O horizonte de retângulos
Branco-cinzas,
Vias, marginais, rodovias,
O condomínio de luxo
E a favela desleixo
Do Estado,
Proposital.
Lá longe algumas árvores,
Lá longe alguns rios,
Lá longe alguma esperança
Misturada a uma fumaça tóxica.
Os relógios indicam a qualidade do ar,
Os relógios indicam o engarrafamento
Que se alimenta guloso
Dos seus dias de vida.
Em uma garrafa um pedido de socorro,
Em um muro uma paisagem urbana,
Em um grafite um profeta,
Em uma sala economia,
Em uma indústria negócio,
Em uma cidade cidadãos,
Uns mais,
Uns menos.
Na Cantareira não há água,
Nos lagos não há água,
Nas nuvens não há água,
Nem o céu triste
Consegue chorar.
Paulicéia possibilidade,
Paulicéia de 22,
Desvairada e louca,
Paulicéia bandeirante,
Paulicéia imigrante,
Paulicéia quebrada e rap,
Paulicéia linda e megalopolítica,
Tão perto e distante.
Me despido, já volto,
Guardo suas contradições,
São as minhas,
Guardo suas questões,
Me as faço,
Guardo rostos distintos
Enquanto a sombra desse avião passeia
Beijando a terra das oportunidades
Desiguais.