Cante para nós!
Pule, salte, grite!
Não faça da arte um convite,
Mas uma necessidade.
Componha, pinte, escreva!
Que a tua doce voz esteja
Em cada alma sedenta
E em cada olhar de busca.
A tua obra representa
O ouro que o sol ofusca,
A imagem que o cego almeja
E o rouxinol a cantar em rubra manhã.
Mas lembre-se:
Serás como a esponja do mar
Filtrando a nossa loucura,
Serás como o bobo de Lear
Dizendo-nos verdades veladas.
E nenhuma glória
Te será devida,
Pois a tua miséria
É a definitiva vitória
Da nossa mediocridade.