sábado, 31 de dezembro de 2016

Musa

Venha musa,
Venha,
Por ti
Me derreto,
Me desfaço.

Venha,
Me imante,
Me ultrapasse,
Me trespasse,
Me desfaça.

Venha,
Me mate,
Assassine,
Em busca
Da tua palavra

Certa, precisa,
Que transforme
A coisa
Em verso.

Venha,
Sonho por ti,
Vivo por ti,
E quando te encontro
Sou todo.

Leitor

O meu verso
O teu eco,
A minha vida
À tua convida,
Estas palavras
Que brilham
E voltam.

Quero
Que o teu
Sonho
Aqui
Apareça.

Que o teu horizonte
Seja o meu horizonte,
Que nesse barco
Poético
Tu sejas eu
E eu seja nós.

Fogo

Eu olho
O fogo
Ele olha
Para mim.

Sanguíneo

A fímbria da vida,
O convite
De ir
Além do hoje.

A possibilidade
Nova
Que se desdobra
No ar.

Um novo novo
Começa
Quando se abre
O olhar.

O deslizar
Suave
Da pele
Saindo
De si
Rumo
Ao todo
Enfim.

A inteireza
Da vida
Sólida
A brilhar.

O gosto
Espesso
Do sangue
Na boca
A borbulhar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Mundo

O mundo
Um grande brilho
Um grande encontro
Uma grande música
Silenciosa.

Este mundo
Uma grande possibilidade
Uma grande verdade
Um pequeno vento
Delicioso.

Ah, o mundo
Uma grande contradição
Uma grande conquista
Da grande entrega
Rumo
Ao talvez.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fracta

Uma parte de mim
Saudades
Uma parte de mim
Futuro,
Uma parte de mim
Duvida
Outra parte
Exclama,
Uma parte de mim
Chora,
Outra parte
Canta.

Uma parte de mim
Dorme
Uma parte de mim
Corre,
Uma parte de mm
Enfim
Outra parte
Ainda,
Uma parte de mim
Belo
Outra parte
Ética.

Uma parte de mim
Brasil
Uma parte de mim
Mundo,
Uma parte de mim
Senil
Outra parte
Escritório,
Uma parte de mim
Febril
Outra parte
Mar.

Uma parte de mim
Baia
Uma parte de mim
Além,
Uma parte de mim
Lesma
Outra parte
Voa,
Uma parte de mim
Suja
Outra parte
Apresentável.

Uma parte de mim
Rima
Uma parte de mim
Prosa,
Uma parte de mim
Verso
Outra parte
Margem,
Uma parte de mim
Escreve
Outra parte
Se perde.

Uma parte de mim
Amor
Uma parte de mim
Dor,
Uma parte de mim
Sonha
Outra parte
Corpo,
Uma parte de mim
Sexo
Outra parte
Horizonte.

Uma parte de mim
Lambe
Uma parte de mim
Sangue,
Uma parte de mim
Range
Outra parte
Liso,
Uma parte de mim
Siso
Outra parte
Livre.

Uma parte de mim
Baixo
Uma parte de mim
Mesa posta,
Uma parte de mim
Gosta
Outra parte
Vômito,
Uma parte de mim
Lodo
Outra parte
Todo.

Uma parte de mim
Grita
Uma parte de mim
Forte,
Uma parte de mim
Arte
Uma parte de mim
Morte,
Uma parte de mim
Fica
Uma parte de mim
Parte.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Volta

Brilham
De volta
As cores
Suaves
Do infinito.

O mundo
A dor
A guerra
Intervalam.

Mas o belo
O sublime
O ritmo
E a rima
Voltam.

A miséria
A injustiça
O poder
Desmesurado
Intervalam.

Mas o infinito
Aguarda.
Não tem pressa :
Estará
Lá
Para sempre.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Eco

Um barco feito de sonhos
Uma nave lua de nuvens
Um convite pedra lisa
Um pedido voz brilhante.

Por que acontece
Por que existe
Por que insiste
Em admirar.

Pois acontece
Pois tão onda
Pois tão areia
Pois tão mar.

São

A poesia homenagem
Ao momento disperso
Ao momento tão certo
Da sincera homenagem.

A possibilidade tão certa,
A pergunta tão perto,
A luz tão sincera
De um retrato tão belo.

A música tão simples
De uma conversa transversa
Em acordes suaves

A rima singela
De uma conversa doce
Da vida contínua.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Que mundo

Que mundo é esse
Em que hoje vivemos?
Que mundo é esse
Em que os senhores da guerra
Novamente
Saem
De suas casernas
Com botas lustrosas,
Sorrisos lustrosos
E ternos engomados?

Que mundo é esse
Em que os senhores do poder
Novamente
Saem
De seus covis
Defendendo
O interesse
Do povo
Quando esse povo
Há muito
Não é ouvido,
Há muito
Pede
E há muito
É silenciado?

Que mundo é esse
Em que lá de Brasília
Surgem novos projetos
Novas emendas
Novas ideias
Requentadas
Adormecidas
Há décadas
Buscando
Um novo amanhã
Que nos levará
Ao ontem?

Que mundo é esse
Em que cada dia
Mais e mais
Somos bombardeados
Com a novidade do dia
O corrupto do dia
O desvio da merenda
O desvio da saúde
O desvio da previdência
O desvio da construtora
O desvio da empreiteira
O desvio do metrô
O desvio das joias
O desvio do Estado
Que se torna
Um governo
Após o outro
Após o outro
Após o outro?

Que mundo é esse
Em que cada governo
Novo
Surge
E mais outro
E mais outro
E nos perguntamos
Como chegamos
Até aqui?

Que mundo é esse
De jantares
Festas
Comemorações
Por um ano
Que
(Glória a deus
Nosso senhor
Há de abençoar
Essa terra
Prometida)
Acabou
Mas temos 
Mais um ano
Pela frente
E mais um ano
E mais um ano?

Que mundo é esse
Cuja única esperança
É podermos retornar
Ao sonho
Do amanhã
Que tínhamos ontem
E não
Trinta anos atrás?

Que mundo é esse?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Vozes

Ouço
Vozes.
De um lado
Fico,
De um lado
Parto,
De um lado
Sigo em frente.

Vozes,
Ouço
Vozes.
De um lado
Nado,
De um lado
Voo,
De um lado
Caminho.

Vozes
Vozes
Vozes
Ouço vozes,
De um lado
Pedra,
De um lado
Água,
De um lado
Carbono.

Vozes! Vozes!
De um lado
O nada,
De um lado
O todo,
De um lado
O agora.

Duplo

O gosto
Sincrético
Da vida,
As ondas
De luz,
As ondas
De tons.

O gosto
Agridoce,
Os acordes
Alegres,
Os acordes
Doces
Da vida.

domingo, 27 de novembro de 2016

Pois

A vertigem
Do absoluto,
O vento
Nas asas,
O sol
Na retina,
O eco
Sem fim.

Experiência
Sintética
Sincrética
Sinestésica
E simples.

Pois então
Por que
Não?

Rumo

A extremidade
Do destino,
O horizonte aberto,
O mundo tão certo,
O sentido tão perto
Do olhar.

O corpo
Tão dentro,
Tão simples,
Tão sempre
Parte.

Tanto aguardei,
Para esse momento
Que de repente
Atravessa.

A beleza
Em um fractal de cores,
Em uma multidão de sorrisos,
Em um convite
Rumo
Ao impossível.

Ápice

E neste momento
Singelo
Apenas
O absulto.

Absurdamente
Belo,
Sincero,
Singelo,
Unicamente
Único.

Neste
Ápice
Da possibilidade
Impensável
Da vida.

Acontece
O absoluto.
Ah, a beleza
Entrega,
As cores,
A música.

Nesta extrema
Impossibilidade,
O sentir-se bem,
A certeza
E alma.

Sol

O sol que não brilha,
Mas aquece,
A dança na sombra,
A noite fria
De repente quente,
Os óculos para ver
O mundo,
Os sorrisos para sorrir
A vida,
E o sentido
Beijando
A alma.

Olhos

Quando abrires os olhos
Após tanto tê-los
Fechados,
Estarei aí.

Quando abrires os olhos
Buscando finalmente
Ver,
Estarei aí.

Quando abrires os olhos
De tão abertos
Neles me verei
E estarei aí.

sábado, 26 de novembro de 2016

Neste solo de blues

Neste solo de blues
Encontro o sentido
Há tanto buscado.

Neste solo de blues
Me perco,
Quem sou?

Neste solo de blues
Tantos corpos
De repente um.

Neste solo de blues
Um calor azul
Atravessa.

Neste solo
De blues
Uma luz
Perpassa.

Neste
Solo de blues
À noite
De repente dia.

Neste solo de blues
A paz, o sorriso,
A alma despida
E a eternidade.

Com este Poema

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O indizível,
Mostrar apenas
O infinito,
Lembrar apenas
Que a vida
Vale a pena.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O interdito,
Mostrar apenas
Um grão de beleza,
Lembrar apenas
Que viver
É uma aventura.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O não dito,
Mostrar apenas
O horizonte,
Lembrar apenas
Que a vida
É rio
Sem margem.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O convite,
Mostrar apenas
Sentido,
Lembrar apenas
Que viver,
Ah, viver,
Viver
É verdadeiramente
Belo.

Flow

A experiência de fluxo,
A experiência de rio,
A experiência
Onde tudo
Faz sentido.

A experiência do todo,
Atravessando,
Trespasse,
Através
De
Si.

A terceira margem,
O não lugar
Entre
Em um intervalo
Do tempo
E do espaço.

O sentido concreto,
Palpável,
Maciço
E ondulado.

Ah, é isso.
Morreria agora,
Morreria certo
De que esse sorriso
É o sentido
Final.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Vida

Apesar dos pesares,
Apesar dos atrasos,
Apesar dos relógios,
A vida
É linda.

Apesar dos talvezes,
Apesar das questões,
Em toda sua complexidade
A vida
É linda.

Apesar dos revezes,
Em todo seu fluxo
Expresso no silêncio
A vida
É linda.

Em tanto tanto,
Em tanto encanto,
Em tanto encontro
A vida
É linda.

Rio

A beleza da vida
Se revela
Em um instante tão simples
Como o agora.

A certeza sentida
É ausência de dúvida,
É ausência de dívida
Na presença
Do todo.

A gaita que toca
A alma
Ressoa
Sentido.

A luz que brilha
Acalma,
Perdoa,
Sorriso.

