sábado, 31 de outubro de 2015

Círculo

As notas graves
Marcam o chamado
Em meio às vozes
Em busca do todo.

As notas agudas
Marcam o grito
Em meio ao silêncio
Da ausência de sentido.

Mas chega o refrão,
Chega a possibilidade,
E a alma é pura entrega
Pois plena
E redonda
Se realiza.

Agora

A doce busca
Se transforma em encontro
Quando o tom harmônico
É encontrado.

Os solos de si,
Os refrões de sentido,
As estrofes de entrega
São os versos poéticos.

De repente não há mais nada,
De repente o sorriso,
De repente o presente momento
É perfeito.

São ecos felizes
De versos assimétricos
Pois a razão
É encontrada:

Compartilhar a vida,
Compartilhar a dúvida,
Escutar o som
E viver a certeza.

Em cantos dissonantes,
Em danças dissonantes,
A verdade se mostra:
Só há o agora.

Escala

Eis então o puro som,
Eco do movimento primeiro,
Reflexo do brilho primeiro
Que nos trouxe até aqui.

São vozes dispersas,
São almas dispersas,
Perdidas em busca
De um autêntico viver.

Mas chega o momento
Em que tudo é sim,
Tudo é pleno,
Tudo é reflexo de uma escala
Solfejada em brilho perfeito
Pois o infinito
Se afirma
No sincero sentir.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fractal

Queima
O palimpsesto
Devagar.

Vejo figuras geométricas
De círculos perfeitos
E iterações perfeitas
Em busca do infinito.

Leio não letras mas espaços,
Não estrofes mas intervalos,
Não poemas mas vazios.

Brilha
O fractal
Colorido.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Balanço

Vão e vem os sonhos,
O frio na barriga,
Os cabelos ao vento
E o sorriso no rosto.

Pernas escolhidas,
Pernas esticadas,
O doce zumbido
E a possibilidade de ir mais longe.

O medo ficou lá fora,
Aqui tão contente
Se pode balançar.

O mundo ficou lá fora,
Aqui só o presente
E o beijo do ar.

domingo, 25 de outubro de 2015

Com você

O brilho dos teus olhos
Castanhamente doces
Beija minha boca
E me deixa calar.

O toque do teu sorriso
Calorosamente branco
Abraça o meu corpo
E então a voar

Aos verdes campos infinitos,
Aos rubros mantos do céu,
Aos suaves cantos do mar,

Chegamos ao horizonte enfim,
Somos a ponte sem fim
Para um reino de sonhos e papel.

sábado, 24 de outubro de 2015

Questões

Como viver desperto
Em um mundo que dorme?
Como viver sorrindo sendo seguindo
Quando a ilusão da solidão
Bate a porta
Palpavelmente?

As montanhas,
Refúgio dos deuses e imortais,
O vazio,
Lar dos desesperançosos,
O sonho de grandeza,
Abrigo dos vazios de coração.

Ou isso ou amar,
Amar, desamar e reamar,
Amar e malamar,
A saudade tácita,
O beijo implícito,
O toque contido
E o abraço de ontem.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Insistência

Giram giram girassóis,
Solta solta ondas do mar,
Beijam beijam beija-flores
Sem sequer duvidar.

Pedem pedem mudos pedintes,
Ouvem ouvem surdos ouvintes,
Vivem vivem viv'almas,
Sentem sentem a calma eterna.

Mas canta canta cata-vento,
Venta venta ventania,
Fia fia filha eterna,
Pernas pernas para que te quero.

Olhos olhos olham e vêem,
Tocam tocam o toque das flores,
Bocas bocas abocanham o sentido
E se entregam no infinito, aqui e agora.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Corpo (VI)

As palavras de teus pés nos sustentam,
De tuas pernas se alongam,
De tua bunda se arredondam,
De tua boca se aprofundam,
De tuas costas planície,
De tua barriga alimento,
De teus mamilos círculos,
De teu colo colo,
De teus braços abraços,
De tuas mãos direções,
De teu pescoço alturas
E de teus lábios os meus.

Corpo (V)

Minha letra tremida
De medos e dores,
Manchadas de lágrimas,
Desenham o teu corpo quente.

Lembranças há muito passadas
De um tempo esquecido
Mas ainda presente
Quando olhava o horizonte

E só via o azul concreto
Em meio ao deserto
Achando-me certo
De um duro existir.

Agora seguro, decerto,
O céu sorri
Pois em teus braços
Tudo está bem.

domingo, 18 de outubro de 2015

Olhar

O rio ruidoso
Que nos leva,
O sol quente
Que acalma
E a lua de lágrimas
Que sorri.

O canto do pássaro,
O céu azul,
O véu de pétalas
Do instante presente.

Apenas uma certeza
Se mostra:
De olhar para a frente e ver
O caminho perfeito.

Corpo (IV)

Em tua pele conjugo verbos,
Declino metáforas
E transcrevo o fluxo
Em busca da perfeita
Semântica.

Uma gramática de toques
Em uma oração assindética
De um período composto
Que se revela
No olhar.

A etimologia de nós,
A metonímia do todo
E o paradoxo do tempo
Acontecendo
Agora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Corpo (III)

Neste livro sem páginas,
Neste sonho acordado,
Neste caderno sem pauta,
Nesta poesia silenciosa
Apenas o infinito.

