sábado, 14 de dezembro de 2013

No Mar

uma ostra
sem grão de areia
é só uma ostra sem grão de areia
mas quando encontra-o
sente estranheza
e transforma o incômodo em jóia

o corpo calma anseia
foge das tribulações da alma
por isso perde a beleza
por isso perde a glória
sua curta memória
- ele não faz por mal,
ele que por tudo receia -
tentando ser uma pá de cal
consegue apenas ocultar
os grãos que irão se multiplicar

todos temos nossos grãos de areia
pequenos, grandes, coloridos
sentimos o incômodo doídos
mas é preciso tomar muito cuidado
não aceitar o grão dado
mas escolher aquele mais puro
pois se não ao invés de produzir jóias
aquilo que belo seria
- e isso eu asseguro -
será transformado em reles bijuteria

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Doce Morte

doce morte, sente-se
lhe esperava curioso
seu gélido hálito sente-se
seu toque de frescor e gozo

espera-se bem distante
mas me diga o que a traz aqui
um café, açúcar, adoçante?
lhe escuto, pode prosseguir

estava só de passagem?
apenas dois dedos de prosa
após cansativa viagem?

mas volte, de braços abertos
estarei, você me traz carinhosa
a certeza diante de um mundo incerto

Descanso

não quero terrenal sepultura
procissão, choro, cova, reza
minha memória futura
- se houver -
não será lápide, aqui jaz, que privilégio
é por ali, aquele corredor, chegamos
mas sim o grande sortilégio
de abrir os olhos e ver

com minhas coisas façam o bem
mas que posso eu querer
quando não estiver mais aqui?
não estando mais aqui
tudo que meu foi ficará
o eco dos significados que lhes dei
se apagará como uma doce canção de ninar

mas porque repousaria eu na finita terra
quando tenho o infinito mar?
depois que de mim aproveitarem tudo o que se puder aproveitar
joguem minhas cinzas na imensidão azul
assim ao invés de me levantar daqui a não sei quantos mil anos
quando do alto da pedra do Arpoador o sol começar a iluminar o negrume do existir
eu estarei lá, renascendo a cada dia

Festa

no dia derradeiro quero que celebrem
não chorem, cantem
à memória de alguém cujo único arrependimento
é não ter nenhum arrependimento
cuja maior alegria
é ter tido alegrias

alguém que viu
mergulhou na realidade e aceitou-a
sua coroa de louros foi o céu e as estrelas
seu vermelho tapete os verdes campos
o vento seu maior confidente
a chuva seu dourado manto
o olhar inocente para sempre ver o novo
no que é
no que existe

alguém que transbordou
que se entregou, que sorriu, que sofreu
que amou, que chorou, que se deu
e assim com festivos ares
possam fazer o último brinde
a alguém que viveu

Todo

a alma vomita o pão
imoral, instável
vive em busca de sentido
ignora o olvido
às garantias diz não
quer experienciar

o corpo a flutuar
sente medo
atrás de um teto
uma mão
busca o certo
absorto por conforto
quer se segurar

a alma que passa fome chora
o corpo que passa frio dói

mas se não somos alma
nem corpo
mas alma e corpo
é preciso ter calma
a um dar segurança
a outro pujança
a um estabilidade
a outro a verdade

o corpo relaxado comemora
a alma saciada sorri

Searching

limits are the highest walls made by ourselves
identities are the finest fictions built by ourselves
morality is the heaviest burden that we choose to carry
constantly trying to reach
and searching our inner self
we try to find meaning
forgetting that the meaning is the search of meaning
that what defines the human being
is the ability to see

walking blindly behind the mask
we look in the mirror faceless
and say to him: that's me
but the face behind the mask is made of flesh
and if even when we're lonely
we don't give it any light
allow it to heal and breathe
touch it and feel the soft skin with our fingertips
it's made of flesh
it rottens

domingo, 1 de dezembro de 2013

Caixa

a alma que se expande
não quer se contrair
quando se torna grande
deseja no infinito rio fluir

mas o pé que cresce de repente
encontra apertado o sapato
não mais conforto sente
o incômodo passa a ser um fato

assim a insensata rotina obriga
recolocar em uma caixa o espírito
tamanhas possibilidades não abriga

