada só produz areia,
Uma satisfeita não produz nada.
Sinto as dores do parto
E o vazio da perda.
Transformo olhares em verso,
Exponho o anverso de mim.
Nino metáforas
E em doce metamorfose
Surgem aliterações sinestésicas.
Vulgo vazio vão vem vindo veloz,
Com cheiro de brisa
E gosto de beijo.
E então
De repente a Verdade,
Um oxímoro possível,
Se transforma em palavras.
Forma perfeita,
Equidistante.
Por inspiração feita,
Neste exato instante.
Infinito de mim,
Enquanto existência,
Enquanto ciência,
Sinceramente sim.
Em sua presença existo,
Em sua presença insisto
Em ver
E viver.
O agora imortal,
O derradeiro sinal
Da consciência
De si.
A fome de beleza,
A infinita natureza
E a esperança que seja
Presente.
As perguntas que molham a terra
E o sol se abre:
Não há entrave
Para o florescer.
Trovões de lua
Que se mostra nua
Para a gente amar.
(com Pedro Vaz)
O cosmos é o antônimo de caos,
Sinônimo de tudo.
O tempo é relógio e algoz,
O tempo é presente
A vida é a voz.
O compasso, sim e não,
A tempo do último perdão.
O definitivo sim
E a beleza
Em estado
Puro.
A música que emerge
O viver subverte
E então converte
Em doce o ruído.
Escute o som
Que vem em ondas
Do mar.
Ele traz
Sentido
E perdão.
Doce canção,
Suave
Dor
De prazer.
O fim do olvido
O fim
E o começo.
A luz que vibra ao som dessa
Possibilidade, Resiste em ser apenas
E passa então a ser grande fresta
Por onde encontra-se o todo.
A existência que se materializa,
A consistência de viver,
A consciência do olhar,
Final falência do ser.
Por que mais?
Por que o porquê?
Tudo é sim,
Tudo é tanto,
Tudo é tão
Belo.
Então nada mais,
Então nada se faz,
Então
Entrega.
Cante para nós!
Pule, salte, grite!
Não faça da arte um convite,
Mas uma necessidade.
Componha, pinte, escreva!
Que a tua doce voz esteja
Em cada alma sedenta
E em cada olhar de busca.
A tua obra representa
O ouro que o sol ofusca,
A imagem que o cego almeja
E o rouxinol a cantar em rubra manhã.
Mas lembre-se:
Serás como a esponja do mar
Filtrando a nossa loucura,
Serás como o bobo de Lear
Dizendo-nos verdades veladas.
E nenhuma glória
Te será devida,
Pois a tua miséria
É a definitiva vitória
Da nossa mediocridade.
Sento no ponto imutável,
Sinto um mundo tão lindo,
Sinto um mundo sorrindo,
Sendo o toque afável,
A carícia que acolhe
E o beijo recente.
Seu gosto me gosta,
Fímbria de prazer
Que o destino escolhe.
Seu calor me acalenta,
Singelo viver
Em gratuito presente.
A beleza que dói,
A cidade que flui
Com carros, pessoas e gestos,
Olhares, adeuses e caminhos.
Em pura contemplação
A ausência de fronteiras,
A ausência de ausências,
E as palavras que faltam
Pois só há a entrega.