A vertigem da vida,
Desvela,
Em um pulso tão síntese,
Certeza.

Meia

O balanço do sorriso,
Em meio ao som,
Em meio ao sim,
Em meio à lua,
A meia luz.

O encanto do sentido,
Em meio ao convite,
Em meio ao rio,
Em meio ao cio,
À meia noite.

A bateria em solo,
Em meio ao todo,
Em meio ao encanto,
Em meio ao deslumbre,
A meia, inteira.

Parabéns Carolina

Nesta noite Carolina,
Nesta noite de frio
Do verão,
Uma noite de blues,
Uma noite
Sem norte
Tão longe
Da praia,
Mas a sua
Beira,
Uma noite,
Carolina,
Onde
A festa
É sua.

Comemore,
Carolina,
A paixão
De viver
Pois esta noite,
Carolina,
É sua.

Comemore,
Carolina,
Este verão
No inverno,
Este sol
Em dia nublado,
Essa noite é sua,
Carolina,
E você
Se basta,
Nesta noite,
Tão sua.

Intervalo

No intervalo do tempo,
No Intervalo do jogo,
No intervalo espaço
Sem fim.

No intervalo azul,
No intervalo quente,
No intervalo sorriso
Aberto.

Neste intervalo olhar,
Neste intervalo convite,
Um intervalo conversa
Intervalo
Certeza.

Neste intervalo gaita,
Neste intervalo guitarra,
Um intervalo
Aberto
Ao infinito.

Calor

Ouço a voz
Desse blues quente
Nessa noite fria,
Dessa gaita deslizante,
Guitarras agudas
E uma voz grave,
E o que ouço
Faz tanto sentido
De estar aqui,
Neste momento,
Neste refrão
Do tempo
Que não busco
Mais
Mas sou buscado
E encontram
Um não-eu
Ouvindo esse blues quente
Nessa noite
Agora
Quente.

sábado, 19 de novembro de 2016

Estar

Estou completamente louco,
Estou completamente são,
Estou completamente não,
Estou completamente todo.

Estou o não estar.
Estamos,
Estamos sempre
Rumo ao mar.

Estamos juntos,
Estamos um,
Estamos,
Estamos.

Estamos nós,
Estamos um,
Estamos,
Estamos.

Margem

Uma
Conversa
Na área,
Uma
Conversa
Fraterna,
Uma conversa na área
Em margem
Terceira
O mundo
Transforma.

Vida

O mundo
Doce
Convidando
Ao todo.

O rio
Doce
Convidando
Ao sorriso.

O sorrido
Revela:
A luz
Suave.

O sorrido
Revela:
A vida
É
Bela.

Naara

Nesta casa
Naara
Encontro
O caminho certo,
O olhar desperto
A cada
Pequeno
Gesto.

Nesta casa
Naara
Sou entrecruzado
Por discursos
Sinceros,
Entregues
E belos
Rumo a um novo
Amanhã.

Nesta casa
Naara
Olhares
Brilham,
Convidam
E dançam
Cantando
A manhã
Que há de chegar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Neste

Neste seu
Corpo
Agora nosso,
Neste seu corpo
Agora poético,
Neste
Seu corpo
Agora
Sintético
Se juntam
Organicamente
O todo e o nada,
O sim e o não,
O ar e o vazio,
A vida e a morte.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Olhar triste

Vejo seu rosto triste
De olho
No retângulo negro,
Vejo seu sorriso triste
Pensando
Será?
Talvez?
Vejo seu olhar triste
Pensando
E então?
Quando?
Mas nada
Que eu te possa
Falar
Te dirá
Venha,
Nada
Que eu te possa
Dizer
Te dirá
Vamos.

Vejo seu rosto triste
De olho
No horizonte negro,
Vejo seu horizonte triste
Pensando
Por que?
Quando?
Vejo seu corpo triste
Pensando
Assim?
Só?
Mas nada
Que eu te possa
Gritar
Parecerá
Verdadeiro,
Mas nada
Que eu te possa
Cantar
Lembrará
O nascer do sol.

Então emudeço
Nessa urbe louca
Onde em apenas momentos
O meu caminho
Cruzou
O seu caminho.

Então deixo em versos
Escritos
Nessa urbe louca
E quem sabe um dia
Essa urbe louca
Trará
Um pouco de beleza,
Quem sabe um dia
Essa urbe louca
Trará
Um pouco de luz,
Quem sabe um dia
Essa urbe louca
Trará
Um pouco de paz,
A esse olhar,
Um olhar triste.

domingo, 13 de novembro de 2016

Linha

A mesa
Redonda
Liberdade.
O gosto
Recurvo
High life.
A música
Batida
Que toca.
Convites
Chovem
Pedindo.
Você
Atende
Sorrindo.
E o tempo
Para
Definitivo.

Mudo

O sol
Nascendo,
O mundo é bonito,
O mundo é bonito.

A música
Singela,
O mundo é bonito,
O mundo é bonito.

A noite
Sincera,
O mundo é bonito,
O mundo é bonito.

O silêncio
Bom,
O mundo é bonito,
O mundo é bonito.

Três por três

O jogo
Surrealista
Começa.
Depois de você
Eu venho
E vocês?
Avança,
Voa,
Levanta,
Termina,
Chuva,
Recolhe,
Escolhe
A vida
Que resolveu viver.

Os pedaços
Cortados
De mim,
Multiplicam
Somam
Se tornam mais,
Mais de que?
Mais de tudo?
Mais de nós?

E então
Somente
O infinito
Convoca
A ser ou estar
Leve, livre.

O estranho
Vira o perto
E o tudo
Se regozija
Mais três
Mais
Mais
E então
O fim.

Salvar

O momento
Da vida,
A dança
Na chuva
Tão doce,
O toque
Tão leve,
O beijo
Tão seda,
O gosto
Suave
Convida,
Entrega
E deixa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Concreto

A vida
Me devora
Enérgica.

O grito
Apavora
Sedento.

A música
Suave
Alento.

A poesia
Concreto
Cimento.

Rio Doce

O rio
Doce
Convida.
O rio
Doce
Suplica.
O rio
Doce
Grita.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cinco

O escrever
Poético
Coletivo.
A enxurrada
De pensamentos
Altivos
Recita
Excita
Poiesis

As luzes,
O brilho,
A noite.
Conjunção
Amigal
Cósmica.
Música,
Álcool
E poesia.

As ondas
De calor
Na alma
O devaneio
Que surge
E acalma.
Vêm sem
Sempre
Nada.


Sopro

Os ouvidos tornados
Doces
Pela voz do outro.

A escrita
Poética
Tomando
Corpo.

A vida
Estética
Tornada
Sopro.

domingo, 6 de novembro de 2016

Alento

O silêncio do ovo,
Do útero,
Da barca
Maternal.

O calor do ovo,
Do útero
Da mãe
Gaia.

O sabor do ovo,
Do útero
Da mão
Do vento.

A lucidez do ovo,
Do útero
Do mais doce
Alento.

Diálogo

Seis da tarde,
De um domingo à tarde,
Sentado,
Ao lado do Bruno,
Do Vaz
E do Artur.

A tarde azul,
De um domingo à tarde,
Deitado
Ao lado do mundo
Da paz
E do futuro.

Aniversário da Nubia

É aniversário da Nubia,
É Santa Teresa,
É doce este mar,
São amigos e cores,
Sons e poemas.

É aniversário da Nubia,
O domingo calmo,
À tarde,
É o dia que surge,
É o tempo que urge,
É o vento e o verde,
É aniversário da Nubia.

É aniversário da Nubia,
Uma música ao fundo,
É placidez oceânica,
É a luz brilhante
Que convida
Suave.

É aniversário da Nubia,
Uma cerveja gelada,
Uma feijoada redonda,
É um domingo à tarde,
É aniversário da Nubia.

sábado, 5 de novembro de 2016

Meia

Uma rede
De cores
A balançar,
Uma meia luz
Meia noite
Meio inteiramente
Rio,
Em uma meia casa
Em uns meio-irmãos
A meio luar.

Fim

O espírito liberdade,
Leveza,
Relaxamento
Da vida,
O rio
Eterno
Infinito
E doce
Atravessa.
A luz infinito
As cores
Curvas
O sorriso
Final.

Poesia

Tua pele
Nua
Arrepiada
E cheia
De suor
E palavras,
Teus olhos
Que perguntam
Me perguntam
E me fazem
Perguntar,
Teus versos
Desrimados
Em ritmo
Sincopado,
Tuas perguntas
Me balançam
E me fazem
Viver.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Salve

Privilegiados das ruas,
Dos becos e vielas,
Salve as favelas.
Privilegiados dos morros,
Da paz e da guerra,
Salve as favelas.
Privilegiados esquecidos,
Da fome e miséria,
Salve as favelas.
Privilegiados habitantes
Das esquinas singelas,
Salve as favelas.
Privilegiados unidos
Em marcha tão bela,
Salve
As
Favelas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A outra engenharia

Sou engenheiro do coração de manteiga,
Olho os números e escolho:
Você é belo, você não.
A lucidez eu deixei-a para trás,
Onde? Não sei, faz tanto
Tempo que já a perdi.
Planejo, mas não lembro
Se coloquei o par
De meias
Trocado,
Então uso calças largas.
Pelo rio dos dias lágrimas
De prazer e dor
Alegria e tristeza
A encharcar o solo
Recém semeado.
A luz ofusca
Meus olhos já claros,
À meia luz,
Ou à noite,
Se vê melhor.
A razão me é estranha,
Algum dia imaginei possuí-la,
Algum dia.

domingo, 23 de outubro de 2016

Teórico

Me mostre seus desejos,
Seu mundo,
Seu horizonte,
Me mostre as palavras
Que saem da boca dos teus dedos,
Me mostre suas noites insones,
Suas dúvidas
E certezas,
Suas horas e horas,
Me mostre
Você
Toda nua,
Me mande
Um texto
Seu.

sábado, 22 de outubro de 2016

Casamento

O teu olhar
A nossa história,
Os nossos momentos,
Um olhar para trás
Que valerá a pena,
Autenticidade,
O melhor de mim
Em você,
Admiração,
O perdão do dia a dia,
O respeito
Como escolha,
O fim
Da conveniência,
Pois
Contigo
Escolhi
Partilhar.

sábado, 15 de outubro de 2016

Meio

A sua voz
Doce
Cantando o samba
Doce em meio à praça
Anoitecida,
Em meio aos passos
Passageiros,
Em meio ao sorriso
Branco,
Em meio aos corpos
Curvos,
Em meio aos lábios
De mel,
Em meio
Ao meio
De mim.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Útil

A poesia
Não serve
Para nada,
Nós
   É que
        A ela
Servimos.

sábado, 8 de outubro de 2016

Saputi

Em um pé de saputi
Em um sítio saquarema
A fartura saputi
Na chuva.

