a solidão que ataca no negrume da noite
é inclemente
imperdoável algoz das felizes lembranças
sentimos no rosto as marcas do açoite
no coração a dor do ser ausente
nos ouvidos ecos das vozes das crianças
que nunca tivemos
que há muito fomos
imperdoável algoz das felizes lembranças
sentimos no rosto as marcas do açoite
no coração a dor do ser ausente
nos ouvidos ecos das vozes das crianças
que nunca tivemos
que há muito fomos
sentimos no corpo o ardor do vazio
neste momento de profundo estio
da alma
olhamos de frente o abismo
com sua fresca brisa invernal
não há calma para sairmos do mutismo
que emerge de nosso âmago, abissal
neste momento de profundo estio
da alma
olhamos de frente o abismo
com sua fresca brisa invernal
não há calma para sairmos do mutismo
que emerge de nosso âmago, abissal
em meio ao grande nada
ouvimos ao longe o canto
de um pássaro
e outros, e outros, uma revoada
o mundo se recobre de rubro manto
uma chaleira apita
uma mãe diz que não se repita
um bebê se agita
e somos felizes por atravessar mais uma alvorada
ouvimos ao longe o canto
de um pássaro
e outros, e outros, uma revoada
o mundo se recobre de rubro manto
uma chaleira apita
uma mãe diz que não se repita
um bebê se agita
e somos felizes por atravessar mais uma alvorada