Os carros rasgam o vento
Que toca o rosto
Em um passeio na Av Atlântica,
Esse vento de seda quente,
Esse vento de mil línguas
E noites sem fim.
A bicicleta rasga o vento
E a boca de sal e de sol
E o azul turquesa do mar
E ao fundo os Dois Irmãos
Verdes,
Estamos no 11, o 12 no horizonte,
Na avenida quase vazia
Do domingo à tarde.
A bicicleta rasga o vento
E os corpos e as saias e os óculos,
A bicicleta rasga o vento
E os toques e os beijos e os tantos
Caminhos em meio ao mar.
É certo, é certo
É chegada a hora,
Da dissolução.