é mister podar-se pelas beiradas
engolir seco o amargo grito
uma identidade a flutuar no nada

Eu

com uma agulha a costurar
minha identidade feita de retalhos
me busco como quem busca ar
experimentos de definição? falhos

nesse multicolor pano tento
o constante viço do novo
um novo ponto invento
afasto o canto do corvo

ao lavar esse manto de trapos
que sou, ele fluido se dissolve
vou em sua caça em todos os atos

seu bordado é a borda de mim
sua forma nunca se resolve
uma agulha a fiar sem fim

Pertencimento

em um súbito instante
o ser transbordou
impossível seguir adiante
sem dizer o que se passou

na beira do mar corria
verdes montanhas no horizonte
ondas os meus pés beijavam
a luz do sol entre nuvens, era dia
suave brisa em minha fronte
lânguidos murmúrios me lembravam
que eu estava só

então a Natureza a pergunta me fez
a gota d'água em cheia taça
e tomado da mais pura sensatez
como um fiel cão que não foge à caça
lhe respondi: Sim

dois, cinco, centenas à minha volta
em revoada gaivotas, quero-queros
me entreguei como quem solta
eu vos quero
eu vos quero

sem nome e sem limites eu era
sozinho não estava
tinha tudo que se espera
tinha tudo e cantava
sorria alegremente por ser
olhava alegremente por ver
caminhava levemente por perceber
que tudo simplesmente é

chamou-me o infinito
e eu lhe disse ainda não
em profundo grito
de contentamento
estava são

a vida se descortina em possibilidades
é preciso abraçá-las
abrir a mais profunda subjetividade
emudecer as contrárias falas

o longínquo céu próximo estava
flutuando na úmida areia quente
a alegria de quem sente
pertencer

Realidades

não quero uma realidade
da qual eu tenha que fugir
esquecer-me da verdade
nada esperando do porvir

em constante experiência
buscando um simples instante
para tampar a ausência
em uma busca inconstante

quero uma realidade
para a qual eu queira voltar
sempre na flor da idade

me sentindo e feliz ser
junto dos pássaros cantar
a aguda alegria de viver

Possibilidades

é preciso em ressonância
com o mundo entrar
deixar-se com eurus ir
mas com zéfiro voltar

transbordar a viva ânsia
de viver
chorar pela marítima beleza
cantar pelo luar de platina
pelo dourado sol sorrir

ser um com a natureza
sem limites, sem bordas
só soluços da mais pura alegria
flutuando sem cordas
em um palco a brilhar

Uma Simples Flor de Lótus

toda a beleza do mundo
cabe numa simples flor de lótus
num simples instante

um momento onde vibram fundo
as cordas mais agudas do coração
não há como capturá-lo em fotos
não há como transmiti-lo ao maior amante

bebemos a água dos rios em grandes goles
os ventos nos perpassam em grandes foles
as montanhas nos engolem em profunda oração

campos de arroz com chapéus prostrados
cantos de pássaros em verdejante floresta
cheia lua com seu alvo véu encantado
amplo sorriso que felicidade atesta

dizemos sim
em uma simples flor de lótus

De Frente para a Noite

a solidão que ataca no negrume da noite
é inclemente
imperdoável algoz das felizes lembranças
sentimos no rosto as marcas do açoite
no coração a dor do ser ausente
nos ouvidos ecos das vozes das crianças
que nunca tivemos
que há muito fomos

sentimos no corpo o ardor do vazio
neste momento de profundo estio
da alma
olhamos de frente o abismo
com sua fresca brisa invernal
não há calma para sairmos do mutismo
que emerge de nosso âmago, abissal

em meio ao grande nada
ouvimos ao longe o canto
de um pássaro
e outros, e outros, uma revoada
o mundo se recobre de rubro manto
uma chaleira apita
uma mãe diz que não se repita
um bebê se agita
e somos felizes por atravessar mais uma alvorada

