Algumas vezes
Como um corredor
Que ao máximo se esforça
Em deixar para trás,
Outras
Como um monge
Que sabe
Que cada momento é eterno,
Você marcha.
Inexorável.
Eu te peço:
'Dê-me por favor
Um pouco daquela idílica infância,
Daquela viagem um pouco de calor,
Diga-me o caminho,
Para não trilhá-lo sozinho,
De tudo o que virá.'
E então confesso
Ser um ser de saudades
Do que passou e do que será.
Mas você ríspido responde:
'Se quiseres o passado,
Aquele onde a memória se esconde,
Coma uma madeleine meu caro.
Se quiseres o futuro
Para sentir-se mais seguro,
Aguarde.
Apenas o presente posso te dar.
Esse mesmo que já se foi
Enquanto afoito
Lias
Isso.'