Levanto os meus olhos e te vejo,
Saio destes poemas em minhas mãos e encaro teus olhos
Tristes, cabisbaixos, um pouco perdidos,
Em teu rosto ainda há inocência,
Em teu ventre um futuro
(mas tua carteira de motorista foi ontem)
Em teus pensamentos a última ultra,
O aluguel, as contas, o teu futuro,
O marido noivo namorado caso ou qualquer outro que te ajudou a criar este milagre
E eu quero te abraçar,
Tudo vai ficar bem, descansa.
Mas como reagirias?
E eu quero dançar contigo os cânticos de Gaia,
Te mostrar que tu és o que nos faz permanecer,
Continuamos pois tu cozes o pão
Que alimentará o amanhã,
Mas chega a tua estação
E te vejo partir.
Então escrevo estes versos
Para que um dia os tenha contigo
E saibas que naquele dia em que estavas triste
Naquele metrô para a Zona Sul
Um estranho dançou contigo os cânticos de Gaia,
Um estranho te mostrou como és parte,
Ele te abraçou
E te quis bem.