sábado, 22 de agosto de 2015

Ondas

A beleza do instante
Em ecos suaves
Da grandeza infante
Da mestra chave.

Tudo se abre,
O corpo, a alma e o ser,
Não mais se cabe
Pois é pleno o viver.

Então o fluxo,
Então o fluido sentir
Então o divino empuxo

Impunemente perfeito
Se faz pressentir
Em face do argenteo efeito.

Nuvens

Conhecer o mundo
É desconhecer-se
Rumo à pergunta,
Rumo ao sentido
Do belo.

A alma assunta-se,
A verdade sincera
Se realiza.
Abrir-se.
Engolir o mar
Em grandes goles.

O corpo se transforma
No vento sem forma
Que beija o infinito.

O olhar que brilha
A testemunhar e refletir
O azul horizonte.

A seda das ondas,
A natureza do aquário de si,
A tão verde e viva vida
E o dissolver da dúvida
No calor
E abraço do sol.

O sorriso do ser
Em puro fluir,
A grandeza do instante
E a morte das flechas do tempo.

Ondas

A beleza do instante
Em ecos suaves
Da grandeza infante
Da mestra chave.

Tudo se abre,
O corpo, a alma e o ser,
Não mais se cabe
Pois é pleno o viver.

Então o fluxo,
Então o fluido sentir
Então o divino empuxo

Impunemente perfeito
Se faz pressentir
Em face do argenteo efeito.

Castanhos

Em um castanho olhar
E um sorriso de marfim
Encontrei o belo enfim
Sentido que estava a buscar.

São ondas em minha praia,
São fontes de meus areais,
Sinto os beijos finais
Que retiram de Maia

Seu carinhoso véu
E mostram impiedosos
As alturas do céu

O abraço quente,
O toque sedoso
E o brilho presente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Veias

Em vias concretas
Encontro o caminho
Rumo ao infinito.

São sons dissonantes
A ecoar
Em infindáveis
Ruas.

Suas luzes me aquecem,
Seus ventos me abrigam,
Suas pontes me direcionam,
Suas vias, minhas veias.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Palimpsesto

Vejo este belo palimpsesto
Tão singelo em seu dizer
É simples, confesso,
Mas bonito de se ver.

Mas espere, há algo mais,
Que interessante, não havia
Visto esse algo atrás.
Tão plano parecia,

Mas agora cheio está
De possibilidades.
O sentido primeiro já

Não importa, mas sim
A minha veracidade
Em camadas sem fim.

Vida

A vida é um respiro
De consciência
Em face da morte.

Sem a negra viúva
De que valeria
Viver?

Junto de sua foice
Ela nos traz
Possibilidades
E sentido.

Fomos pó de estrelas.
Seremos terra,
Grama,
Árvores.

A verdadeira morte
É esquecer-se
De viver.

Caminhar

Caminhar rumo ao desconhecido,
O horizonte à frente,
Os cabelos ao vento
E as saudades atrás.

A estrada que passa
E passa,
E passa,
O chão que corre
Inebriante,
O beijo do sentido
E seu abraço quente.

Não há linha de chegada,
Só um ponto de partida
Há muito distante.

A certeza de infinitos portos,
A certeza de incontáveis amanhãs.

É então celebrada a grande manhã,
É então cantada a melodia final
Em uma fogueira noturna
Feita de estrelas.

Espelho

Em um reflexo translúcido
Vejo o céu de mim
Amplo, vejo-o lúcido,
Vejo-o em luzes sem fim.

Em doce horizonte
De ternas ondulações
Vejo a vital fonte,
Vejo um mar de constelações.

O beijo de suave brisa,
Convida para o infinito
E para a alma avisa

Ser dos deuses sinal.
Então me entrego convicto
Ao afago da melodia final.

Caleidoscópio

A fonte da vida
Em doces notas
De ternos compassos.
O fim do espaço
E do tempo.
Apenas sentido,
Apenas o momento,
O horizonte,
Luzes
E cores
E os versos
De um poema.

sábado, 8 de agosto de 2015

Crescimento

O som do infinito
Que ressoa nas ruas
É convite de sentido,
É convite de almas nuas
Rumo ao eco do tempo.

