quinta-feira, 30 de junho de 2016

Encontro

Deito na chuva
E durmo no ar,
Sinto meu corpo
Escorrendo,
Úmido.

Deito na chuva
E durmo no ar,
O frio na espinha
Me traz a certeza fria
De estar vivo.

Deito na chuva
E durmo no ar,
Deixo a luz do horizonte
Aquecer meu corpo
E alma.

Deito na chuva
E durmo no ar,
Chego à fronteira de mim,
E percebo que não há fronteira,
Não há lá fora.

Deito na chuva
E durmo no ar,
O instante agora,
O espaço agora,
Me encontro na perda de mim
E então
Somente
O infinito.

domingo, 26 de junho de 2016

Em

Ter amigos
E o mundo se enche de cores
Simples
Curvas
Sórdidas
E belas.

O singelo instante
Em brilho se torna,
Em música se torna,
Em horizontes se torna.

O singelo estar
Bem,
Leve,
Impuro
Em puro.

sábado, 25 de junho de 2016

São

São sombras que dançam,
São sombras que cantam,
São sombras de corpos
E luzes
E sons.

São impressões fugidias,
São impressões imprecisas,
São impressões coloridas
De curvas
E tons.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Mar

É chegada a hora
Do espaço infinito,
É chegada a hora
Do tempo infinito.
Um sax tão alto,
Uma batida quebrada
À meia luz,
A dúvida se apaga,
O talvez se apaga,
O incerto se apaga,
E então só resta
O mergulho
Neste mar de gente,
Neste mar de cores,
Neste mar.

domingo, 19 de junho de 2016

Final

O brilho final
Da luz tão forte
Do momento presente
Em estrela convertido.

O canto final
Do som tão simples
Da infinita comunhão
Do todo no agora.

O sorriso final
Da certeza tão certa
De que a vida
Vale a pena.

O sétimo dia

No sétimo dia
A paz,
O descanso,
A suspensão da contradição
Acalma,
O céu estrelado
Depois de rubro poente,
A vida,
As calmas luzes
Do horizonte.

Em busca do sétimo dia
Vamos sorrindo,
Vamos a caminho,
Vamos cantando,
E de repente
Ele se realiza
No agora.

O

O brilho da noite,
O brilho do tom sobre tom,
O brilho infante,
O brilho do som sobre som.

O toque da noite,
O toque do mar sobre mar,
O toque tão doce,
O toque do ar sobre ar.

O beijo da noite,
O beijo do sentido,
O beijo do tempo
O beijo cantar.

Curvo

As tardes amenas
Com música de fundo
Convidam apenas
Ao horizonte assistir.

A brisa tão leve
O corpo alegre
A alma tão pluma
Em poesia.

A vida tão clara
O sorriso tão simples
O infinito tão dentro
De nós.

Tão simplesmente
Tão curvilíneo
Destina-se
O agora.

sábado, 18 de junho de 2016

Certeza

O momento poético
É instante verdade,
É segura certeza,
É presente certo,
Sem amanhã.

Eis a eternidade
Em um intervalo de tempo,
Eis a felicidade
Em um intervalo do todo.

Sentindo apenas o refrão
Da música do infinito,
Sentindo apenas a dança
Da certeza do hoje.

sábado, 11 de junho de 2016

Fluxo

Fluir
No rio do som,
Sentir
Sem senão
O abraço
Do tempo.

Uma estrada
Em círculo,
Bela,
Sem fim
Nem começo.

Apenas a certeza
Do caminhar,
Lento,
Contemplativo,
A observar.

As águas do rio do tempo
Aquecem a alma,
Sinuosamente acalmam,
Trazendo caminhos
Em vales de silêncio.

Desconstrução

De um
Partes,
De partes
Pedaços,
De pedaços
Partículas,
De partículas
Pó,
De pó
O nada,
Do nada
O todo.

E só

A solidez
Que desmancha no ar
Cores
Sintéticas.

O horizonte
Rubro
Azul
Do poente.

O espaço
Compartilhado
Do presente.

E só,
E só
E só.

Agora

O rio mar
Do eco do instante
Convite
Sorriso
Vento
Contente
Do destino
A gargalhar.

Peripécias
Mil
Ele te prega:
Caminhos,
Descaminhos,
Recaminhos.

Mas quando percebes
Não há caminho
No agora.
Ele existe
Sólido
Pulsando.

Solução

Desta vida nada
Se leva,
Desta vida tudo
Releva,
Nesta vida apenas
Entrega
Em um rio
Sem fim.

Os compassos alternados,
Alternadamente belos,
Ecoam o começo do tempo,
Ecoam o começo do mundo,
E mostram
Algo mais.

Esse algo
Que vai tão à frente
Descortina a História
E chega além.

Então o mergulho no instante,
Então o eterno presente,
Então o ultrapassar
E dissolver-se.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mãe

Todo gesto ético
Deve ser Político,
Todo gesto estético
Intrinsecamente estético.

Todo gesto deve ser gesto,
Todo passo passo,
Todo caminhar erguido
Todo horizonte infinito.

Todo amanhã existe
Aguardando o convite
Da semente do hoje
Ser mãe de filhos.

O meu sorriso ocorre no outro

O meu sorriso ocorre no outro,
A minha alegria
Na vossa,
O meu sentido
No todo.

O meu cantar ocorre no teu
E não há quem possa
Sair dessa bossa
Cantada por Orfeu
Em presente que deu,

Camafeu. E não se socorre
Do rio que brota
E cantiga e brilha
O destino mãe forte
Em abraço que acode.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Que

Que eu morra
De pé
Orgulhoso
Do meu destino.

Que deitado
Me lembre
Que um dia
Se segue ao outro.

Que em dúvida
Pense
Sobre o talvez
E o impossível.

Que triste
Saiba
Que o amanhã
É possibilidade.

E que junto
Tenha certeza
Que o amanhã
É sorriso.

Hoje

Há de ter a terra úmida,
Há de ter o mar infinito,
Em curvas e sonhos,
Em lutas e cafés.

Há de ter o movimento,
Há de ter memória,
Em ideias-horizonte,
Em favelas-canção.

Há de cessar
A morte anônima,
A dor anônima,
A mulher anônima,
O negro anônimo.

Há de ter o diálogo,
Há de ter o amanhã,
E assim viveremos o hoje
Unidos e fortes.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Amigo

Em teus olhos
As minhas dúvidas,
Em teus sorrisos
As minhas alegrias,
Em minhas lágrimas
As tuas tristezas,
Em minhas perguntas
As tuas respostas.

Em meu suspiro
A tua saudade,
Em meu sentido
O teu horizonte,
Em tua busca
A minha ânsia,
Em teu caminho
O meu caminho.