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Abismal Companhia

Cedo ou tarde ele vem
Por mais que tentemos nos esconder
Por mais que finjamos não o ver
Queiramos ou não somos reféns

O negro fantasma da solidão
Não perdoa, inclemente
O bem quisto ausente
É suficiente condição

Mais eis que chega o dia
Quando de repente o abraçamos
Muito gentilmente o tratamos
Ele, surpreso, desconfia

Lhe entregamos nosso maior valor
Mostramos o que corre em nossas veias
De presentes suas mãos cheias
O fazem ficar sem dissabor

De início ele gosta de tantos mimos
De início ele sorrindo se recosta
Mas esse cuidado frustra sua aposta
Não acostumado a modos tão finos

Então assim como chegou ele parte
Em busca de alguém que dele fuja
Fica à espreita como a noturna coruja
Esperando o momento de mostrar sua arte

Sua ausência quase não se nota:
Transbordamos de nós e somos
Nos banhamos de chuva e vamos
Ficamos felizes em companhia nossa

Números

Cansada de sua rotina, pensava constantemente no que poderia libertá-la. Um novo amor? Mais viagens? Festejar com as amigas? Nada disso trazia uma mudança significativa, já havia tentado muitas vezes. A alegria do novo se dissipava na sistematicidade do seu dia a dia. Discutia com sua consciência e se consolava repetindo para si mesma que aluguel não se paga sozinho. Não era suficiente, não havia sentido, seus olhos estavam se tornando opacos.
Era funcionária de repartição. Carimbos, relatórios, instruções, memorandos, despachos, encaminhamentos, solicitações, e-mails, faxes, telefonemas, setor de serviços especiais bom dia, boa tarde setor de serviços especiais em que posso ajuda-lo, 1430 boa tarde setor de serviços especiais. Papeis, papeis, papeis. O computador a ajudava em sua organização, mas a quantidade de processos aumentava inclemente.
Segunda-feira não se encontravam sorrisos na repartição, a sombra do fim de semana escurecia as almas. Seu crachá de identificação trazia a marca do jugo: número de cadastro 1430. Retirá-lo da bolsa na negra segunda era a certeza de que os próximos cinco dias seriam longos.
O número de cadastro era utilizado para todas as solicitações e serviços da repartição. Pedido de cópia? 1430. Envio de documento? 1430. Despacho urgente? 1430. Às vezes atendia o celular e respondia sem pestanejar: 1430 bom dia. A dúvida do outro lado da linha trazia a lembrança de seu nome, muitas vezes perdido em uma pilha de papeis.
Estava em casa preparando a janta quando uma reportagem despretensiosa chamou sua atenção. Um motorista havia sido preso por adulterar sua placa com uma singela fita isolante, trocando o 0 por um 8. Surgiu instantaneamente um sorriso de canto de boca, os olhos se fecharam um pouco.
No dia seguinte suava em bicas ao chegar ao prédio tão conhecido. Sacou o crachá com as mãos tremendo. Não sabia o que poderia acontecer, foi só um equívoco, foi sem querer, não se repetirá, mas o frisson das possibilidades lhe fazia seguir em frente. Respirou fundo e de olhos fechados posicionou o crachá em frente ao leitor ótico. Um bip eletrônico. Quando voltou a si viu a mensagem na tela de cristal líquido: Bom Dia 1438, Elevador 3.

