sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

guerra

é preciso sentir as marés
viver maré
ser maré
respirar maré
é preciso sentir a circularidade do tempo
e não sua espiral
é preciso tirar o peso dos ombros
de vez em quando
observar a paisagem
dormir com o barulho salgado na carne
é preciso deixar o sangue escorrer
fazer uma sangria
limpar-se
é preciso amar a coisa mais pérfida
insubstituível e vil
é preciso tomar um banho no escuro
nu com a noite
é preciso descansar
quando a guerra é longa