Por mais que tentemos nos
esconder
Por mais que finjamos não o ver
Queiramos ou não somos reféns
O negro fantasma da solidão
Não perdoa, inclemente
O bem quisto ausente
É suficiente condição
Mais eis que chega o dia
Quando de repente o abraçamos
Muito gentilmente o tratamos
Ele, surpreso, desconfia
Lhe entregamos nosso maior valor
Mostramos o que corre em nossas
veias
De presentes suas mãos cheias
O fazem ficar sem dissabor
De início ele gosta de tantos
mimos
De início ele sorrindo se recosta
Mas esse cuidado frustra sua
aposta
Não acostumado a modos tão finos
Então assim como chegou ele parte
Em busca de alguém que dele fuja
Fica à espreita como a noturna
coruja
Esperando o momento de mostrar
sua arte
Sua ausência quase não se nota:
Transbordamos de nós e somos
Nos banhamos de chuva e vamos
Ficamos felizes em companhia
nossa