Para os loucos,
Loucos são os sãos.
Aos olhos de quem
Não vê,
Cego é quem vê
E não percebe o mundo
Assim como eles
Apenas pelo tato comum
E pelos sons.
A vertigem dos grandes montes
É impiedosa.
Inevitável mal de quem busca,
Inadiável destino de quem vê.
Sem raros dons nem bússola
Sobe-se mais e mais.
O que ficou para trás
Assim ficou.
Os ventos a meia altura
São severos.
As pernas fraquejam,
O corpo fatigado diz não.
Não se pode parar a meia altura:
A meia altura, a vista é meia vista
E inclementes são as intempéries.
É preciso expandir a largura
Do ser.
E ser forte e seguir em frente.
No alto, há paz,
A calmaria do olho do furacão,
A vista que se vê e sente.
Nos píncaros simplesmente se é.