A liberdade
Conexão
Que ecoa
Dias e dias.

A energia
Doce
A textura
Terra.

Ao todo

Uma tarde no parque
Um vento ameno
Um sol ameno
Um sorriso ameno
E amplo.

Uma flor primavera
Um vento sincero
Um sol sincero
Um sorriso sincero
E amplo.

Uma folha tão bela
Saindo da árvore
Saindo da mãe
Saindo em direção
Ao todo.

Um rio tão belo
Um rio da árvore
Um rio da mãe
Um rio em direção
Ao todo.

Baco

A experiência liberdade
A experiência do limite
Ausente,
Da ebriedade
Certa,
Da indefinição
Do eu.

A expectativa incerta
De repente tão certa,
A compreensão
Sempre parcial,
Sempre parte
De algo incompreensível.

Liberdade,
Atinginda
Tão simples
E concreta.

Esperança

Espero
Um novo amanhã
Uma nova manhã
Um novo horizonte
De certeza e sentido.

Não só espero
Mas construo
Não só só
Mas em conjunto
A possibilidade
De um sorriso
Após a morte.

Não só esperança
Mas a certeza
Mas a paz calma
Mas a estrada
Mas o futuro
Mas o sonho
De um novo amanhã
De uma nova manhã
Começando no hoje.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sonho

Um pouco de calor para nos aquecer,
Um pouco de ardor para nos sonhar,
O olhar ludicamente
Brinca
Nessa fogueira infinita
Do sonho acordado.

Busca

Há um frescor
Frio
Na aventura do novo.

Há um vento
Vendaval
No fim da vereda
Conhecida.

Há um abismo
Abissal
Para onde se pula
E se voa.

Há um grito
Gutural
Saindo da alma
Em busca do todo.

domingo, 2 de outubro de 2016

Entre nós

As luzes do
Eterno
Brilham,
As ondas de
Luzes
Chamam,
Os gostos de
Uvas
Fluem,
O infinito
Presente
Entre nós.

sábado, 1 de outubro de 2016

Absoluto

A fímbria
Da vida
Convida
Fibrosa
Ritmada
E bela
Descontínua
Com o resto
Do mundo
E fluidifica-se.

A viagem
Tão doce
Indeterminável
Do todo.

O suspiro
Final
Insuspeito.

O corpo
Dissolvido.

O absoluto.

Convite

As ondas do mar
Que tocam a alma
Em um beijo tão calmo
E quente,
Em um som tão simples
E redondo,
Em um brilho tão sim
E curvo,
Convidam
Ao prazer
Infinito.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Há muito

Há muito mundo no mundo,
Muito céu nessa terra,
Muito mar nos teus cabelos,
Muito sim no teu talvez.

Há muito mundo no mundo,
Muitos horizontes no hoje,
Muitos sonhos atrás da porta
E a chave, em tuas mãos.

Há muito mundo no mundo,
Muitos olhares na paisagem,
Muitos destinos na multidão,
Muito será? nas tuas certezas.

Há muito mundo no mundo,
Muita música no deserto,
Muitos montes para se ver mais
Longe, deitar-se e ser feliz.

sábado, 24 de setembro de 2016

Convite

A arte
Que chora,
Dialoga,
Comunica,
Chove e dança,
A arte
Que chama,
Testemunha,
Rima,
Canta e grita,
A arte
Que amareia,
Desvela,
Imanta,
Brilha e toca,
Essa arte
Convida
Você.

Eixo

O eixo
E trilho
Da vida
Em uma crista de onda,
Em uma borda de nuvem,
Em uma costa de areia,
Em um golpe de vento,
Em uma copa de árvore,
Em uma canção de mar,
Em uma vela de barco,
Em um voo de pássaro,
Convida,
Singelo
E doce.

Sonhos

Em sonhos
Tão leves
Flutuo
Fluxo,
Tão sim
Mergulho
Marulho,
Tão simples
Desliso
Despido,
Tão doces,
Eternamente
Ternos.

Belo

O brilho
Contido
Do infinito,
Do todo,
Do rio,
Do tudo
E do nada
Em amplo
Espaço
Se abre.

É belo
Viver.

domingo, 18 de setembro de 2016

Saias

As saias balanço,
Saias pele,
Saias dedos 
Em saias corpo.

As saias horizonte,
Saias certezas,
Saias movimento,
Saias vivas.

As saias carbono,
Saias coloridas,
Saias acolhem
As pernas firmes.

As saias círculos,
Saias manifesto,
Saias compõem sinfônicas
O farfalhar do tecido.

As saias longas,
Saias rodadas,
Saias deixam à mostra
Os pés
Sujos e sorridentes
Da estrada.

Sats

A busca do todo,
A busca do sim,
A busca sentido,
A busca enfim.

O horizonte curvo,
O horizonte redondo,
O horizonte sem fim,
O horizonte sintético.

As saias balanço,
As saias pele,
As saias dedos
Em saias corpo.

sábado, 17 de setembro de 2016

Caminho

Os olhos se abrem,
Cores,
Luzes.

Nomes,
Fiat lux,
Coisas.

Palavras,
Remédio-doença,
Farmácia.

Arte,
Mimesis
E paixão.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Poesia

A poesia piscina
Mise-en-abime da vida,
Do verso quebrado
Interrompido
Da busca.

A montanha amigos,
A arte rio
Sentido
Em direção
Ao todo.

O infinito
Musical
Redondo
Brilhante,
Singelo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Eis

Eis o falcão
Com seu vôo tão livre,
Com seu vôo tão longe,
Com seu vento
Tão perto.

Eis a noite,
Com seu brilho tão pastoso,
Com seus olhos tão certos,
Com seus gritos
Tão doces.

Eis o mundo
Tão pequeno e próximo,
Eis o mundo
Tão simples e belo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Vela

Apesar de pequenos,
Apesar de oprimidos,
Apesar de esquecidos,
Enquanto houver injustiça,
Enquanto houver dor,
Enquanto houver morte,
Como uma tosse em um concerto
Gritaremos,
Como um grão de areia no olho
Incomodaremos,
Como uma pulga nos lençóis
Coçaremos,
Como um verme no alface
Chocaremos
E como uma vela no escuro
Seremos
A esperança
Que mostra o caminho
De um mundo melhor.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Homenagem

Os ecos
A arte,
O som
Fundo
Tocando
A alma,
A batida
Quebrada
Lembrando
A vida
De alguém
Que nos deu
Tanto,
Alegrias
Sorrisos
Noites
Sem fim,
Em
Tua
Homenagem
Hoje
Danço.

domingo, 4 de setembro de 2016

Pés

Pisam os pés
Essa terra de sangue,
Essa terra de morte,
Essa terra de cores
Em palidez.

Pisam os pés
Essa terra de Macunaíma,
De Clarices, de Machados,
Essa terra de escravos
De ontem, de hoje e do amanhã.

Mas pisam os pés
Essa mesma terra de sonhos,
Essa terra de uma esperança
Verde,
Essa terra de um céu
Azul,
Essa terra
De uma arte
Dourada.

Banzo

Por corredores vazios,
Por salas de reunião cheias,
Pelo Estado covarde,
Por indivíduos heróicos,
Por sonhos desmanchados,
Por ideais impostos,
Por direitos desmantelados,
Por barracas guardadas,
Por armas impostas,
Por esperanças depostas
E pela dúvida
De um estrelado amanhã.

Sabonete

Queria ter um sabonete mágico
Para lavar a alma,
Para lavar o mundo,
Para limpar as máculas
Da História.

Queria ter um sabonete mágico
Para lavar as dores,
Para lavar a pátria,
Para lavar os pés
De todos desvalidos.

Mas não tendo um sabonete mágico
E tampouco
Em mágica
Acreditando,
Quero mergulhar no lodo,
Quero mergulhar no sujo,
Quero mergulhar no esgoto
Pois sei
Que de lá
Uma flor
Há de nascer.

Um rosto

Um rosto marcado
De histórias,
Sóis,
Alegrias e dores.

Os sulcos de um rosto,
Veredas de lágrimas
A desaguar no mar infinito
De uma camiseta encharcada.

Sentado,
Só,
Na escada,
A cabeça apoiada
Em joelhos cansados
De tanto caminhar.

A voz embargada,
A mente embargada,
A vista embargada
Guardando a esperança,
Guardando um sonho,
Aguardando, aguardando.

Canecão

Minhas paredes testemunham,
Relatam e gritam,
A tua opressão,
Minhas tendas te dizem
Que ainda há aqueles
Que tem esperança.

Os corpos agora meus
Embalam amanhãs
Que hão de nascer,
A minha arte
É certeza-horizonte
De um céu estrelado.

O meu sentido
Nunca será esvaziado
Pelo seu discurso vazio,
Os sonhos que aqui se sonharam
Se multiplicam
Como flores na primavera.

Você se esquecerá de mim,
Mas eu não serei esquecido.

Ano

Em um ano envelheço cinco,
Em um ano bebo dez,
Em um ano corro quinze,
Em um ano o país atrasa cinquenta e dois.

Mas em um ano conheço vinte,
Em um ano respiro trinta,
Em um ano experiencio cinquenta,
Em um ano vivo cem.

Rio-mar

O rio-mar
Reflexo de estrelas
Convite do todo
Caminho sem volta
Música sem fim
Refrão do tempo
Em um solo improviso
Grita
E você vai.

O rio-mar
Acontecendo presente
Em uma batida elétrica
Em cordas graves
Em contraponto agudo
Em uma rima funda
Flui
E se esvai.

O rio-mar
Horizonte sonhado
Entrega tão doce
Sorriso tão amplo
Olhos tão brilho
Luzes tão sim
Vem
E dissolve-se.

sábado, 3 de setembro de 2016

Físico

Eu sonho
Corro
Vivo
Vou
Mas minha coluna grita
Minha coluna chora
Minha coluna dói.

Nessa rima de meu nome
A substância densa da vida
Relembra e convida
A mente inventiva
Em estar logo ali.

Então componho
Morro
Grito
Voo
Mas minha coluna aflita
Minha coluna demora
Minha coluna sói
Doer.

