Eu como vento
Eu como folha
Sou a contento
Sou uma escolha
Sou um invento
Sou um ser livre
Sou um ser livro
Era como estive
Eu como crivo
Sou um ser vento
Sou um ser folha.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Ser
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Tempo
Algumas vezes
Como um corredor
Que ao máximo se esforça
Em deixar para trás,
Outras
Como um monge
Que sabe
Que cada momento é eterno,
Você marcha.
Inexorável.
Eu te peço:
'Dê-me por favor
Um pouco daquela idílica infância,
Daquela viagem um pouco de calor,
Diga-me o caminho,
Para não trilhá-lo sozinho,
De tudo o que virá.'
E então confesso
Ser um ser de saudades
Do que passou e do que será.
Mas você ríspido responde:
'Se quiseres o passado,
Aquele onde a memória se esconde,
Coma uma madeleine meu caro.
Se quiseres o futuro
Para sentir-se mais seguro,
Aguarde.
Apenas o presente posso te dar.
Esse mesmo que já se foi
Enquanto afoito
Lias
Isso.'
domingo, 11 de janeiro de 2015
Ser vento
Eu queria ser vento
Mudar de direção ao bel prazer,
Estar aqui e lá, em qualquer lugar,
Conhecer chuva e tempestade
E dias e noites
E seguir
Simplesmente.
Conhecer o formoso rosto
E o sincero sorrir.
Fustigar.
Uma saia que voa.
Estar na floresta e no mar,
No campo infinito
Continuar sendo.
Ver as folhas cantando
Em ondas macias
Fazendo-me ouvir.
Distribuir sonhos
E esperanças
A quem me sentir.
Por existires
Por existires, querida sociedade,
Te agradeço a cada dia,
A toda manhã dou bom dia
Para tudo que tive
E que virei a ter.
Se adoeço me cuidas,
Se pergunto me explicas,
Se duvido me duvidas.
Me ninastes
Até meu caminhar.
Ser de linguagem que sou,
Devo devolver-te:
O dourado pôr do sol,
O púmbleo luar,
E o rubro despertar.
Agora lhe digo:
Tive muito
Podes pedir-me
Mais.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Diálogo
Eterna roda dos desejos
Círculo perfeito em superfície sem atrito
Dê-me mais um sonho para sonhar
Gire, gire, gire, gire!
Para onde poderia eu olhar,
Se não para o seu horizonte colorido?
É redondo o mundo,
E o horizonte sempre está à frente.
Mas de que importa?
Eterna roda dos desejos,
Dê-me uma nova esperança para eu me cegar,
Uma nova possibilidade,
Pois a felicidade,
Só pode estar
Lá longe.
Eterna roda dos desejos,
Me faça desejar mais e mais,
Para assim, certo e diligente,
Fugirei do abismo de mim.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Quando
Eu serei feliz quando...
Dizem os cegos
E para lá seguem andando
Rápidos, afoitos, sem sossego,
Buscando esse objetivo somente.
Subjetiva mente pergunta
E após o quando?
Angustiado coração assunta
E então?
O que não se vê,
Ah, é uma pena, mas não se vê,
É que não existe lugar
Para a plenitude se dar
Se não agora.
Ela existe
Em uma lágrima do mar que escorre lentamente do rosto após o mergulho no todo,
Em uma singela flor que nasce perfeita e perfeita o é simplesmente para ser bela,
Em um vento que sussurra boas novas baixinho para quem olha o céu e sorri,
Em uma costureira distante que tece sonhos e em roupa os transforma para a gente vestir,
E em tantas coisas, e no próprio existir, intervalo ínfimo entre dois infinitos silêncios.
O quando é hoje.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Vento ventania
Vento me venta
Quero me enveredar
Em você,
Ser o teu doce ar
Que embala
E flui
Infinito.
Sua música
Me ultrapassa
E passo
A existir
E sentir
O beijo
Suave.
E então
Sorrio
Por saber
Que você
Está
E estará
Ao meu lado.
Sempre.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Mar amar
Me amareia os pensamentos
Essa presença pendular.
O privilégio do presente momento
E o sentimento do todo o mar
Me traz. Sua imensidão fluida
Me reflui infinitamente,
Seu abraço de quem cuida,
Seu beijo de quem não mente.
O que mais pedir perto do seu sim?
Para onde ir senão aqui? Enfim,
O seu horizonte me verticaliza,
Não há monte cuja vista suplante,
Não há maior beleza que eu cante,
Pois infinito você quente me abriga.
domingo, 23 de novembro de 2014
Óculos
O homem atrás dos óculos
É sério
Sorridente
E sisudo
Seus olhos veem o mistério
Presente
Em tudo.
Mas seu coração nublado
Duvida
E pergunta.
O seu falar calado
Com a vida
Assunta.
O mundo é uma pintura a óleo
A se mover
Em espirais.
Da morte o grande espólio
Será um ser
Em fractais.
E ele, viva interrogação,
Caminha
E caminha.
O grande apelo do não
Se avizinha,
Se avizinha.
sábado, 22 de novembro de 2014
Noite
Mergulho na noite,
Nado entre estrelas.
Testemunho o mundo
Vejo raios e trovões
E sopros e vidas.
O vento me leva
Rumo ao infinito
De mim.
Em profunda entrega
Contemplo
Um pequeno gesto,
Um vestido a farfalhar,
O som de passos,
E aceito a beleza
A sorrir.
domingo, 16 de novembro de 2014
Parte
Em uma amena tarde
Você sente que cada parte
Faz sentido
Tantos sonhos
Em uma praça reunidos,
O sol que ilumina os malabares
A voar,
O vento que distribui beijos,
Os sorrisos que distribuem olhares
Contentes.