O horizonte vertical
Que vem com a entrega
Derradeira, além do bem e do mal,
Todas as certezas enverga,
E permite a solução final.

Sinal de pura ressonância,
Dissolução em doce leveza,
As estrelas o olhar alcança,
É palpável a sólida beleza
E a sinuosamente colorida dança.

Além da dúvida está o instante,
Está o momento presente
De imagens flutuantes,
Além do vento que se sente
Está a grandeza infante.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Horizonte

O horizonte começa,
Onde termina o olhar.
Apenas montanhas e luzes,
Apenas o mar,

Lá onde a imaginação desperta,
Lá longe, tão perto,
Dormem as certezas,
E vem os sonhos.

Momentos risonhos de se pensar
Além, depois, e então.
Terra de monstros e ninfas,
Céu de deuses e estrelas.

O astro quente descansa
Depois de árduo trabalho.
A amante branca se levanta
E consigo nos traz doce esperança.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Pesar

Apesar da fome,
Apesar do câncer,
Incurável,
Apesar da dor,
Apesar da morte,
Apesar do rancor,
Apesar da sorte,
Que nem sempre vem,
Apesar da falta,
Apesar das saudades
De estar com alguém,
Apesar das maldades
Feitas com prazer,
Apesar da falta,
Apesar do não ter
Horizonte, 
A vida
Ainda
É bela.

Sal

A possibilidade do seu corpo
Envolto em poesia
É prazer que confia,
É certeza de estar absorto

Em suas curvas de vento,
Seus olhares de malícia
Ao provar a derradeira delícia
De renunciar a qualquer intento.

Algo mais, não quero,
Algo mais, não espero,
Somente a pétrea vontade

De dentro de você estar,
De amar seus beijos de mar,
E morrer em um sal sem idade.

O oceano da loucura

Ah, como é belo o oceano da loucura
Um rio de cores púrpuras,
Sem margens
Nem nascente nem foz.

Golfinhos voam no céu rosa
Com uma redonda lua azul.
Tamanha sedução em verso e prosa,
Rubros ventos do sul.

Palmeiras crescendo em nuvens
Que tocam o chão.
Brotam do solo chuvas,
Cai do céu o pão.

Cachoeiras horizontais
Que sobem para as estrelas,
A alma pedindo mais,
Vento em casas com velas.

Nesse horizonte sem fim
Ventanias afundam
Enquanto artistas abundam
A cantar poemas assim.

Mar

A mar
Com suas ondas,
A mar
Com seu acolhimento
E carícias coloridas,
Em perfeito equilíbrio.

Entrelaçado em harmonia
Por fazer parte
De uma imensidão.
Parar de respirar
Pela beleza
Tão violenta
E por poder vivê-la.

Beijo azul
Em um fundo nu
De céu.

Céu

A liberdade
Da alma
Bate a porta.
Eu digo
"Entre",
É claro.

"Por que?"
Me pergunta.
À qual
Respondo:
"Porque é infinito"
E vôo,
Tão longe vou,
Que me deito
Entre as estrelas.

Instante

Momento
Do tempo.
Intento.
Alento final.
O vento derrama
Sentimentos.
Contentamento.
Comprimento infinito
Do instante.

Então

A paz que há no momento
Do sentido
É sentida
Como luz
E poesia
E sons.

Refrões infinitos
De melodias policrômicas
Que vem como o mar
Em seu quente abraço.

O enlace da alma
Com o todo.
A certeza que acalma
O engodo
De ser
Só
Um.

A solução
Da dissolução
É entrega.

domingo, 26 de julho de 2015

Subjetivo

Conheço o mundo
Em suave canção :
O conceito do todo,
É verde vestido
Em seco areal.

São ecos de sentido
Capturados no momento
Do instante definitivo.

Subjetivo.

O brilhante prazer
Da entrega última
Onde só há
Infinito.