Ah, o dourado sol que surge,
É chegada a grande manhã.
De beleza a alma urge.
De existir delicado afã,
A alma transborda o ser.
Não há filosofia vã
Que abarque o sincero viver,
Que embarque na aventura
De então em paz conviver
Com o mundo, com as venturas
E tristezas, com os caminhos
E descaminhos. A tessitura
Do todo, o trilhar sozinho
A virgem última trilha
Bebendo bendito vinho.
Das ninfas a filha,
Dos deuses o pai,
Do náufrago a ilha.
Esvairam-se os ventos invernais,
É tempo de calor,
O curso do rio vai,
E eu me vou sem dor.