domingo, 23 de março de 2014

Experiência de Chuva

Chove,
Lá fora chove,
Cântaros.
Vejo a vida através de duas janelas úmidas,
O mundo se torna baço
Na entrega a um abraço sem mim
No gotejar pastoso sem fim
Na certeza da permanência da dúvida.

Chove,
Aqui dentro chove,
Coração convertido em pântano,
Torvelinho de folhas a voar.
O cheiro de grama no espesso ar,
Relâmpagos que iluminam meu pasmo olhar
E reafirmam a nossa pequenez,
Matam a insensatez de se pensar dono
De algo, de alguém,
Ou de si.

Assim como veio
Cessa a chuva em alguns instantes
Trazendo de volta o perdido sono,
Trazendo de volta o suave cantar
Dos pássaros, das mulheres e da alma.
Da cidade cessa o silêncio
E a vida volta
A seu lugar.

sábado, 8 de março de 2014

Perguntas

Que olhos são esses que me olham?
Que lábios são esses que me falam
Tudo o que eu não quero ouvir?
Essa barba por fazer há dias,
Esse sorriso insone,
Uma expressão de dicotomia
Marcada pelo labirinto.

Vejo a sua carne crua
A sua pele nua
A máscara há muito se foi.

Eu sinto,
Eu sei.
Ainda descobrirei quem é esse
Do outro lado do espelho.