Abrir-se é subir em um para-raios
Em meio à tempestade
Esquecer-se dos medos gregários
Não ver no mundo qualquer maldade
Nem bondade
Simplesmente ver
Chegar ao topo de um farol e saber
Que é possível ir além
Viver e sempre estar aquém
Do sentir
Ouvir sua voz e não reconhecê-la
Apenas a estranheza de ecos de memórias distantes
Mergulhar no mistério constante
Estar presente no instante
Pular em um abismo antes da certeza
De que suas asas irão lhe segurar
Dissolver-se no grande silêncio
Sabendo que é o prenúncio
De algo que está por vir.