Nesta lua quente,
Nesta estrada de curvas,
Nesta música de cores,
Nestes mares sem costa
O toque sedoso.

Nestes tecidos sem fio,
Nestes precipícios sem queda,
Nestes mapas sem fim,
Nestas possibilidades certas
A metáfora perfeita.

Nestas alturas planas,
Nestas superfícies profundas,
Nestas nuvens de sal
A morte
E a eternidade.

Corpo (II)

Meus versos côncavos
Em tuas curvas convexas,
Meu olhar sobre o mundo
Derramado em ti,
O sentir tão fundo
Da experiência complexa
Da sinestesia.

Tua superfície me completa,
De tuas montanhas vejo tão longe,
Além do horizonte,
Vejo rios e mares e terras sem fim,
Vidas, estios e as tempestades enfim
Que encharcam a sede seca
Da terra semimorta.

De tua imagem a alma absorta
Relembra as ninfas, as deusas e os mitos,
Os sóis, as luas e a beleza,
E de te ver tão nua
Emudece.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Corpo

Teu corpo guarda meus versos,
Teus seios, minhas metáforas e boca.
Escrevo sobre o infinito em tuas coxas,
Em teu centro, a origem de tudo.

Sobre tua pele me inclino mudo,
Longas orações dos braços aos pés
Manuscritas sinuosamente.

Sobre teu coração meus beijos e rimas,
Sobre teu ventre desejos e finas
Letras compondo canções.

Olho esse templo com a fé
De que não pode a humana mente
Conceber algo mais belo
E me entrego no mergulho singelo
De te ter em meus braços.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O que é arte

A arte é o ar
Que não se vê mas se respira,
A arte é amar
Incomensuravelmente.

A arte aos anjos aspira
Criando formas sons e cores,
É beleza que se sente
Em um movimento tão rente.

A arte é dor
Onde se mergulha com prazer,
A arte é ardor
Onde se busca viver e morrer.

Na pureza de um riso de criança
A arte é o homem
Construindo o mundo
Para atingir o infinito.

domingo, 11 de outubro de 2015

Amigos

O conforto da presença
O conforto da palavra partilhada
E o sentir-se
Bem.

O bom receber
Lembranças à parte
E uma pitada
De horizontes.

Então a música,
Então o copo
E as tantas histórias
E os tantos momentos
Que nos trouxeram
Aqui.

sábado, 10 de outubro de 2015

Arte

A arte é entrega
É morte
Em vida.
É ar
E conexão.

Além dela o deserto,
Além dela o incerto
E o surdo
Sentir.

Em seu seio o sentido,
Em meu peito o pulsar.
Em seu peito o Todo
Em meu sorriso
A alma.

E a música da luz primeira
E o canto dos anjos
Trazem a certeza definitiva
Do valor
Do viver.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Música

E eis o eco da terra
Eis os ventos do infinito,
O beijo do todo
E o abraço tão doce.

Me entrego às cores deslumbrantes
Que sussurram
Em mim.

É música em versos,
É fluxo no mar,
É sonho tão belo,
É a alma derretendo
Por singelo existir.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

E então

Então construiremos nosso castelo
De areia em cima de nuvens
De sonhos doces como um pêssego
Maduro e suculento.

Então o sol aquecerá nossas almas
Enquanto nos traz a certeza
De poder sentir o Todo
E viver verdadeiramente.

Então o mar tocará nossos corpos
Salgados e livres
Despertando as ondas
Do mais puro sentido.

Então nosso olhar será um
Para o horizonte infinito
Ouvindo a música
Das ninfas e dos anjos.

domingo, 4 de outubro de 2015

Ecos

E então ecoam as luzes de sentido
E então ressoa a fundamental origem
Pois tudo é puro movimento
Pois tudo é apenas o momento
Presente.

São tempos contratempos constantes
Incensos, sons e cores,
E ao fundo a afirmação
Que rima com o fluxo
Do ser.

Refrões que refazem o chamado,
Em composições complexamente elaboradas
Pois almejam apenas a simples
Ressonância.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Ode urbana

Ouço o chamado da urbe,
Ouço-a chamando quente
A possibilidade de sentir-se
Parte.

Suas ruas e praças
São veias, são nervos,
Convidando ao tão esperado
Sentido.

Feita de sonhos e cruzamentos,
Projetos, imagens e pontes,
Ela se entrega
Nessa rubra noite.

Sua estação terminal
É minha expectativa singela,
Afinal, tão bela,
Ela é meu começo e meu fim.

Sonhar

Então vôo em meio a rubro céu
Infinito de possibilidades e cores,
Então nado em meio a doce véu
De estrelas, de sons e e de amores.

Um elefante rosa me olha,
Perguntando-me duvidoso,
Um refrão cai tal suave folha
Afirmando o encontro dadivoso.

Eis que acordo e percebo que era sonho
Mas a realidade é sonho que se sonha junto
E então continuo a voar e a sentir risonho

O eco do todo, o momento preciso,
As luzes que cantam o sentido conjunto,
E o momento sólido, solidamente conciso.