segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Descanso

não quero terrenal sepultura
procissão, choro, cova, reza
minha memória futura
- se houver -
não será lápide, aqui jaz, que privilégio
é por ali, aquele corredor, chegamos
mas sim o grande sortilégio
de abrir os olhos e ver

com minhas coisas façam o bem
mas que posso eu querer
quando não estiver mais aqui?
não estando mais aqui
tudo que meu foi ficará
o eco dos significados que lhes dei
se apagará como uma doce canção de ninar

mas porque repousaria eu na finita terra
quando tenho o infinito mar?
depois que de mim aproveitarem tudo o que se puder aproveitar
joguem minhas cinzas na imensidão azul
assim ao invés de me levantar daqui a não sei quantos mil anos
quando do alto da pedra do Arpoador o sol começar a iluminar o negrume do existir
eu estarei lá, renascendo a cada dia