(com Leandro Quintela)
Meu avô veio de Portugal
Para o Brasil tentar a vida
Já com trinta anos
Quase sem estudo
Formal
Mas curioso
Aprendeu sozinho
A fazer de tudo um pouco:
Trabalhava com marcenaria,
Trabalhava com obra,
Trabalhava com eletricidade,
Trabalhava com hidráulica,
E acabou ficando muito bom nisso.
Conheceu aqui no Rio minha avó
Maria Virgínia,
De pais nordestinos,
Quase sem saber ler,
Sem sobrenome,
Ambos sem família
Perto,
Casaram,
Quatro filhos.
Meu tio fotógrafo
Em busca do melhor ângulo
Em cima de uma cachoeira
Na Floresta da Tijuca
Morreu.
O Virgínia acabou passando
Da vida para os filhas,
O Antônio de seu nome
Para os filhos
Os filhos tiveram filhos,
Os netos agora esperam bisnetos.
Ele que nunca reclamou de nada,
Que sempre estava sorrindo
Mesmo passando
Dificuldades,
Em um quarto e sala com quatro crianças e um neto criado pela minha tia que engravidou jovem do meu primo,
Com um pai sumido como tantos.
Mas hoje estão todos encaminhados.
O aniversário dele eu não perco por nada
Pois sei que falta pouco.
Ele é o porque da família ser
O que é hoje,
É dele que vem
Nossa união.
Com 77 anos ele fez toda a obra
Da casa da minha mãe
De 8:00 às 19:00,
Com 80 anos fazendo os armários
Projetados de lá
Desenhando tudo
Antes de montar
Sem nunca pedir nada
Em troca
E ele hoje com 92
Apesar de não acompanhar
Tanto,
Seu sotaque permanece,
Nas reuniões
De família
Ele transborda
De felicidade,
Presente,
Em seu sorriso uma inspiração
Silenciosa
No agir e no viver
Para todos.