sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O quase

Um quasepoema
Como um
Poema
Que não aconteceu.

Que ficou à beira de
Mas não,
Que tocou a margem
Mas não mergulhou.

Um quasepoema
Como um quaseacontecimento,
Um quasepossível
Mas não.

Um quaselampejo
Quaselá
Quaseprovável
Um porpouco.

Logo vê-se:
Sem sangue não há vísceras,
Sem dor não há glória,
Sem sono ou travesseiro
A acalmar a história
Recém inventada.

Sem horizonte não há amanhã,
Sem noite não há dia,
Sem quimera não há sonho,
Sem luz não há possível
Manhã.

Sem carne não há pele,
Sem sopro não há vida,
Sem céu não há nada
A se esperar.

Mas sem qualquer aguardo há o hoje
Frio, amargo e quente
A borbulhar doce e transparente
No túnel sem qualquer
Fim.