(com Laís Cavalcante)
chegando de cabo frio
em 2014
em niterói
querendo ser
universitária
mas ainda
na dúvida
encontrando pessoas
na rua
meu avô torturado
na ditadura
comecei a estudar em um pré
vestibular
conservador
um tempo gasto
até um professor de geografia
flertando
querendo aprender
me interessando
em um lugar de aprendiz
em um restaurante barato
em Icaraí
com uma blusa do clube da luta
sentei ao lado de um cara
que puxou assunto comigo
a conexão esperada
não naquele dia
mas no dia seguinte
ele, descolado
e eu, nem iniciado
a graduação
sem conhecer ninguém
mas cheguei na casa dele
ele de saia
cozinhando para mim
até que sua saia sujou
a gente fumando
ele tocando no violão
green eyes
ele sabendo sobre todos
os assuntos do mundo
de mãos dadas
na praia de Icaraí
até que na volta
eu travando
com muita roupa
a mãe dele chegou
eu não sei
porquê
fiquei com medo
ele indo para a Espanha
eu com medo sobre o que falar
ele dormiu no filme
ele com chocolate em casa
ele safado
eu gostando
a gente na casa dele
com ele a estranheza
daquele corpo novo
até um tapa na bunda
quando com meus olhos arregalados
ele gozou
após quinze dias de sua ida
ele me contou sobre a sua viagem
e eu falando dele
todo dia
fui me apaixonando
as fotos trocadas
eu mandando músicas cantadas em áudio
ele poemas e fotos
ele deleuziano
eu ainda não conhecia
ele na terça
no balão de capadócia
no café alguém especial
era eu
quando ele voltou
eu aflita
a gente se beijou
a gente namorou
até a sua traição
aparentemente desconstruída
ele com liberdade
enquanto eu não
foi todo o ano de 2016
após tantas inseguranças
eu terminei
bêbada e tão mal
acho todo dia em que eu me masturbo
eu penso nele
ele tão único
eu ainda não superei
eu nos seus olhos
um ser quase mítica
ele me mostrando o mundo
mas também não sei
vou pegar
um cigarro