domingo, 21 de junho de 2015

Manhã

Ah, o dourado sol que surge,
É chegada a grande manhã.
De beleza a alma urge.

De existir delicado afã,
A alma transborda o ser.
Não há filosofia vã

Que abarque o sincero viver,
Que embarque na aventura
De então em paz conviver

Com o mundo, com as venturas
E tristezas, com os caminhos
E descaminhos. A tessitura

Do todo, o trilhar sozinho
A virgem última trilha
Bebendo bendito vinho.

Das ninfas a filha,
Dos deuses o pai,
Do náufrago a ilha.

Esvairam-se os ventos invernais,
É tempo de calor,
O curso do rio vai,

E eu me vou sem dor.