quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Dark Side

tomo uma cerveja no Osbar
mais uma vez
hoje a trilha sonora é Dark
Side, olho para cima
são linhas paralelas
quase se encontrando no céu
azul quase sem nuvens

tomo uma cerveja no Osbar
outra vez
começou a tocar Money
e me pergunto por que
seria tão importante esse papel
impresso que só compra angústia
ou desilusão

é, aqui no Osbar, tem cerveja
tem uma alegria invisível
ou quase
tem o ponto de fuga
da altura infinita
e acima esta fileira de casulos
quase todos já apagados
quase todos com um tubinho asceptico

mesmo no centro do Rio
de Janeiro, megalópole maníaca
ainda resta alguma pausa
ainda que de roupa social
que ainda despretensiosa
faça algum sentido

o sax e o piano do Us
and Them, acompanham o vento
do final de tarde
enquanto no gramado algumas folhas
novas balançam, enquanto o pedinte de bermuda azul e cachaça na mão
entra nesse poema por ouvir a música
que vocês também
ainda que silenciosamente
estão ouvindo

passam grupos saindo do trabalho
mulheres de salto
poc poc poc poc
homens de calça e camisa e orgulho
vazio, ruidosos homens
ao lado táxis esperam
esperançosamente qualquer um que queira ir para qualquer lugar
mas de mãos dadas às suas
prefiro não

tem alguém na minha cabeça
mas não sou eu
the lunatic is in my head
the lunatic is in my head
ouve seus risos?
venha comigo
ao lado escuro da lua

sábado, 24 de novembro de 2018

dúvida

por que ainda fazer poemas
por que ainda dizer
por que ainda falar alguma
coisa, não deixar-se
calar, por que ainda escrever
qualquer linha que seja
um rasgo no espaço em branco
da página, por que ainda lutar
por que tentar agir
por quem ainda não tem absolutamente
nada, por que ainda
acordar e ficar de pé
levantar-se e caminhar
dar e receber um abraço
um beijo, um toque
por que não simplesmente desistir
entregar-se ao nada
vazio e calmo
por que correr
e não andar devagarinho
passo
antepasso
por que não tentar
observar
a beleza firme da noite
ferina
obscura
e lâmina
e deixar
de perguntar?

domingo, 11 de novembro de 2018

Casamento

na casa da praia
no domingo de sol
à tarde e vento
tudo é possível

na casa do horizonte esmeralda e barulho de mar
o céu se abre
na passagem das nuvens e ondas
nos lírios gigantes

de ontem, era casamento
um pouco de amor nesses dias cinzas
um pouco de alegria desurbanizada
um pouco da mari e do cássio

a voz e violão
a ressaca da festa de ontem
a lembrança de uma noite feliz

estamos juntos
ombro a ombro
sonhando
um novo mundo