Rio

Apesar de,
Eu vou viver,
Eu vou sonhar,
Eu vou amar
Eu vou cantar.

Apesar de,
Eu vou rimar,
Eu vou tentar,
Eu vou dizer
Eu vou ser nada.

Apesar de,
A música encanta,
A arte convida,
E a vida se entrega
No sincero fluir.

Pares

A vida é saudade,
É dor,
Pergunta,
Dúvida
E será?

Mas sendo saudade,
Dor,
Pergunta,
Dúvida,
E será
A vida é presente,
Amor,
Certeza,
E alegria.

À luz

A poesia da vida
Em paredes claras
Da casa sem teto
À luz das estrelas.

O canto da vida
Em vozes tão doces
Da melodia curva
À luz do luar.

O gosto da vida
Em pratos tão tenros
Da grávida terra
À luz do infinito.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Inocente

As luzes
Quentes
Doces
No horizonte
Sem fim.

A ambiência
Da bela ciência
Da instabilidade
Atemporal.

A mudança
Impossível
Tornada
Liberdade.

O acontecer
Da vida
A desdobrar-se
Inocente.

Beleza

As narrativas entrecrudas
Nos trazem
Aqui
Nos trazem
Agora
Nos trazem
Então.

O
Passado
Presente
Em futuro,
A
Natureza
Que é
Totalidade
E se mostra
Na plenitude
Do não
Conhecimento.

Há beleza.

O beijo
Singelo
Do infinito
Suave
Gélido
E doce

Há beleza.

domingo, 28 de agosto de 2016

Circuito

A cada ida
Uma volta,
Um mergulho
Um respiro,
Um voo
Um pouso,
Um barco
Um porto,
Um passo
Um retorno,
Uma entrega
Uma devolução
Distinta
E recomeça.

sábado, 27 de agosto de 2016

Elis

Será
Que serão castanhos negros azuis
Verdes mel
Os teus olhos?
Que serão longos curtos
Lisos cacheados crespos
Os teus cabelos?
Que dormirás
Embalada
Quando segurarmos teus pés
Em nossas mãos
Cantando cantigas
Que aprendemos pequenos
Quando com os pés seguros
Por mãos tão quentes
Embalados
Dormíamos?

Aguardamos o amanhã,
Expectantes! Ansiosos!
Enquanto hoje celebramos
A tua vinda,
A tua vida,
A tua chegada.

Nesse mundo improvável
Seremos rede, oca e rio,
Porto, morada e fortaleza.
Seremos certeza e consolo,
Entrega e abraço,
Colo e paz.

Tome teu tempo.
Cresça,
Venha.
O mundo está em festa
A te esperar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Vida

Venha ser minha quimera,
Minha alegria e fantasia,
Venha ser o meu sonho
De um novo amanhã.

Venha ser o meu hoje,
Meu mar e horizonte,
Venha ser minha possibilidade
De um mundo impossível.

Quero viver-te intensamente,
Quero devorar-te calmo
Aproveitando o sim e o não.

Juntos sorrisos e tristezas,
Juntos a perda e o amor,
Juntos seremos praia e montanha,
Nuvens e lua,
Rios e areia.

Juntos serei teu
E tu serás minha
Até que abraçados entregues
Testemunharemos as cortinas da morte.

domingo, 21 de agosto de 2016

Escrita

Você me pede
Escreve
E eu te digo sim
E te vivo,
Me pede
Me mostre
E eu te choro
E te rio,
Me pede
Me lembre
E eu te mergulho
E te nado,
Me pede
Entrega
E eu te entrego
E te canto,
Me pede
Me pede
E eu te palavro
E te abraço.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Chamado

Me mostre
O que há
Atrás desses olhos verdes
Que eu quero a tua alma,
Me mostre
O que há
Atrás desse sorriso branco
Que eu quero o teu corpo,
Eu quero o teu sim
E o teu não.

Me mostre
O que há
Nesse teu rosto de pergunta,
O que há
Nesse teu toque de vento,
Nessa sua busca sem fim.

Quero devorar-te
Antropofágica.

domingo, 14 de agosto de 2016

Veloz

A velocidade
Da urbe
Me atravessa.

Seus sons metálicos,
Seus parques
Minhas praças.

Seus caminhos
Cruzamentos
Velozes.

Seu canto concreto,
Seu vertical horizonte
Meu repouso horizontal.

Pulso

Pulsa
O coração
Rubro
De sangue
Vivo.

Pulsa.

Pulsa
O eco
Do grito
De cores
Sentido.

Pulsa.

Pulsa
O pulso
Pulpulante
Das ondas
Brancas de paz.

Pulsa.

Pulsa
A chuva
A todos
Suave
Banhar.

Basta

Só isso me basta,
Só isso convida,
Só isso entrega
O sorriso sentido.

As luzes do tempo
Doces,
Coloridas
E sinuosas.

O ar
Tão leve
Que a língua
Basta.

Amanhã

Um grito liberdade,
Uma certeza horizonte,
Amanhã há de chegar.

Enquanto

As palavras de ordem
Do meu coração
Escutam apenas
Ruídos
Do teu barulho.

O meu grito
Teu silêncio,
O meu sentido
A tua morte.

O brilho dos meus olhos,
Brilho de sonhos-horizonte,
Brilho de caminhos-mar,
Já nem se lembram a forma
Da tua imagem baça.

Enquanto me dizes
Trabalhe
Te digo não,
Enquanto me dizes
Produzas,
Te digo não,
Enquanto me dizes
Acumule
Te digo
Dispêndio,
Te digo infinito
Chegando
Tão perto
E te mostro
A dúvida
Dizendo
Adeus.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Somente

Somente o infinito,
O absoluto,
O todo
Me basta.

Somente o infinito,
O impossível,
O sonho
Me toca.

Somente o infinito,
O hoje,
O outro
Me dói.

Somente o infinito,
A sua
Leitura
Me importa.

Sal

O sal da vida
Em beijo convite
Das ondas
Do mar.

Do céu o infinito
Em vôo tão livre
Acima
Do mar.

Do mar o pedido
Em carícias sentido
À morte
E à ressurreição.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Nada

O corpo participa
Rumo à contestação do eu,
Rumo à contratação do outro,
Rumo ao rumo
Do todo.

Do nada o sorriso,
Do som o sentido,
Do sim o perdão,
Do sorrido
Alegria.

A liberdade
Do refrão
Convite,
A certeza
Do mar
Entrega,
As ondas
Em espumas
Na alma.

Não
Há
Nada
Mais,
Não há
Nada.

Rimas

As portas do infinito
Se abrem.
As portas do céu se abrem
Junto das portas
Do inferno.

Diálogos com fantasmas
Do ontem e do amanhã,
Diálogos com a beleza
A convidar à morte.

Deixe-me ir,
Preciso andar.

Rimam os versos,
Rimam as luzes,
Rimam as dúvidas
Em eterno brilho.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Singela

Ah, a meia luz!
Como é bela
A meia luz!
Uma música desconhecida
Ao fundo
Levando o homem
À dissolução,
Algumas conversas,
Dissolução,
Olhares
Disso
Lução.

Na companhia
Da dúvida
Compartilhada,
Na companhia
Dos sorrisos
Em partilha.

Ah, o horizonte existe!
Ah, o amanhã existe!
Ah, a vida
Curvilínea,
Tortuosamente
Bela,
A entrega
Até o ponto
Onde não há
Mais voz.

domingo, 31 de julho de 2016

Sopro

O mundo de cores,
O mundo de sons,
O mundo de gostos,
O mundo de toques,
Mundo de flores.

O beijo do tempo
No corpo-espaço,
Beijo do infinito.

A perda da língua
Na conquista
Sinuosa
Da voz silenciosa
A fluir.

O flutuar
Tão leve,
Tão após
O abismo.

Sopra o vento!
Sopra o vento!
Sopra o vento!

O azul
Verde
Vermelho
Piscina.

sábado, 30 de julho de 2016

Parabéns Alberto

Uma noite amena,
Meia luz,
Uns bons vinis,
Uma praça,
Um aniversário,
O sorriso certo
Do convite.

Alberto,
Estamos aqui,
Alberto,
O nosso braço é o seu abraço,
Alberto,
O seu horizonte é nosso.

Tentaremos consertar o mundo
Amanhã,
Hoje apenas
Uma noite amena,
Meia luz,
Uns bons vinis,
Uma praça.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Capanema

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine que o mundo faz sentido,
Sonhe com uma sociedade justa
Onde todos tem sua nesga de céu.

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine um mar de gente unida,
Sonhe com a busca de ideais
Para tornar o mundo mais belo.

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine que eu e você somos um,
Sonhe com a chegada do amanhã
Brilhante e simples a nos aquecer.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Tamarindo

Subo o obstáculo do primeiro galho
No rancho do amigo do meu pai
Em uma vizinhança próxima
Depois de uma noite a pescar
Quando os cachorros estavam presos
Após buscar uma goiabeira cheia
Encontrei-o escalando a grossa casca
E me deito.

Minhas pernas ao ar
Não me lembro do rio próximo
Não me lembro de ninguém
E encontro o gosto azedo
Do tamarindo.

Naquelas sementes macias
De repente ouvi meu nome
Pedindo aquela fruta
Aquele amargor
Aquela acidez
Entre o acolhimento do galho farto
E o gosto da vagem quebrada
E jogava-o no saco preto
Para depois.

Naquele galho me consumi
Naquele galho enchi o amanhã
Naquele galho me deitei
E fui feliz.

domingo, 24 de julho de 2016

Mas a arte

Morre o homem,
Morrem os amigos,
Morre a família,
Morrem os amores
Mas a arte
Fica.

As flores em esterco,
As árvores no chão,
As andorinhas lembranças,
As folhas ao vento
Mas a arte
Fica.

Os sonhos em ilusões,
Os caminhos em pedras,
Os sorrisos em retratos,
Mas a arte,
A arte
Fica.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Musas

Venham,
Minhas musas,
Com seus corpos
A brilharem
Nus
De suor.

Venham,
Na dionisíaca fonte
Em uma praça
Perdida
No tempo.

Venham,
No horizonte
Saturnal,
Em um céu
Rubro
E vivo.

Venham,
Minhas musas,
Me matem
E me deem
Inspiração.

domingo, 17 de julho de 2016

Vida

São ondulantes
Os horizontes
Que brilham
No compasso
Quente
Das doces
Vozes
Da vida.

