domingo, 24 de maio de 2015

Então

Quando surge o som,
Quando surge o tom,
Não há mais nada,
Não há mais.

Cada intervalo é espera,
Cada refrão é eco,
Então há só entrega,
Então só há o momento.

O ego há muito esquecido,
O futuro há muito esquecido,
O tempo que se dilui.

Está tudo agora,
Está tudo afora,
E o sorriso final.

domingo, 17 de maio de 2015

Aguardo

O corpo que sente
O sincero pulsar.
Sempre presente
A verdade a amar.

És bela coisa
E o eterno futuro.
És a espera contente
E o alegre chegar.

Venha.
Te espero.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sincero

Uma doce música ao fundo
Confirma o profundo existir.

O doce sentir
Do eterno horizonte,
O sincero devir
Da mais bela fonte.

Sou mar,
Sou ar,
Sou vento,
O sincero intento
Do sincero viver.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pedro Pai

(em homenagem ao aniversário de Pedro Vaz)

Pedro pai
Fez o pedido,
Fugiu do perigo
E encontrou o perdão.

Começou a partida
Pedro pai.
Proferiste a palavra
Pedro pai.

Tenhas paciência,
Ganhaste o privilégio.
Tenhas paixão,
Ganhaste a paz.

Pedro pai:
Ganhaste o presente.
O futuro
Te pertence.

Presente

Na busca a busca
É o encontro.
Na sede a sede
É de vida
Na fome a fome
É sentido.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De ser
Humano.

No horizonte o horizonte
De mim.
No céu o céu
Tão perto.
No mar o mar
Tão meu.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De estar
Humano.

Rumo ao rumo
De mim.
Rumo ao rumo
Sem fim.
Rumo ao rumo
Do pó.

Existo, isso tão belo,
Insisto no desejo singelo
De viver
Sem plano.

domingo, 10 de maio de 2015

Maternidade

Uma ostra apressada só produz areia,
Uma satisfeita não produz nada.

Sinto as dores do parto
E o vazio da perda.

Transformo olhares em verso,
Exponho o anverso de mim.

Nino metáforas
E em doce metamorfose
Surgem aliterações sinestésicas.

Vulgo vazio vão vem vindo veloz,
Com cheiro de brisa
E gosto de beijo.

E então
De repente a Verdade,
Um oxímoro possível,
Se transforma em palavras.

Círculo

Forma perfeita,
Equidistante.
Por inspiração feita,
Neste exato instante.

Infinito de mim,
Enquanto existência,
Enquanto ciência,
Sinceramente sim.

Em sua presença existo,
Em sua presença insisto
Em ver
E viver.

O agora imortal,
O derradeiro sinal
Da consciência
De si.

sábado, 9 de maio de 2015

Lua

A fome de beleza,
A infinita natureza
E a esperança que seja
Presente.

As perguntas que molham a terra
E o sol se abre:
Não há entrave
Para o florescer.

Trovões de lua
Que se mostra nua
Para a gente amar.

Momento

(com Pedro Vaz)

O cosmos é o antônimo de caos,
Sinônimo de tudo.

O tempo é relógio e algoz,
O tempo é presente
A vida é a voz.

O compasso, sim e não,
A tempo do último perdão.

O definitivo sim
E a beleza
Em estado
Puro.

Sons

A música que emerge
O viver subverte
E então converte
Em doce o ruído.

Escute o som
Que vem em ondas
Do mar.

Ele traz
Sentido
E perdão.

Doce canção,
Suave
Dor
De prazer.

O fim do olvido
O fim
E o começo.

A luz que vibra

A luz que vibra ao som dessa
Possibilidade, Resiste em ser apenas
E passa então a ser grande fresta
Por onde encontra-se o todo.

A existência que se materializa,
A consistência de viver,
A consciência do olhar,
Final falência do ser.

Por que mais?
Por que o porquê?
Tudo é sim,
Tudo é tanto,
Tudo é tão
Belo.

Então nada mais,
Então nada se faz,
Então
Entrega.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O artista

Cante para nós!
Pule, salte, grite!
Não faça da arte um convite,
Mas uma necessidade.

Componha, pinte, escreva!
Que a tua doce voz esteja
Em cada alma sedenta
E em cada olhar de busca.

A tua obra representa
O ouro que o sol ofusca,
A imagem que o cego almeja
E o rouxinol a cantar em rubra manhã.

