domingo, 26 de abril de 2015
Esse eu
Que só acontece na linguagem
Testemunha
E está de acordo.
Explora a infinita viagem
De não existir
Então em derradeira comunhão
O autêntico sentir.
As perguntas não são respondidas
Mas caem por terra.
As dúvidas continuam dúvidas,
As angústias, angústias,
Mas não fazem sentido
Pois o sentido
É sublime sensação.
A beleza de poder ver,
A leveza do caminhar.
De braços abertos,
O mergulho.
Vastos campos verdejantes,
A lágrima de prazer,
O chamado do vento,
O canto dos pássaros
E a entrega.
sábado, 18 de abril de 2015
Testemunho
Testemunho o mundo,
O sorriso do mundo,
As cores do mundo
E tudo é
Singelo.
A possibilidade
De ver
É graça.
Rever,
Um milagre.
Sem qualquer entrave
O todo se mostra
Em um olhar.
Tudo é tão
Belo.
O abstrato se afirma
E se desvela.
O que resta?
Ser.
Em comunhão,
Em plena presença,
O grande sim.
Transbordamento.
sábado, 11 de abril de 2015
Solidão
O ar baço,
Ar de janelas e almas fechadas,
Ar da suspensão do tempo.
O espelho sem o mais leve traço
Daquela tranquila calma.
No horizonte de si uma singela jangada
Em meio à névoa onipresente.
Um sentimento baço,
Uma ausência de ausências,
Do negro mensageiro a semente.
Se desmancha no ar
A solidez de cada ato.
Somente o líquido se afirma.
Homem pastoso.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Noite
Após suave e gélido beijo,
Após fechar olhos inertes,
Após o derradeiro lampejo,
O vazio que a alma perverte.
Por que há tão severo algoz?
Por que agora, assim, e então?
Dúvidas com um negrume atroz,
Dúvidas que só admitem o não.
Mas onde ela está eu não estou.
Carregamos a sina de poder
Ver pois viver foi o que nos restou.
Então vivamos. Intensamente.
Pois assim no vizinho adeus do ser
Nos dissolveremos sorridentes.
sábado, 14 de março de 2015
Agora
Com Pedro Vaz
Entro em ressonância com o infinito
Com ele harmonizo
E me destaco do tempo.
Em um corpóreo sorriso
O abandono do ego
Ao presente me entrego.
Em sublime alento
Me desprendo do grito.
Mergulho.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Soneto à Mulher Amante
Contigo troco carícias e sonhos,
Beijos, abraços e mundos,
Esqueço o dia tristonho,
Relembro o prazer profundo.
Nos aquecemos entre lençóis,
Suspiros você me traz.
Do sentir a vasta foz,
De poder a alegria se faz.
Nada te peço, entrego-me todo,
Nada confesso, apenas o lodo
De onde brotará singela flor.
Agradeço a tua existência,
Literatura, pois em sua ausência,
Me tomaria amarga dor.
Nascimento
Nasci no alto verão
Do ano de 2010.
E então comecei
Minha odisseia
Rumo a mim.
Enrugada tez
Cheia de ideias.
Construía sonhos
No caminhar.
A fome de existir
Me tornou retirante.
Peregrino da metáfora,
Viajante do eu,
No zéfiro infinito
Descansava.
Caminhos asfaltava
Procurando seguro
O incerto destino.
Hoje não busco mais.
Buscar é olhar
Para o inatingível amanhã.
Memórias não guardo mais.
Lembrar-se é construir
Um castelo
De vento.
Sou devir.
Contemplo e rimo
O hoje singelo
A sorrir.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Identidade
E rios de sonhos.
Singro o vazio risonho.
Nada ocorre: o estio do tempo.
Nado em um lago sem margem,
Flutuo em um chão de flores,
Corro em um céu de aurora.
Sento no ponto imutável
E contemplo a grande vaga
A quebrar
Sonora.
O Eu é então eco de tempos distantes
Calor de mil luas,
Frio de mil sóis,
Sombras de branca luz,
Silêncios da mais pura voz.
Do ar o fluido reflexo.
Lágrimas de nuvens.
Infinita fonte.
O sussurro do universo.
Ressonância.
Paz.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
A Sociedade do Vento
Mas vivem através do canto de suas metáforas.
Seu canto vive
Em infindáveis sussurros.
Só há céu,
Só há o infinito de estrelas.
Do Nada nada temem,
Pois são pura parte.
Afastados da sepultura dos costumes,
Olham o mundo com prazer.
Uma pequena verde folha
Contém toda a história do universo.
(Não pense que a Sociedade
É uma instituição:
Ela é somente
Um estado de espírito.)
Constroem um castelo de ar
E descansam
Em nuvens de sonhos.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Natureza
"A mim deveis a vida
Fiz todas as florestas
E campos e prados e savanas.
Os pássaros em mim descansam
Sou porto seguro,
Sou morada certa,
E por isso me deveis gratidão",
disse a terra,
"Mas para quê todo esse peso?
Para quê tanta certeza?
Eu que mudo a cada instante,
Traço um caminho e vou,
Fluindo constantemente sou
Morada e lar de vida,
Esperança do ermitão temente,
Frescor de um dia quente,
Então é a mim
Que deveis gratidão",
disse o rio,
mas prontamente se ouviu:
"Sou sem forma
Minha presença informa
O eco de estrelas.