São sinuosas
As luzes
Que gritam
No intervalo
Quente
Das dúvidas
Tortuosas
Da vida.

São mareantes
As almas
Que pulsam
No instante
Quente
Do acontecer
Sincero
Da vida.

sábado, 16 de julho de 2016

Chama

Chama o eco da noite,
Chama o chamado rubro,
Chama a lua
E o vento.

Chamam as estrelas,
Chama o horizonte
Chama a luz
Tão perto.

Chama o uivo,
Chama o sorriso,
Chama ao léu
Tão viva.

Chama em infinito existir,
Chama o chamado do todo
E não há mais
Nada.

Dimensões

O ponto
Curvo
Do voar
Em direção
Ao todo.

A linha
Curva
Da vida
Brilha
Sincera.

A superfície
Curva
Do mundo
Convida
Ao abraço.

O espaço
Curvo
Da noite
Que vive
Entregue.

Caminhar

É por esses momentos
Que existe a vida,
Que existe o convite
Do todo
A transbordar
De cores.

É por esses momentos
Que existe o sorriso,
Que existe o sentido
Do mergulhar
Profundo
No céu.

É por esses momentos
Que existe a dor,
Que existe o amor,
Que existo
A caminhar
Erguido.

Moderno

Quem sou?
Sou latino no centro do império,
Branco na terra de Iracema,
Judeu na nas terras da bela grafia,
Árabe na cidade de pedras e areia,
Um câncer para o berço do ocidente.

Filho do Egito,
Filho do Brasil.
Bisneto de sírios, austríacos,
Italianos e alemães,
Quem sou eu?

Atravessado de nomes,
Classificações,
Quem sou eu?

Me pergunto e volto mais atrás,
Me pergunto e penso na Africa,
O berço do berço do ocidente,
Me pergunto e penso na manjedoura de sons,
Penso na fogueira primeira
Onde hoje há uma chaminé industrial.

Quem sou eu?
Me pergunto e penso na mãe primeira,
Onde juntos comemos e pintamos,
Me pergunto e penso no pai primeiro,
Onde aprendemos a caçar e fomos homens.

Voltemos à Africa
Ancestral
Lá somos todos irmãos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Vida

A vida
Tá aí para ser vivida
Aí para ser entrega
Para ser sentida
Ser entrada
Dada.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Luz

Eis a intensidade
Da vida
E o leve convida
Ao fundo existir.

E o todo sorri,
E o mar sorri,
Do nada abriga,
A luz
Que brilhará
Vermelha
Intensa.

Rio

Em um momento curvo
O todo acontece
E o corpo obedece
Em um rio a fluir.

Tão sinuosamente
Belo
E tão internamente
Interessante.

Tão brilhante
Convite do instante
Do rio a fluir.

Deste rio
Apenas horizonte
Sem limites.

Tão azul
Vermelho
Piscina.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Corpo (IX)

Em minha entrega
Te entrego um caderno de pele,
Um espaço em branco,
Um sorriso, um pranto,
Um convite, horizonte,
Um caminho, um monte
Para ver mais longe.

Em minha entrega
Lânguida,
Docemente sinuosa,
Atávica,
Calma e rósea,
Inteiramente
Um verso em prosa.

Em minha entrega
Te entrego o sim e o não,
A culpa e o perdão,
A dor e a esperança,
A vida e a morte,
O Todo e o Nada.

Em minha entrega
Te devolvo
Você.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Corpo (VIII)

Venha,
Escreva no meu corpo.
Transformarei
Suas
Palavras em versos,
Saudades em lágrimas,
Dores em sorrisos,
Lembranças em rimas,
Alegrias em estrofes
E entusiasmo em paixão.

Minha pele na tua se tornará úmida,
Minha boca na tua beijo,
Meus olhos nos teus desejo,
Minhas mãos nas tuas lampejo,
Minhas certezas nas tuas dúvida.

Venha,
Escreva no meu corpo.
Juntos
Viajaremos
Tão longe quanto quisermos,
Tão perto do inferno,
Tão junto dos deuses,
Tão rente ao céu,
Tão dentro do mar.

Meu suor no teu se tornará pegajoso,
Meus braços nos teus abraços,
Minha língua na tua caminhos,
Meus sussurros nos teus descaminhos,
Meu prazer no teu gozo.

Venha,
Escreva no meu corpo.

domingo, 10 de julho de 2016

Aniversário

Mais um ano passado,
Mais sonhos esperanças,
Expectativas e dúvidas,
Mais talvez e será,
Impossibilidades possíveis.

No apagar-se das velas
O repensar do ciclo
No assoprar contínuo
De uma bolha de sabão.

O que será do amanhã?
Será que? Será que consigo?
Será que se cumpre?
Não sei,
Mas vivo,
Continuo
E tento,
Pois o que me resta
Nessa contagem regressiva
É viver
E amar
E sorrir
A cada nascer do sol
Laranja
Que privilegiadamente
Testemunho.

domingo, 3 de julho de 2016

Entre

Debaixo deste céu
E acima desta terra
Sorrisos alegrias tristezas,
Sonhos esperanças decepções,
Horizontes pulsam,
Caminhos se traçam,
E caminhamos.

Debaixo deste céu
E acima desta terra
Beleza sentido montanhas,
Amigos arte diálogo,
Encontros planos pulsações
E caminhamos.

Debaixo deste céu
E acima desta terra
Dúvidas certezas e dúvidas,
Inquietações intranquilas e tranquilas,
Possibilidades passos pegadas,
Vento mar maresia
E caminhamos.

Debaixo deste céu
E acima desta terra
Ruas cruzamentos e rios,
Perguntas perguntas perguntas,
Mas a vida silencia,
A alma silencia
E caminhamos.

Debaixo deste céu
E acima desta terra
Não nos resta outra coisa.
Debaixo deste céu
E acima desta terra
Só nos resta viver.

sábado, 2 de julho de 2016

Lua

Lua,
Me brilhe,
Teu céu sem nuvens,
Teu véu de estrelas,
Banham meu corpo
Ao léu.

Sinto tua luz em minha pele,
Teu calor em meu rosto,
Teu abraço puro,
Tua órbita perfeita
Desenha esboços
E pinta paisagens
De uma só vez.

Traga-me a loucura lua,
Me trague inteiro,
Me engula em pertença,
Não sou mais nada
Além de teu.

Rua de Pedras

E então a pergunta
Por que a busca?
Ou por que a dúvida?
Ou por que o talvez?
Não tem razão.

A certeza do agora
Transbordante de sentido,
O rio da vida
Acontecendo,
A legião urbana
Ecoando descobertas,
A rua de pedras
Esquina do infinito,
No cruzamento do todo,
Duas quadras depois
Da rua de flores,
Ao lado da ponte
Atravessando o canal
Que desagua no mar azul.

São refrões de beleza,
São canções nascidas
Em corações sedentos
Ecoando
E atingindo
O brilho da lua
Em uma noite tão simples
No cruzamento do todo,
Duas quadras depois
Da rua de flores.

Ao lado da ponte
Atravessando o canal
Que desagua no mar azul
Encontro
Ou melhor: sou encontrado
E só há gratidão
Por pertencer
A esse momento de brilho
Na rua de pedras
Esquina do infinito.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Para

Uma praça qualquer,
Em um dia qualquer,
Uns bons amigos,
Uma alegre cerveja,
Uma curva música,
Umas bandeirinhas a tremular,
Um clima ameno,
Os silêncios sorrisos,
Uma vela a iluminar
Esse olhar tão singelo
Em um dia tão simples
Simplemente
Para
Ti.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Encontro

Deito na chuva
E durmo no ar,
Sinto meu corpo
Escorrendo,
Úmido.

Deito na chuva
E durmo no ar,
O frio na espinha
Me traz a certeza fria
De estar vivo.

Deito na chuva
E durmo no ar,
Deixo a luz do horizonte
Aquecer meu corpo
E alma.

Deito na chuva
E durmo no ar,
Chego à fronteira de mim,
E percebo que não há fronteira,
Não há lá fora.

Deito na chuva
E durmo no ar,
O instante agora,
O espaço agora,
Me encontro na perda de mim
E então
Somente
O infinito.

domingo, 26 de junho de 2016

Em

Ter amigos
E o mundo se enche de cores
Simples
Curvas
Sórdidas
E belas.

O singelo instante
Em brilho se torna,
Em música se torna,
Em horizontes se torna.

O singelo estar
Bem,
Leve,
Impuro
Em puro.

sábado, 25 de junho de 2016

São

São sombras que dançam,
São sombras que cantam,
São sombras de corpos
E luzes
E sons.

São impressões fugidias,
São impressões imprecisas,
São impressões coloridas
De curvas
E tons.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Mar

É chegada a hora
Do espaço infinito,
É chegada a hora
Do tempo infinito.
Um sax tão alto,
Uma batida quebrada
À meia luz,
A dúvida se apaga,
O talvez se apaga,
O incerto se apaga,
E então só resta
O mergulho
Neste mar de gente,
Neste mar de cores,
Neste mar.

domingo, 19 de junho de 2016

Final

O brilho final
Da luz tão forte
Do momento presente
Em estrela convertido.

O canto final
Do som tão simples
Da infinita comunhão
Do todo no agora.

O sorriso final
Da certeza tão certa
De que a vida
Vale a pena.

O sétimo dia

No sétimo dia
A paz,
O descanso,
A suspensão da contradição
Acalma,
O céu estrelado
Depois de rubro poente,
A vida,
As calmas luzes
Do horizonte.

Em busca do sétimo dia
Vamos sorrindo,
Vamos a caminho,
Vamos cantando,
E de repente
Ele se realiza
No agora.

O

O brilho da noite,
O brilho do tom sobre tom,
O brilho infante,
O brilho do som sobre som.

O toque da noite,
O toque do mar sobre mar,
O toque tão doce,
O toque do ar sobre ar.

O beijo da noite,
O beijo do sentido,
O beijo do tempo
O beijo cantar.

Curvo

As tardes amenas
Com música de fundo
Convidam apenas
Ao horizonte assistir.

A brisa tão leve
O corpo alegre
A alma tão pluma
Em poesia.

A vida tão clara
O sorriso tão simples
O infinito tão dentro
De nós.

Tão simplesmente
Tão curvilíneo
Destina-se
O agora.

sábado, 18 de junho de 2016

Certeza

O momento poético
É instante verdade,
É segura certeza,
É presente certo,
Sem amanhã.

