Somos mestres em fugir
De nós mesmos
Estamos a nos divertir
Com amigos queridos
Mas a pensar no amanhã
A nos arrepender do ontem
Estamos em qualquer lugar
Menos lá.
O que poderia ser ensolarada manhã
Algo que a alma retém
E por muito tempo traz alegria
Se transforma em ocre nostalgia
Nos sentimos em soturno sonho
Amálgama de pensamentos desconexos.
Acostumados com sombras e reflexos,
Tentamos anuviar a consciência
Tentamos calar a voz
Que nos diz: há algo.
A tratamos como ruído enfadonho
Para escondê-la usamos toda ciência.
Procedimento infâme e atroz!
Para!
Escuta a interior fala,
Acaricia suas incômodas palavras,
Esteja em cada momento.
Não deixe a oportunidade passar.
A vida é a arte do encontro
Mas nessa tela é preciso saber pintar.