os morcegos voam
é noite
quase não chove
tanto
uma mulher atravessa a rua vazia
o abismo da mudez chama sorrateiro
é noite
poucas pessoas caminham
ou carros
um bar de esquina está aberto
ainda
é noite
poças de água escura
as árvores com cheiro de chuva
há algo de incerteza
nesta esquina curva
de vento
é noite
há um teto
seco
não se está com fome
uma cama quente espera
você derrubar as inquietações
os dedos do mundo não tocam as janelas
ela volta
manda um beijo do outro lado da rua
carrega uma sacola na mão
entra na portaria
vou abrir
ela chegou