segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite

Após suave e gélido beijo,
Após fechar olhos inertes,
Após o derradeiro lampejo,
O vazio que a alma perverte.

Por que há tão severo algoz?
Por que agora, assim, e então?
Dúvidas com um negrume atroz,
Dúvidas que só admitem o não.

Mas onde ela está eu não estou.
Carregamos a sina de poder
Ver pois viver foi o que nos restou.

Então vivamos. Intensamente.
Pois assim no vizinho adeus do ser
Nos dissolveremos sorridentes.

sábado, 14 de março de 2015

Agora

Com Pedro Vaz

Entro em ressonância com o infinito
Com ele harmonizo
E me destaco do tempo.

Em um corpóreo sorriso
O abandono do ego
Ao presente me entrego.

Em sublime alento
Me desprendo do grito.
Mergulho.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Soneto à Mulher Amante

Contigo troco carícias e sonhos,
Beijos, abraços e mundos,
Esqueço o dia tristonho,
Relembro o prazer profundo.

Nos aquecemos entre lençóis,
Suspiros você me traz.
Do sentir a vasta foz,
De poder a alegria se faz.

Nada te peço, entrego-me todo,
Nada confesso, apenas o lodo
De onde brotará singela flor.

Agradeço a tua existência,
Literatura, pois em sua ausência,
Me tomaria amarga dor.

Nascimento

Nasci no alto verão
Do ano de 2010.
E então comecei
Minha odisseia
Rumo a mim.

Enrugada tez
Cheia de ideias.
Construía sonhos
No caminhar.

A fome de existir
Me tornou retirante.
Peregrino da metáfora,
Viajante do eu,
No zéfiro infinito
Descansava.

Caminhos asfaltava
Procurando seguro
O incerto destino.

Hoje não busco mais.
Buscar é olhar
Para o inatingível amanhã.
Memórias não guardo mais.
Lembrar-se é construir
Um castelo
De vento.

Sou devir.
Contemplo e rimo
O hoje singelo
A sorrir.