Mas lembre-se:
Serás como a esponja do mar
Filtrando a nossa loucura,
Serás como o bobo de Lear
Dizendo-nos verdades veladas.

E nenhuma glória
Te será devida,
Pois a tua miséria
É a definitiva vitória
Da nossa mediocridade.

sábado, 2 de maio de 2015

Efêmero

Sento no ponto imutável,
Sinto um mundo tão lindo,
Sinto um mundo sorrindo,
Sendo o toque afável,
A carícia que acolhe
E o beijo recente.

Seu gosto me gosta,
Fímbria de prazer
Que o destino escolhe.
Seu calor me acalenta,
Singelo viver
Em gratuito presente.

A beleza que dói,
A cidade que flui
Com carros, pessoas e gestos,
Olhares, adeuses e caminhos.

Em pura contemplação
A ausência de fronteiras,
A ausência de ausências,
E as palavras que faltam
Pois só há a entrega.

domingo, 26 de abril de 2015

Esse eu

Esse eu
Que só acontece na linguagem
Testemunha
E está de acordo.

Explora a infinita viagem
De não existir
Então em derradeira comunhão
O autêntico sentir.

As perguntas não são respondidas
Mas caem por terra.
As dúvidas continuam dúvidas,
As angústias, angústias,
Mas não fazem sentido
Pois o sentido
É sublime sensação.

A beleza de poder ver,
A leveza do caminhar.
De braços abertos,
O mergulho.

Vastos campos verdejantes,
A lágrima de prazer,
O chamado do vento,
O canto dos pássaros
E a entrega.

sábado, 18 de abril de 2015

Testemunho

Testemunho o mundo,
O sorriso do mundo,
As cores do mundo
E tudo é
Singelo.

A possibilidade
De ver
É graça.
Rever,
Um milagre.

Sem qualquer entrave
O todo se mostra
Em um olhar.

Tudo é tão
Belo.

O abstrato se afirma
E se desvela.
O que resta?
Ser.

Em comunhão,
Em plena presença,
O grande sim.
Transbordamento.

sábado, 11 de abril de 2015

Solidão

O ar baço,
Ar de janelas e almas fechadas,
Ar da suspensão do tempo.
O espelho sem o mais leve traço
Daquela tranquila calma.
No horizonte de si uma singela jangada
Em meio à névoa onipresente.

Um sentimento baço,
Uma ausência de ausências,
Do negro mensageiro a semente.
Se desmancha no ar
A solidez de cada ato.
Somente o líquido se afirma.
Homem pastoso.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite

Após suave e gélido beijo,
Após fechar olhos inertes,
Após o derradeiro lampejo,
O vazio que a alma perverte.

Por que há tão severo algoz?
Por que agora, assim, e então?
Dúvidas com um negrume atroz,
Dúvidas que só admitem o não.

Mas onde ela está eu não estou.
Carregamos a sina de poder
Ver pois viver foi o que nos restou.

Então vivamos. Intensamente.
Pois assim no vizinho adeus do ser
Nos dissolveremos sorridentes.

sábado, 14 de março de 2015

Agora

Com Pedro Vaz

Entro em ressonância com o infinito
Com ele harmonizo
E me destaco do tempo.

Em um corpóreo sorriso
O abandono do ego
Ao presente me entrego.

Em sublime alento
Me desprendo do grito.
Mergulho.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Soneto à Mulher Amante

Contigo troco carícias e sonhos,
Beijos, abraços e mundos,
Esqueço o dia tristonho,
Relembro o prazer profundo.

Nos aquecemos entre lençóis,
Suspiros você me traz.
Do sentir a vasta foz,
De poder a alegria se faz.

Nada te peço, entrego-me todo,
Nada confesso, apenas o lodo
De onde brotará singela flor.

Agradeço a tua existência,
Literatura, pois em sua ausência,
Me tomaria amarga dor.

Nascimento

Nasci no alto verão
Do ano de 2010.
E então comecei
Minha odisseia
Rumo a mim.

Enrugada tez
Cheia de ideias.
Construía sonhos
No caminhar.

A fome de existir
Me tornou retirante.
Peregrino da metáfora,
Viajante do eu,
No zéfiro infinito
Descansava.

Caminhos asfaltava
Procurando seguro
O incerto destino.

Hoje não busco mais.
Buscar é olhar
Para o inatingível amanhã.
Memórias não guardo mais.
Lembrar-se é construir
Um castelo
De vento.

Sou devir.
Contemplo e rimo
O hoje singelo
A sorrir.