Eis a eternidade
Em um intervalo de tempo,
Eis a felicidade
Em um intervalo do todo.

Sentindo apenas o refrão
Da música do infinito,
Sentindo apenas a dança
Da certeza do hoje.

sábado, 11 de junho de 2016

Fluxo

Fluir
No rio do som,
Sentir
Sem senão
O abraço
Do tempo.

Uma estrada
Em círculo,
Bela,
Sem fim
Nem começo.

Apenas a certeza
Do caminhar,
Lento,
Contemplativo,
A observar.

As águas do rio do tempo
Aquecem a alma,
Sinuosamente acalmam,
Trazendo caminhos
Em vales de silêncio.

Desconstrução

De um
Partes,
De partes
Pedaços,
De pedaços
Partículas,
De partículas
Pó,
De pó
O nada,
Do nada
O todo.

E só

A solidez
Que desmancha no ar
Cores
Sintéticas.

O horizonte
Rubro
Azul
Do poente.

O espaço
Compartilhado
Do presente.

E só,
E só
E só.

Agora

O rio mar
Do eco do instante
Convite
Sorriso
Vento
Contente
Do destino
A gargalhar.

Peripécias
Mil
Ele te prega:
Caminhos,
Descaminhos,
Recaminhos.

Mas quando percebes
Não há caminho
No agora.
Ele existe
Sólido
Pulsando.

Solução

Desta vida nada
Se leva,
Desta vida tudo
Releva,
Nesta vida apenas
Entrega
Em um rio
Sem fim.

Os compassos alternados,
Alternadamente belos,
Ecoam o começo do tempo,
Ecoam o começo do mundo,
E mostram
Algo mais.

Esse algo
Que vai tão à frente
Descortina a História
E chega além.

Então o mergulho no instante,
Então o eterno presente,
Então o ultrapassar
E dissolver-se.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mãe

Todo gesto ético
Deve ser Político,
Todo gesto estético
Intrinsecamente estético.

Todo gesto deve ser gesto,
Todo passo passo,
Todo caminhar erguido
Todo horizonte infinito.

Todo amanhã existe
Aguardando o convite
Da semente do hoje
Ser mãe de filhos.

O meu sorriso ocorre no outro

O meu sorriso ocorre no outro,
A minha alegria
Na vossa,
O meu sentido
No todo.

O meu cantar ocorre no teu
E não há quem possa
Sair dessa bossa
Cantada por Orfeu
Em presente que deu,

Camafeu. E não se socorre
Do rio que brota
E cantiga e brilha
O destino mãe forte
Em abraço que acode.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Que

Que eu morra
De pé
Orgulhoso
Do meu destino.

Que deitado
Me lembre
Que um dia
Se segue ao outro.

Que em dúvida
Pense
Sobre o talvez
E o impossível.

Que triste
Saiba
Que o amanhã
É possibilidade.

E que junto
Tenha certeza
Que o amanhã
É sorriso.

Hoje

Há de ter a terra úmida,
Há de ter o mar infinito,
Em curvas e sonhos,
Em lutas e cafés.

Há de ter o movimento,
Há de ter memória,
Em ideias-horizonte,
Em favelas-canção.

Há de cessar
A morte anônima,
A dor anônima,
A mulher anônima,
O negro anônimo.

Há de ter o diálogo,
Há de ter o amanhã,
E assim viveremos o hoje
Unidos e fortes.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Amigo

Em teus olhos
As minhas dúvidas,
Em teus sorrisos
As minhas alegrias,
Em minhas lágrimas
As tuas tristezas,
Em minhas perguntas
As tuas respostas.

Em meu suspiro
A tua saudade,
Em meu sentido
O teu horizonte,
Em tua busca
A minha ânsia,
Em teu caminho
O meu caminho.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Sonhos

Sonho que se sonha só
É talvez impossível,
É pergunta sem resposta,
É dia sem noite
Em um círculo perfeito.

Mas sonho que se sonha junto
É horizonte sorriso,
É mar convite,
É céu tão alto
De nuvens pintura,
É criar o amanhã
E fluir no tempo,
É viver a beleza
Do sonho que se sonha junto.

sábado, 28 de maio de 2016

Noite talvez

Deixe
Absorver esse rio
Essas
Cores
Essas vozes
Em eco,
Essa meia luz.

São vidas
Horizontes
Dúvidas
Certezas
(No fundo
Mais dúvidas
Que certezas)
Mas elas
Nesse momento
Estão em suspenso.

O sorriso fácil
Do descanso buscado
Ansiosamente
Aguardado
Que sai
Da espiral.

O não lugar
No não tempo,
O instante
Em trânsito.

A garrafa
Quebrada
Ao seu lado
Mostra como é frágil
Essa suspensão.

Um violão toca ao fundo
Uma melodia
Irreconhecível,
Ainda bem
Não há espelho,
Tampoco reconhecível seria
Aquela imagem
Esfumaçada.

A proteção da noite,
Noite dos descaminhos,
Noite estranha
De toques familiares,
Noite de notívagos perambulantes,
Noite de buscas tão ontem,
Noite de loucos
Tão sãos
Que cantam
Essa noite,
Uma noite talvez.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Rio

Ser sol,
Queimando cores,
Queimando sons,
Queimando toques,
Buscando o horizonte.

O homem busca,
O homem pergunta,
O homem-questão
Entende.

Não há mais nada,
Não há mais movimento,
Não há mais dúvida:
A vida é rio.

E

E o momento diálogo
E o momento presente,
E o momento constante
É eterno.

E o instante de rio
E o sorriso lá fora,
E o contente agora
É redondo.

E o canto lá fora
E o manto de cores,
E o toque agora
Do infinito.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Corpo Mulher

O teu olhar não conspurcará
O meu corpo-templo.
O meu corpo-vivo,
Corpo-curvas,
É corpo-horizonte.

O teu corpo-a-corpo
Em meu corpo-santo,
Em meu corpo-mundo,
Em meu corpo-baixo
É nada.

O teu corpo-bixo
Em meu corpo-inerte,
Em meu corpo-chaga,
Em meu corpo-dor,
Em meu corpo-morte.

O meu corpo-santo,
O meu corpo-glória,
O meu corpo-luz,
O meu corpo-som,
É lindo e belo corpo-corpo.

Há de vencer

Há de vencer
O meu sorriso
O teu desprezo,
O meu canto
A tua tristeza,
A minha voz
A tua dor.

Há de vencer.

Há de vencer
A minha poesia
A tua prosa,
O meu verso
O teu desdizer,
A minha rima
Os teus descaminhos.

Há de vencer!

Há de vencer
A minha dúvida
A tua certeza,
A minha busca
A tua perda,
O meu aplauso
O teu silêncio.

Há de vencer!

Há de vencer
A beleza
O teu monstro,
A dança
A tua imobilidade,
As utopias
O teu fim.

domingo, 22 de maio de 2016

Sendo

Arte sendo arte é pergunta,
Arte sendo arte são cores,
Arte sendo arte é o homem
Sendo deus.

Arte sendo arte é mudança,
Arte sendo arte são lágrimas,
Arte sendo arte é sangue
Sendo quente.

Arte sendo arte é rio sem margem,
Arte sendo arte são impulsos,
Arte sendo arte é parte
De algo maior.

sábado, 21 de maio de 2016

Voz

E eles surdos
Viam a dança
E os achavam loucos
Pois não ouviam a música.

E eles cegos
Ouviam a música
E achavam barulho
Pois não viam o sentido.

E eles mudos
Sabiam da voz
Mas ignoravam
O seu alcance.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Infinito

Ah, o infinito.
Tem cheiro de chuva,
Sabor de mel,
Toque de seda
Olhar de sorriso
E música de silêncios.

Ah, o infinito.
Tão longe,
De repente tão perto,
De repente o incerto
Se descortina.

Ah, o infinito.
Tem corpo de amante,
Luz de mil fogos,
Calor de mil beijos,
E abraço de mãe.

Ah, o infinito.
Em seus braços me embalo,
Docemente,
Sabendo que o tempo é ilusão,
Sabendo que o todo é ilusão,
Sabendo que eu sou ilusão,
E que a única certeza
É a sua presença.

Calma

O eterno presente,
O eterno instante,
O eterno momento
De um simples
Acontecer.

É curva redonda,
É olhar curvo,
É abrir os olhos
E encontrar
O Todo à disposição.

É tanto sentido,
É tanto encontro,
É tanto presente
E tanto sorriso
Que a vida
Acalma.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Possível

São palavras e luzes,
São copos,
Fumaça,
Sons ritmados,
São corpos,
São olhares,
São encontros,
São movimentos
Semiluz,
Consciência
Do efêmero
Fugaz
Buscando
O impossível.

domingo, 15 de maio de 2016

Agora

Além do lugar comum,
Há o espaço sem tempo,
A música de luzes e cores,
O verso de sombras e cheiros,
O gosto do beijo
Do infinito
Tão simples
Singelo
E belo
Em sua presença
Pois a vida segue
E o horizonte existe,
E os caminhos levam,
E as estradas trazem
Notícias
De mundos distantes
Chamando o agora.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Gato

Pensa a mulher no gato
Que pensa a mulher
E espera.

Olha a mulher para o gato
Que olha distante
O horizonte.

Acaricia a mulher o gato
Que acalentado
Se regozija.

Dorme a mulher e o gato
Ao seu lado dormindo
Sorri.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Festa

A experiência de festa,
De corpos,
De luzes,
De sorrisos
E olhares.

O ritmo,
O compasso,
O baixo
No coração.

A possibilidade,
A certeza
Efêmera
E completa
Em si.

Então não há dúvida,
Não há pergunta
Nem tristeza
Só o mar
Impessoal
A cantar.

sábado, 30 de abril de 2016

Cinza

Naqueles dias
De horizonte cinza
E cores azuis,
Você quer sonhar
Mas está cansado,
Você quer viver
Mas está cansado,
Você quer pular
Mas está cansado,
E pergunta a deus,
Já com a alma adormecida,
Por que?
Mas sua ligação
Cai na secretária eletrônica
Pois ele não trabalha
Em dias chuvosos.

A única luz
É a brasa do cigarro
Que te consome
Ao lado do copo
Já vazio,
O vento gelado
Te arrepia,
E você pergunta
E pergunta
Mas não há resposta.

Com os cabelos brancos
Fustigados
Você olha e não vê,
Você pensa e não sente,
Apenas distância
E intempérie.