As intermináveis reuniões ocupavam quase toda sua agenda. Ia de sala em sala como fugidios beijos carnavalescos vão de boca em boca. Todos queriam saber sua opinião, o silêncio imperava quando começava a falar, elogios se acumulavam em sua gaveta. A mesa limpa, papeis que podiam ser contados nos dedos, aprendera a delegar e a se fazer obedecer.
Sua ideia havia sido um sucesso, nunca imaginara trabalhar no 18º, andar destinado apenas aos membros daquela elite que só conhecia de longe. O elevador a conduziu até a recepção da diretoria, esse tempo, que calor, uma pergunta de soslaio, os engarrafamentos estão piorando, e descobriu onde era sua nova sala.
Nas primeiras semanas uma alegria misturada ao medo de ser descoberta tomava conta de si. Ninguém pareceu perceber: todos a tratavam com decoro e se descobriu confortável nessa nova posição.
Entretanto os meses foram passando, sua nova rotina era deveras corrida, se cansou de ter de sorrir sempre. Nada conseguia tirar uma ideia da cabeça: 1488. Por que não?
Nunca poderia imaginar que esse movimento não teria volta, um passo que iria transformar sua vida para sempre. Comprou tinta especial e com a prática suas delicadas mãos conseguiam escrever qualquer número.
Deixou de ficar muito tempo em cada lugar, mudava constantemente. Havia estabelecido que o prazo máximo era de uma semana e assim em um mesmo mês carimbava, carregava documentos, dava ordens, elaborava petições, assessorava reuniões, juntava papel reciclável.
Certo dia sua entrada foi bloqueada pelo leitor ótico. Um olhar de espanto rapidamente disfarçado com um sorriso nervoso. De novo. 2531. Negado. Antes que os seguranças percebessem voltou correndo para casa pensando no que teria acontecido. Será que havia sido descoberta, e agora, o aluguel, as contas da casa, o plano de saúde de sua mãe doente, o que fazer, se entregar, fugir?
Pouco mais de uma hora depois, mais calma, se lembrou de um detalhe quase insignificante: sua repartição possuía 2322 funcionários. Escreveu um novo número de cadastro, utilizou o secador de cabelo para terminar o trabalho mais rápido e nervosa como do primeiro dia enfrentou o leitor ótico. Um bip eletrônico, Bom Dia 1762, Elevador 5.
Os meses se passavam e ela já havia se acostumado a sua nova rotina. Às vezes, por coincidência, trabalhava no mesmo setor por semanas seguidas, apenas trocava a mesa onde estava sentada. Entediada por já conhecer todos os setores da repartição começou a pensar se valeria a pena voltar para alguns números que gostara, possuía uma lista com os 10 que mais lhe agradaram. Uma ideia a atingiu de frente. Sorriu.
Dia seguinte, Bom Dia -320, Escada 3. Deu certo. Curiosa foi então descobrir onde isso iria levá-la. Encontrou um setor onde todos eram segunda pela manhã, não aguentou nem uma semana. Bem, se esse número funcionou...
Bom Dia, 5/8, Elevador Expresso 2. Foi parar no Setor de Engenharia. Calculadoras, planilhas, projetos, cronogramas, orçamentos.
Bom Dia, √2, Esteira 1. Setor de Relações Governamentais.
Bom dia, 2i, Tobogã 2. Setor de Criação de Novos Projetos. Oompa loompas com seus cabelos verdes andando de um lado para o outro.
Bom dia, 5i + 3, À Direita no Elevador 3 subir um Lance da Escada 2 e em seguida Deslizar pelo Escorrega 5. Planejamento Estratégico.
Resolveu arriscar, as possibilidades do novo eram muito superiores às garantias do que já havia descoberto. Bom dia, 0. Elevador 1. Tudo bem minha senhora? diz o prestativo ascensorista, o primeiro que havia visto na repartição. Saiu na cobertura do prédio, o entorno envidraçado permitia ver todo o centro da cidade. Diretoria Geral.
Já chegara até aí, precisava da derradeira tentativa. Era mais forte que ela, não conseguia conter a vontade que tomava conta de si. Desenhou cuidadosamente oo  em seu crachá e despediu-se de casa.
Pensava em sua família, namorados, grandes amigas, viagens longas, livros, festas. O tempo passava incessante do lado de fora da repartição. Lembrou-se de seu nome, quase não o utilizava mais, deixava-o anotado na porta da geladeira para não se confundir.

Encostou o crachá no leitor ótico, a tela se desligou. Uma a uma as luzes se apagaram, todos correram para ligar seu celular e não ficar no escuro. Com um semi-sorriso ela deu meia volta e depositou o crachá na caixa de achados e perdidos.

