sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Corpo (II)

Meus versos côncavos
Em tuas curvas convexas,
Meu olhar sobre o mundo
Derramado em ti,
O sentir tão fundo
Da experiência complexa
Da sinestesia.

Tua superfície me completa,
De tuas montanhas vejo tão longe,
Além do horizonte,
Vejo rios e mares e terras sem fim,
Vidas, estios e as tempestades enfim
Que encharcam a sede seca
Da terra semimorta.

De tua imagem a alma absorta
Relembra as ninfas, as deusas e os mitos,
Os sóis, as luas e a beleza,
E de te ver tão nua
Emudece.