quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Gare de Lyon

(com Alexandre Cavalcante)

Aqui trem é algo mais fundo,
É despedida, reencontro.

Às vezes vendo o amor
Parado na estação
Talvez para sempre
E o trem te levando
Involuntariamente.

A força de um trem,
Uma máquina
Desse tamanho
A mais de 300 km/h,
É fantástico.

Repare na luz,
Repare nas gárgolas,
Repare na suntuosidade
Do teto do Le Train Bleu.

Aqui penso num tempo em que
Eu não vivi
E de repente estamos em uma foto
De Doisneau
Sem qualquer dificuldade,
Os beijos, as cartolas.

O trem do futuro
Vence as distâncias há tanto tempo
Que já é passado.

A cicatriz do vento no rosto do trem,
Maltratado pela intempérie
Com suas tantas moscas mortas
Esmagadas em instantes invisíveis.

Uma senhora
Apanhada
A roubar e a gritar
Nos transporta para o presente.

O relógio antigo
Ao lado do painel eletrônico,
A poeira de veludo,
As colunas, o teto,
A luz do sol,
Como uma mulher
Tão bela em suas rugas
Essa estação nos aguarda
Para um último adeus.