Em Frente

Naqueles momentos das Grandes Perguntas
Quando não se sabe mais dizer Eu
Quando não se sabe como nem por que
Quando a alma se abre e nada vê
É preciso em frente seguir

A noite só existe pois não é dia
Você só existe pelo devir
Ao negrume dessas intermináveis horas
Com a pureza da virginal infância
Se seguirão ensolaradas manhãs

Pois então quando suas chagas
Estiverem abertas purulentas
Jogue-lhes álcool e aplaque a infecção!
Ninguém de dor morreu
Só se morre de doença e de ignorância.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O pequeno grande prazer



O pequeno grande prazer


            Pensamentos mil passam pela sua cabeça. Como foi o seu dia, preocupações para o dia seguinte. Aquela pendência no trabalho que ainda não foi resolvida. Médicos a marcar. Relacionamento. Um barulho distante, o que será? Vozes de vizinhos revolteiam suas ideias. O que você está fazendo? O aluguel vence amanhã, você precisa ir ao banco fazer o pagamento. Contas de luz, gás, telefone. Aquele defeito intermitente no celular que acaba com sua paciência. É preciso mais ter mais calma, seu amigo está precisando de sua ajuda agora. Ele estava lá quando você precisou.
            E você não se apega a nenhum pensamento. Eles fluem em uma torrente independente, interminável e incessante. Desapego: são apenas ideias, obstáculos da mente, tão longe do Eu.
            Inspirar, expirar. Inspirar, expirar. Prestar atenção na respiração.
            Aquele seu chefe que pisou na bola com você. Uma miríade de possibilidades felizes, destinos diferentes, desfilam bem a sua frente, as coisas poderiam ter sido diferentes. Um passo atrás: poderiam mesmo? Outro passo atrás: por que isso me incomoda? Mais um passo atrás: inspirar, expirar.
            O cheiro do incenso embriaga os sentidos. Surge uma alegria interna.
            O agitado mar começa a se acalmar. O fundo, antes turbulento, começa a ficar mais claro.
            A mente começa a se esvaziar. Aos poucos os limites entre o indivíduo e o mundo ficam fluídos, você é o todo.
            Inspirar, expirar. Inspirar, expirar. Coluna reta, postura firme.
            Um arrepio passa pela sua espinha dorsal.
            Não existe mais sujeito e objeto. Pensamentos não se estruturam. Você não apenas está, você é.
            Os limites do ego se dissolvem. Você vislumbra a Vida, a grande Essência, da qual você é uma parte indissociável.
            Inspirar, expirar.
            SILÊNCIO.











            Toca o sino, é hora de fazer o gashô. Seu corpo dói pelo tempo que passou na mesma postura. Você se alonga, seus olhos sorriem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Fraquezas


Tinha medo de fraco me revelar
Aos escrutinadores olhos doces
Infinitos como o vasto ondulado mar
Daquela que o destino me trouxe.

Poderia eu me apresentar medíocre
Frente à ela que guarda tanta beleza
Que me transforma de argila ocre
Em altivo ser disposto a grande nobreza?

Ela que traz vida a monótono cenário
E alegria aos chuvosos dias de inverno
Me disse, para guardar em dourado relicário:

“Não temas, cavalheiro que desafia a morte,
A grande verdade do sentimento eterno
É descobrindo as fraquezas que o amor se torna forte.”

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Experiências de Infinito - II

Um pedido

Venha onda
Quebre nos afirmativos rochedos
Traga água para mim
Alva espuma para o mar.

Busque em mim amor
Que lá ficou
O tudo existe, não sou
Venha minhas areias banhar
Beije meu corpo longamente.

Em você habita o infinito
De nós.

E me faça feliz.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Experiências de Infinito - I

Vento

Em você pássaros de asas abertas voando com a cabeça rumando o horizonte
Balançam galhos de árvores sem folhas para lá e para cá
Nuvens caminham de um lado para outro avisando que a chuva virá
Telhados de casas alto rangendo no seu belo monte.

Esteja comigo e me acompanhe
Em incontáveis viagens sem volta
Em meu dia a dia me banhe
Com suaves brisas me embale
Em sonhos contigo
Eu quero ficar.