domingo, 29 de novembro de 2015

Tempo

Busco teus olhos neste horizonte quente,
Neste céu azul duas luas castanhas,
Neste mar de correntezas e espumas
Teu toque de certezas presente.

Busco a mim nestes suspiros de vento,
Neste abraço infinito a calma,
Neste verde sem fim e sem falta
A alma do mundo e do momento.

A busca não se encerra,
Não cessa e não encontra,
Não se luta a favor ou contra.

De repente a longa espera
Se converte em encontro súbito 
Com a solidez do fluxo do tempo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Centro

No âmago do tempo,
No âmago movimento
Perpétuo.

As luzes rimadas
E os toques de música.
Vibração.

O apenas agora,
O apenas lá fora
Pois há conexão.

Acontecer

A alegria
Do acontecer
Da vida.

A doçura
De poder
Existir.

O amargor
Se dissolve
No abrir.

Ser mais,
Ser além,
Ser todo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Olhar

Os momentos de infinito,
Os voos tão longe,
Os beijos do mar,
As montanhas e horizontes,
Os mergulhos no absoluto,
As melodias de sentido,
O canto das ninfas,
As luzes multicoloridas,
As expressões corretas
E as metáforas perfeitas
Não valem
Um segundo
Do seu olhar
De mel
Em meus braços.

Corpo (VII)

Venha ser
Meu dicionário de cama,
Meu corpo suporte
De horizontes infinitos.

Venha viver
Um calendário de cores,
Um sopro bem forte
De incomparável sentido.

A língua
Fluidadamente
Escreverá palavras
Em teu ventre.

A rima
Alternadamente
Tecerá curvas
Em tua frente.

E será o azul profundo
Pintado de estrelas
Criado a quatro mãos
A nos esperar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ar

Em meu quarto
Viajo tão longe
Que o vôo mais rápido
Não consegue alcançar

Em minhas pálpebras
Cores tão vivas,
Ecos de memórias
E do que virá.

Em meu corpo o sorriso,
Em meu rosto o sim
De o compasso fundamental
Poder escutar.

O agora se afirma,
O instante perfeito
E o beijo suave
Na leveza do ar.

sábado, 14 de novembro de 2015

Como

Como vou longe,
O doce vôo
Em direção
Ao sentido
Do todo.

Como são plenas,
Como são cenas
Infinitas
De cores.

Como o doce,
Como o simples
Suave
Sentir.

Cores

A psicodelia de cores
E sons
Em uma onda
Do mar.

Flutuar
Além
Do todo
No instante
Perfeito.

A
Vibração
Alternada
Do ser
E sentir.

Um rio
De loucura
Com força
E sem direção.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

À noite

Opiniões à meia luz,
Ritmos à meia luz,
Copos e fumaça
À meia luz.

São sorrisos sinuosos,
São risos redondos,
São vozes vociferando
Sussurros.

Olhares curiosos,
Lábios caridosos,
Abraços caluniosos
De verdades passageiras.

Eis mais um gole,
Eis mais um toque,
Eis outro luar
Na noite escura.

sábado, 7 de novembro de 2015

Corre, Corre

Corre o rio do destino,
Corre tão rápido,
Corre tão rente
E para.

De repente
Abrem-se os olhos,
Abrem-se os gostos,
Abrem-se os rostos
E o instante
É infinito.

A música do todo
Toca na alma
E a tão bela calma
Da contemplação.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Brasília

Cidade de curvas,
De carros e rotatórias,
Teus cruzamentos inexistentes,
Tuas verticalidades surpreendentes.

Cidade de tempo seco e concreto,
Cimento de movimentos impensáveis,
De reuniões congressos seminários paletós,
Em tuas salas
Se constrói o futuro
De uma nação.

Cidade-umbigo,
És filha de um gênio e mãe de nós,
A tua terra é vermelha
Do sangue de tantos brasileiros
Que se deram um pouco
Para realizar
Esse sonho irreal
De existires.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Venha Tom

Venha para o mundo Tom,
Olha como o verde é tão verde
E o céu infinito
A te esperar.

Abra os olhos
E o coração
Estamos aqui
Com você.

Chegue
A nós
E nos continue
Para sempre.

domingo, 1 de novembro de 2015

Encontro

Levanto os meus olhos e te vejo,
Saio destes poemas em minhas mãos e encaro teus olhos
Tristes, cabisbaixos, um pouco perdidos,
Em teu rosto ainda há inocência,
Em teu ventre um futuro
(mas tua carteira de motorista foi ontem)
Em teus pensamentos a última ultra,
O aluguel, as contas, o teu futuro,
O marido noivo namorado caso ou qualquer outro que te ajudou a criar este milagre
E eu quero te abraçar,
Tudo vai ficar bem, descansa.
Mas como reagirias?
E eu quero dançar contigo os cânticos de Gaia,
Te mostrar que tu és o que nos faz permanecer,
Continuamos pois tu cozes o pão
Que alimentará o amanhã,
Mas chega a tua estação
E te vejo partir.
Então escrevo estes versos
Para que um dia os tenha contigo
E saibas que naquele dia em que estavas triste
Naquele metrô para a Zona Sul
Um estranho dançou contigo os cânticos de Gaia,
Um estranho te mostrou como és parte,
Ele te abraçou
E te quis bem.