Mas você procura
No íntimo
E sabe
Que o inverno é estação passageira,
Que a terra só seca é morta,
Que o tempo é círculo
E que o frio é frio pois há o quente,
E então entrega
E dorme
O sono dos justos.

domingo, 24 de abril de 2016

Lua

Lua
Sua linda
Sua clara
Suas manchas
Embelezam
O seu sorriso
O seu brilho
Redondo
Sua presença
Ofusca
Suas estrelas
Dialogam
Seu tempo
Imemorial
Suas marés
E mares
Seus filhos
E mães
Suas cores
Amores
Sua alva
Contente
Tão perto
E distante
Berço
De loucos
Sãos
Ao seu lado
Um torpor
Tranquilo
Perpassa
Minha alma.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A descoberta

Descobrir,
Entender,
Se colocar.

Começar as perguntas
Expressas em um cabelo colorido,
Começar o conhecimento
Do outro, do todo e de si.

Um riso já nem tão inocente
Ainda marcado
Por um quê de pureza
E malícia.

Uma foto,
Uma experiência,
O enfrentar do limite,
O desvelamento do novo.

As roupas rasgadas,
Não mais,
E de novo.

Os amigos para sempre,
Não mais,
E de novo.

Caminhar
Rumo ao desconhecido
Vivendo a aventura
Da vida.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Utopia

Nascida no esterco,
Feita de carbono e sonhos,
Forjada em corações sedentos
De algo mais, de algo melhor,
Ela periga.

Geneticamente modificada
Pela guerra atômica,
Uma flor de dois bulbos,
Ela periga
Pelo jogo de Lear.

Suas pétalas caem
Nesse inverno duradouro,
Inverno sem dia nem sol,
Frio para os ossos e a alma.

Mas ela é maior que nós,
Ela sobrevive à história,
Ela é hidra de infinitas cabeças,
Ela é medusa sem escudo,
Ela é o caminho que virá,
Mais tarde, mas virá.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

São Paulo

O horizonte de retângulos
Branco-cinzas,
Vias, marginais, rodovias,
O condomínio de luxo
E a favela desleixo
Do Estado,
Proposital.

Lá longe algumas árvores,
Lá longe alguns rios,
Lá longe alguma esperança
Misturada a uma fumaça tóxica.

Os relógios indicam a qualidade do ar,
Os relógios indicam o engarrafamento
Que se alimenta guloso
Dos seus dias de vida.

Em uma garrafa um pedido de socorro,
Em um muro uma paisagem urbana,
Em um grafite um profeta,
Em uma sala economia,
Em uma indústria negócio,
Em uma cidade cidadãos,
Uns mais,
Uns menos.

Na Cantareira não há água,
Nos lagos não há água,
Nas nuvens não há água,
Nem o céu triste
Consegue chorar.

Paulicéia possibilidade,
Paulicéia de 22,
Desvairada e louca,
Paulicéia bandeirante,
Paulicéia imigrante,
Paulicéia quebrada e rap,
Paulicéia linda e megalopolítica,
Tão perto e distante.

Me despido, já volto,
Guardo suas contradições,
São as minhas,
Guardo suas questões,
Me as faço,
Guardo rostos distintos
Enquanto a sombra desse avião passeia
Beijando a terra das oportunidades
Desiguais.

domingo, 17 de abril de 2016

E então

E as luzes do horizonte,
E as cores do horizonte,
E os caminhos do horizonte
Chamam.

E você escuta,
E você vive,
E você vive
O infinito do horizonte.

E então tudo é sim,
E então tudo é eco,
E então tudo é simples
O singelo sentir.

E eis o sentido,
E eis o convite,
E eis o perdão,
E eis o todo,
Que se afirma,
Que confirma,
O perfeito
Sentir.

sábado, 9 de abril de 2016

Sim

Elas estão cantando,
Elas estão chamando,
Elas estão pedindo
O momento do sim.
O tempo sem tempo,
O tempo sem dor,
O tempo enfim
Do saber e do sim.
E o sim é sentido,
E o sim é convite,
E o sim é certeza
De um brilho sem fim.
Então é tão claro,
Então é tão certo,
Então é tão perto
Do todo a sorrir.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Adiposo

Ou o sentido,
A busca constante,
O horizonte e o mar,
Ou nada.

Ou a arte,
A poesia da vida,
A liberdade,
O infinito,
O grito,
A busca,
A busca,
Ou nada.

O caminho do meio
Seguro,
Medíocre
E adiposo
Já nos é garantido.

Ou a expressão,
A possibilidade,
A sinestesia,
A rima,
A metáfora perfeita,
Ou nada.

Ou a plenitude,
O vôo,
A graça,
A busca,
A libertação,
Ou nada.

Assim,
Quando a escuridão última chegar,
Poderemos sorrindo dizer:
Venha, vivi.

sábado, 2 de abril de 2016

A Casa

Como contar o que se passou naquela casa? Como contar o que não consigo entender? Como contar o que não se pode entender? Como contar todos aqueles momentos passados, como contar todas aquelas histórias nas paredes, nos móveis, no espelho, na mesa, na cama, na cama, na cama, como contar as lágrimas sorrisos alegrias saudades que a contaminam? A porta se abre e um mundo de histórias emerge. Por quê? Por quê? Estou tentando entender. A moça do brinco de pérola me olhava. No café da manhã, no almoço, no jantar. Lá estava ela, de perfil, aqueles olhos negros que me perguntavam, me pediam, me davam bom dia e boa noite. Os ciprestes holandeses em brasas queimavam galhos folhas o céu e minha alma. A loucura a loucura a loucura. Escrevia. Escrevia para aliviar o peso, escrevia para buscar o sentido, escrevia para poder respirar. Escrevia. Mas a casa-caverna deixava só uma nesga de céu. A luz lá fora incomoda. Casa-túmulo. Casa-refúgio. Aquele espelho recordação onde mais de uma vez perguntei ‘quem é aquele?’ quando sabia já ser impossível a resposta, espelho-mar espelho-ilusão. Aquela poltrona-abraço-leão-de-chácara da qual não se podia sair. Aquela parede recortes fotos textos citações poemas sobrepostos do piso ao teto. A possibilidade-expressão e a mudez. A horrorosa mudez, intragável. É preciso contar, é preciso e as cinzas e a casa. Uma noite semiluz amigos cigarros bebidas música sorriso, uma noite desejo suor toque prazer, uma tarde almoço bem-vindos sentem-se é um prazer. Mas o passado o passado o passado. Casa-pretérito-imperfeito. Casa por quê? Casa como aconteceu? Casa sem tempo no hoje. E aqueles quadros, e aqueles olhares, e aquela mulher cubana sem nome que me convidava e aquela menina cubana que me olhava e aquela família a óleo. A escada que subia rumo ao centro da terra. Mas a mesa, a mesa-café mesa-almoço mesa-jantar mesa-amor mesa-conversa mesa-suja mesa-suor mesa-sexo mesa-sala mesa-bem-vindos mesa-mesa mesa-madeira-e-vidro-e-textos-e-lembranças. Precisava sair, mas não podia. A casa uma porta só de entrada, casa-labirinto casa-minotauro casa-medusa. Comia as migalhas de pão que havia deixado no caminho para não morrer de inanição. E na floresta comia os livros, devorava-os. Livros-sede livros-água-do-mar, livros-incêndio. Mas atravessei uma ponte de palavras, e agora um sorriso quando do outro lado da rua vejo a casa rubra em chamas.

sábado, 26 de março de 2016

Desejo

Que você seja,
Que nunca se arrependa
De não ter feito,
Que você cresça
E veja o mundo grande-pequeno,
Que busque,
Encontre,
Se perca
E encontre novamente,
E novamente,
E novamente,
Já que terá escolhido
A aventura de viver.

Que conheça,
Que ame,
Que veja,
Que veja!
Pois o mundo acontece
Apenas para quem mergulha
De olhos abertos.

Que tenha compaixão,
Que a dor alheia
Seja a sua dor,
Que tenha abraços
Para dar e receber,
Que se conheça
Para o dia do não,
Que se abra
Para o dia do sim.

Que tenha sempre novos horizontes,
Novos sonhos,
Novos mundos,
Que te tome
A sede infinita do outro,
E que tendo dado e recebido
Tanto,
Mas tanto,
Seu coração permaneça
Eternamente jovem.

Samba

O berço tradição
O berço canção
O berço refrão
De um samba raiz.

O calor movimento,
O sabor movimento,
O suor movimento
Em um samba raiz.

O pedido rogo,
A poesia rogo,
A oração rogo
Dentro de um samba raiz.

A letra lapa,
A luz lapa,
Os olhares lapa
Por um samba raiz.

domingo, 20 de março de 2016

Caminhar

O prazer de viver,
O prazer de ver
O acontecer da vida.

Um sorriso, um olhar,
Uma lembrança, um futuro,
Um caminho, um talvez.

O reencontro da esperança,
O encontro do mar,
Do horizonte e do céu.

Amanhã

O rio de luzes
Do amanhã,
O caminho
Sem fim
Rumo ao horizonte,
A certeza
Incerta
Do gesto,
A realidade
Impossível
A se desvelar.

As vozes
Revelam que é doce,
Revelam que há esperança
E que ainda há o sorrir.

Barbárie

C
O
N
T
R
ABARBÁRIESÓHÁ
                              R
                              T
                              E

Manifesto

A arte que grita,
A arte que chora,
A arte que reflete
E faz pensar.

A arte que cria,
A arte convite,
A arte que dos esgotos
Brota uma flor.

A arte ideia,
A arte impacto,
A arte porta
Sem chaves.

A arte horizonte,
A arte chamado,
A arte que torna possível
O impossível.

É essa arte
Ou nada.

sábado, 19 de março de 2016

Urbe

Arte nua,
Arte de rua
A vida nua
De meias palavras.

Arte de cores
Arte de vozes
Que afirmam.

De nomes arte
Da urbe parte
Em paisagem.

Ainda

Ainda há luz,
Ainda há sol,
Ainda há amanhã
Ainda há som,
O reggae,
O rock.

Ainda há cores,
Ainda amores,
Ainda sorrisos,
Sinceros
E amplos.

Ainda há o ar,
Ainda o verde,
Ainda o azul,
Do mar
E espuma.

Ainda haverá
Uma nova manhã
No rio,
Tão longo
E largo
Do futuro.

sábado, 12 de março de 2016

Vida

O mesmo
Momento
Da vida
Lembranças
A chorar e a sorrir
Mostra
Que foi
Vivida.