Uma música ao fundo
Pessoas a dançar.
O resto cai no olvido
O resto é resto.
Na alma o simples desejo,
De poder continuar contemplando
O mundo que existe
E é bom.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Soneto da Segunda-feira
Passantes caminham resolutos
Apressados rumo às nove horas
Escondem os medos e guardam o luto
De ver de uma janela tantas auroras.
A cidade é um corpo que pulsa.
Suas ruas repletas de sentimentos
A alguns causa amarela repulsa
E a outros azul pertencimento.
Eu testemunho o urbano horizonte
Um apressado e constante rumo a
O gosto do mais doce fruto que há.
Ela é minha, a impossível e eterna fonte.
Ao meu chamado ela escuta atenta
E nua e terna se entrega em suave tormenta.
domingo, 2 de novembro de 2014
Sim
A noite se permite
Para quem se permite
E ela insiste
Em estar junto à mim.
Nao posso,
Enfim,
Não posso dizer não.
Eu mergulho
E me orgulho
De poder ser assim.
O tempo existe
E eu digo sim.
sábado, 1 de novembro de 2014
Sentir
Ela perspectiviza o mundo
Um homem brilhante, um grande escritor?
Não. O corpo grita iracundo
Pedindo apenas instantes sem dor.
Meu reino por esse almejado dia!
É fácil não perceber a leveza
Quando o peso há muito não se via.
Ela, inclemente, mostra pétrea certeza.
Abraçando-a, entretanto, o gosto é mais gosto,
A noite mais noite, a vida mais viva.
Apenas por existir se crispa seu rosto
Quando ela ataca lasciva.
A finitude como possibilidade sempre minha,
O sentido do todo como eterno devir,
O resto é mero resto, e assim se avizinha
A grande possibilidade do profundo sentir.
Doce (2)
Olho para o mundo
E vejo-as belas
Mas penso em você
Mais que bela
Sendo você.
Olho-a nua
E vejo a lua
Que me está a sorrir.
Olho-a perto
O desenlace incerto
Do eterno devir.
Nesta grande noite
O suave açoite
Me atinge.
Nestes pequenos versos
Canto a fome insaciável
Da sentinela esfinge.
Meus olhos pintam paisagens
Suavemente impossíveis.
Doce dança de imagens.
Rubras lembranças
Que a alma alcança:
Um passado de cal
E futuro.
Assim penso em você
Para ser
Enfim
Feliz.
Doce (1)
Olho para o mundo
E vejo-as belas
Mas penso em você
Mais que bela sendo você.
É de noite
O suave açoite
Existe,
E ele insiste
Na sua lembrança.
Doce dança
De imagens,
Doces memórias,
Vermelhas histórias.
E penso em você
Para ser
Enfim
Feliz.
domingo, 26 de outubro de 2014
Escolhas
Vejo que te inquietas,
Cara amiga,
Pela escolha tomada
Em uma encruzilhada.
Não viste as setas,
Cantando doce cantiga,
Olhaste apenas as estrelas
E não o chão.
O vento soprava suave,
Mas agora forte
Te fazes recuar.
Não culpe a sorte,
Altiva dama dos olhos vendados,
Não culpe o destino,
Ancião de alfarrábios empoeirados,
Tampouco culpe a ti,
Que buscava apenas encontrar
A tua nesga de céu.
Se tua escolha te aproxima de ti,
Ela é boa.
Se ao contrário, te sentes mais longe,
E tua vida se cobriu com um azulado véu,
Sorria:
Os deuses te deram um presente.
Lembre-se que os grifos e as sereias
Há muito
Nos deixaram
(ou deixamos-los nós).
Não há perigo.
Aceite
A beleza
Da vida
Que é
Aprender.
Mudança
Contratos e caixas decerto
Um caminhão de mudança
O perto futuro incerto
A dúvida que a alma alcança.
Embalo sonhos,
Empacoto frustrações,
Guardo ilusões,
Encaixoto momentos risonhos
E tristes.
O olhar em riste
Vê um horizonte
De possibilidades.
Controlo o medo
E sigo cedo
Rumo ao atraente
Desconhecido.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
À Noite
Noite.
Longa.
Distante.
Venta.
O teu negrume
Impessoal.
O cheiro de estrume
Das vidas insípidas.
Chove.
E venta.
O teu infinito
Canto
Encanta
E inebria.
O pesado manto
Do pedido dito
Mas perdido no ar.
Troveja.
Chove.
E venta.
Me pedes muito
Te posso pouco:
Os ouvidos moucos
Me dão razão.
Me queres junto
Mas teu toque áspero
É o ponto final.
Eu sei, espero
O óleo abismal,
Quente,
Para lavar-me do frio
De estar junto a ti.
A alma escura
Pergunta,
Mas em um relampejo
A fina tessitura
Se esvai.
Eu sinto,
Eu sou.
No horizonte
Nasce o sol.
Trovejo.
Chovo.
E vento.
sábado, 18 de outubro de 2014
Ser Poesia
Ser poesia
É existir
E sentir
Que o Todo
Se afirma
E confirma
O grande rogo
Da alma
Que diz:
Sim,
Simplesmente sim.
O mundo se basta
Mas você não basta
Para a beleza que há.
O sonhado dia
Se aproxima.
Você desconfia
Mas enfim se entrega.
Então tão em cima
O pulo.
O vôo.
Liberdade.