sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Gaiolas

O mundo já é uma gaiola
Suficientemente pequena para se viver
Então por que construir outra gaiola
Ainda menor
Pintada com dourados ornamentos
Uma nesga de céu para se ver
E com o vazio para ouvir os lamentos?

Como abri-la sabe-se de cor
Mas é mais fácil não perceber
No abismo não há conforto
Apenas fortes ventos e vertigens
Apenas o chamado da origem.
Ter que se arriscar? Para quê?
Se o conforto é confortavelmente aceitável,
Se louco é aquele que faz o gesto louvável
De abrir sua gaiola e voar?

O céu é das crianças e dos loucos.
À gaiola, caso se queira, se pode voltar:
Lá há água, lá há alpiste.
Mas o que não se deve é se contentar
Em ver desviados os roteiros,
É ter a alma triste
Por ter apenas dois ou três poleiros.