Não me agradecei, de nenhuma maneira,
Estou e não estou
Quando quero,
Distribuo beijos sinceros,
Não nasço, não morro,
Pois brinco de viver,
Tudo o que faço
É correr.
Contra ninguém concorro.
Às vezes descanso,
De um sono gostoso e manso,
Outras vezes salto feroz
Em veloz jogo.
Mas não julgo, sou ar.
Meu sussurro é um grito
Pois ser vento é infinito,
De um infinito de ondas do mar."
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Intertexto
O ser que ainda não sou,
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Fome
De viver? Podeis indagar.
Qual verdade o poeta traz?
Qual garrafa ele lança ao mar?
Respostas simples não podeis obter,
Elas não existem em um mundo infinito,
Elas não existem onde há o grito,
Elas não existem no terreno do ser.
Olho o horizonte e vejo uma odisseia,
Um moinho, um cavaleiro,
Um café, uma madeleine,
Um caminho, uma pedra,
Uma ovelha, um pastor.
Tenho fome de metáforas
E sede de infinito,
Tudo o que não é meu
Me interessa.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Em Chuvosa Noite
Em longos e retilíneos corredores vazios
Busco aquilo há muito perdido,
Busco fugir do profundo olvido,
Sinto de ecos e sombras arrepios.
E então questiono:
Existo, por questionar?
E então afirmo:
Talvez, por afirmar?
O eu é simples metáfora,
Catacrese.
O devir grande catáfora,
Severa tese.
E então?
O não.
O nada.
Argênteo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Teoria da Literatura
Puxo fios
Desconstruo tecidos
Rumo a um sentido
Que vou construindo.
Me aguardam pacientemente
Expectantes
Enquanto alinhavo metáforas
Em busca
Do imponderável.
Me perguntam:
"Quando terminarás, Penélope?"
E respondo não sei,
Um dia.
Tenho o tempo a meu favor.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Engenheiro de Letras
Sou um engenheiro de letras
Construo pontes de palavras
Com arcos ogivais.
Ergo templos singulares
Com colunas de rimas
E piso de metáforas.
Pavimento romanos caminhos
Rumo ao Desconhecido.
Afora um paisagismo natural,
Levanto casas para aquecer
As invernais sombras
Sempre presentes.
Um caráter de caracteres
Se mostra no meu proceder.
Alitero imagens,
Paradoxo viagens impossíveis,
Sinestesio impressões imprecisas,
Graduo a beleza simples,
Paraleliso o Todo e o sim.
Coleciono fugidias sensações
Para cozer tijolos de morfemas.
E sem quase perceber
Surge então
Um novo poema.
domingo, 25 de janeiro de 2015
Desejo
Quero o abraço quente
E o beijo frio,
O carinho presente
E o derradeiro fio
Do céu
E do mar.
Quero dormir em leito de estrelas,
Ventar em um toque singelo,
Navegar em ondas de gelo,
E que a chuva infinita esteja
Em mim.
A cada lua que durma,
A cada lua que se levante,
Quero ser sem forma,
Quero ser feliz infante.
Natureza,
Mãe de todas as mães,
Segura fonte e destino,
Diga sim
E serei seu
Para sempre.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Sim
Quando a vida afirma a vida
E tudo se transforma
Em um grande sim
A única forma
É um círculo perfeito.
O peito transborda
Em um contentamento sem fim,
Puro,
E brilhante.
O ser sem muros,
O eterno instante
Insinuantemente belo,
Singelo prazer,
O sorriso nos olhos
Pelo abraço do céu.
O véu de estrelas
Que brilham por brilhar,
O sentido sussurrado pelo vento,
O infinito presente no mar,
Nos mostram
O singelo
Viver.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Ser
Eu como vento
Eu como folha
Sou a contento
Sou uma escolha
Sou um invento
Sou um ser livre
Sou um ser livro
Era como estive
Eu como crivo
Sou um ser vento
Sou um ser folha.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Tempo
Algumas vezes
Como um corredor
Que ao máximo se esforça
Em deixar para trás,
Outras
Como um monge
Que sabe
Que cada momento é eterno,
Você marcha.
Inexorável.
Eu te peço:
'Dê-me por favor
Um pouco daquela idílica infância,
Daquela viagem um pouco de calor,
Diga-me o caminho,
Para não trilhá-lo sozinho,
De tudo o que virá.'
E então confesso
Ser um ser de saudades
Do que passou e do que será.
Mas você ríspido responde:
'Se quiseres o passado,
Aquele onde a memória se esconde,
Coma uma madeleine meu caro.
Se quiseres o futuro
Para sentir-se mais seguro,
Aguarde.
Apenas o presente posso te dar.
Esse mesmo que já se foi
Enquanto afoito
Lias
Isso.'
domingo, 11 de janeiro de 2015
Ser vento
Eu queria ser vento
Mudar de direção ao bel prazer,
Estar aqui e lá, em qualquer lugar,
Conhecer chuva e tempestade
E dias e noites
E seguir
Simplesmente.
Conhecer o formoso rosto
E o sincero sorrir.
Fustigar.
Uma saia que voa.
Estar na floresta e no mar,
No campo infinito
Continuar sendo.
Ver as folhas cantando
Em ondas macias
Fazendo-me ouvir.
Distribuir sonhos
E esperanças
A quem me sentir.