O ponto de equilíbrio

O ponto tão tênue,
O ponto tão pequenamente grande,
O ponto tão ponto
É então espaço
Infinito.

O ponto tão eco,
O ponto tão rei,
O ponto tão terra
É refrão
Sem fim.

As vozes do ponto,
O ritmo do ponto,
O louvor do ponto
Chega
Aos céus.

É rio sem margem,
É mar sem praia
É estrelas sem céu
No brilho
Perfeito.

sábado, 5 de março de 2016

Agridoce

É doce por poder existir
É doce o doce sentir
Da lembrança.

A dor no
Coração
Por estares
Distante.

Os olhos
E sorrisos
Guardados.

Esteja
Aqui
E vamos
Tomar
O caminho
Infinito.

Condição

Ser mulher
É ser forte,
É ser berço,
É ser mãe
E ser mais.

Ser mulher
É encanto,
É perfume,
É sorriso
E dor.

Ser mulher
É revoltar-se oprimida,
É levantar-se violentada,
É entregar-se decidida
E ser forte.

E na força de ser mulher
Ser mulher
É superar-se,
Abraçar o mundo
No calor de seu colo
E criar o novo
Sonhando o amanhã.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Ecos

São ecos
São ecos que fazem sentido
São ecos que nos trazem até aqui
São ecos do ontem
São ecos.

São ecos
São ecos de refrões de blues
São ecos de senões esquecidos
São ecos de canções sutis
São ecos.

São ecos
São ecos de brilhos presentes
São ecos de tons e luzes
São ecos de cores
São ecos.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Homem

Era uma vez um engenheiro
De diploma na mão
E sonhos no bolso.

Era uma vez um engenheiro
Com régua, papel
Computador e cálculos.

Era uma vez um engenheiro
Mas o mundo
Não é feito de números.

Era uma vez um engenheiro
Mas as palavras
Chamaram a sua atenção.

Era uma vez um menino
Que de engenheiro
Tornou-se homem.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Pulso

O ar que beija a pele,
A luz que acaricia os olhos,
O som ritmado
Que abraça a alma.

Soma.
Líquida.

O todo está aqui,
O sim está aqui,
O olhar doce
Presente.

Dissolução
No infinito,
No mar
E no horizonte.

Pulsações.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Vertigem

A vertigem do tempo,
A vertigem do tanto,
A vertigem tamanha
Que me trouxe até
Aqui.

Agora.

Mo
Mento.

Enfim

A poesia do tempo,
O fogo da noite,
O som infinito
Preenchido.

O rio da história,
O caminho da vida,
O amor do sorriso
E o toque de sim.

A beleza enfim,
O sentido enfim,
A perfeição
E alegria.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

História

Passos no cascalho,
Pássaros ao fundo,
Um sol a aquecer o frio
Um horizonte a esquecer o ontem.

Uma pedra
Que revela o toque de seda,
Desvela tamanha beleza
E pura poesia encerra.

Ela tem alma
Pela mão humana forjada,
Pelo sonho humano sonhado,
Que se afasta do sopro da terra.

Ela me olha.
Em seus fundos olhos brancos
Vejo os mitos que me trouxeram aqui
E então pertenço à história.

Poesia

As luzes,
As vozes,
Os ecos
E toques.

As cores,
As músicas,
Os gostos,
As vozes.

Os brilhos,
Os fogos,
As águas,
Os olhos.

Os sorrisos,
Os sons,
Os sonetos
E sentidos.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

L'infinitudine

La possibilità del'infinito
La possibilità del sentire
In un viaggio di bellezza.

Inifinitudine senza limiti
Con il cuore caldo
In un cielo blu.

Il sorriso bianco
Per l'orizzonte così grande
Che chiama e si apre.

Non c'è frontiera,
Non c'è ostacolo
Non c'è più niente.

Essere un essere
Pieno d'amore
Per la Vita e il Tutto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quente

Abraço meu sisifo
No abraço quente
Dos meus dias que virão.

Refaço o fato
Reforço o fato
De um rubro existir.

O olhar que descobre
O olhar que desvela
As cores do cinza.

Então tudo é belo
Então tudo é tanto
Então tudo é sim.

Noite

Noite
Convite,
Um sorriso branco,
Um céu escuro,
Com estrelas a cantar.

Tua música de vozes,
Tuas luzes desfocadas,
Teus filhos desfigurados
Em um mar pastoso.

Te aguardo fria,
Em meus olhos quentes
De sentido ardentes
Serás minha
Para sempre.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Passeio

Um passeio no parque,
Continuidade,
Um passeio em parte
Todo.

A música das flores
De tantos amores
De tantos destinos
De tantos sorrisos
A estarem aqui.

Diálogo
De cores
De céus
De luas
E sentidos.

A natureza
Se desdobra
Se renova
E abraça
Mãe.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Terra

O canto da vida,
A poesia da vida,
O som convida
Em profundo existir.

A água da vida
Em imagens e cores,
O templo do todo
Com coloridos vitrais.

O pedido em rogo,
As luzes em velas
O mar todo sim
Ao céu puro enfim.

O azul infinito
De amores e nuvens,
O rio reflexo
Da estrela tão bela.

A Terra abraço
E um momento fugaz.
Em seus doces braços
A vida e a paz.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Maracutaia

O estado de transe,
O estado em trânsito,
Um estado sorte
De existir.

Um estado de cores,
Um estado de corpos
Infinitos
A ecoar.

O refrão do tempo,
Os versos sorrisos
Das rimas
Contentes.

Encontro enfim,
Encontro a mãe
Encontro o som
E o sim.

Chuva

Maracutaia é canto sem dor
É canto do meu tambor.

Maracutaia é canto sem dor
É canto do meu tambor.

Maracutaia é canto sem dor
É canto do meu tambor.

Maracutaia é canto sem dor
É canto do meu tambor.

No som da roda estarei
O sal contato do rei.

No som da roda estarei
O sal contato do rei.

No som da roda estarei
O sal contato do rei.

No som da roda estarei
O sal contato do rei.

O doce contato da terra
Em dia de chuva sem guerra.

O doce contato da terra
Em dia de chuva sem guerra.

O doce contato da terra
Em dia de chuva sem guerra.

O doce contato da terra
Em dia de chuva sem guerra.

Saia

A saia que vinha rodada
Do longe horizonte eu ganhei.

A saia que vinha rodada
Do longe horizonte eu ganhei.

A saia que vinha rodada
Do longe horizonte eu ganhei.

A saia que vinha rodada
Do longe horizonte eu ganhei.

O monte que eu escalei
Buscando a ti meu amor.

O monte que eu escalei
Buscando a ti meu amor.

O monte que eu escalei
Buscando a ti meu amor.

O monte que eu escalei
Buscando a ti meu amor.

Então para sempre estarei
Onde a lua encontra  sol.

Então para sempre estarei
Onde a lua encontra o sol.

Então para sempre estarei
Onde a lua encontra o sol.

Então para sempre estarei
Onde a lua encontra o sol.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Dia e Noite

O rio da vida
Em noite estrelada
Rumo ao horizonte.

O vento convida,
Em sussurros afaga
E retorna à fonte.

O amanhã que desperta
De um fluxo infinito
Suavemente passeando.

A manhã que oferta
Da lua o mito
Na alma pulsando.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mergulho

O horizonte ondulante,
O mar espesso,
O toque do gelo
Em uma tarde de verão.

A cachoeira tão doce,
Os vazios tão cheios,
A lua tão sol,
Chuva encharca a terra.

Chuva encharca os montes,
Chuva encharca os vales,
Chuva encharca os rios,
Soluços que abarcam soluções.

Um mundo sem senões,
Sem sanções, refrões,
Sem classes, perdões,
Rios infinitos.

O mergulho no rito,
O mergulho convicto,
O barulho música,
Pendularmente singelo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sete

O túnel de luz
Ao infinito conduz
Sem piedade.

O gosto seduz,
O doce sabor
Da vida.

O perfume da flor,
O suave candor
Da alma.

O desabrochar do todo,
O mar horizonte
Azulmente próximo.

A música liberdade,
O refrão de amor
E cores.

Então sincera,
É tão singela,
Suavidade.

Um ar de seda,
Um toque enfim
No embalo do sim.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O homem

Quem sou o homem?
Sou a mãe das questões,
Sou Sísifo e a montanha,
Sou Édipo, o enigma e a esfinge,
O sim e o não.
Pai das ninfas e dos deuses,
Dos conceitos e do olhar.
Um ser-quase,
Que na incompletude
Completo se constrói.
Me tentam ser-menos,
Busco ser-mais.
Busco a irremediável falta
Mas encontro o sol da manhã
E não há mais busca.
Nado no oceano da loucura,
Mergulho em reflexos de estrelas,
E no coração uma lua.
Cheia.
Emerjo e a noite me beija
E me embala.
Existo.
E isso é belo,
E isso é tudo.

(02/04/15)

Vá

Vá,
Vá para o mundo,
Vá para longe,
Vá para perto
De todos.
Vá respirar o ar,
Vá flutuar,
Vá ver
A beleza,
Viver
Tão alto
Tão perto
Da lua.
Vá sentir o uivo
Da rua.
Vá ver o mundo
Se dissolver
A seus pés.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Existir

As cores pulsando,
Movimentos de formas
Em ecos disformes,
Substituição
Do real
Por um novo horizonte
De pássaros em nuvens olhando o infinito,
De passos seguros singrando os sons,
De mares abertos chamando sinceros,
De fluxo de tons singelos,
Trazendo a certeza
Do tão belo existir.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Pinceladas

Em uma pintura
O horizonte vermelho sangue,
As nuvens tão altas,
O azul claro escuro profundo,
As montanhas sólidas,
O mar líquido
De ondas de neve,
A música ambiente
De acordes de cores,
As vidas em fluxo,
As vidas em rastro,
Linhas ondulantes sem destino,
Luzes preenchendo o amanhã,
Lampejos do sincero porvir
Nos ventos
Da perfeição.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Sentir

Na dança tão longe,
No movimento tão perto,
E no canto tão certo
O olhar responde.

No vento tão doce,
No passo tão sim,
No caminho enfim
O sentido floresce.

Em suas pétalas douradas,
Em suas certas canções,
Em tão claros clarões,
A entrega esperada.

Sente-se tudo,
Sente-se luz,
Sente-se sombra,
Sente-se todo.