sexta-feira, 7 de julho de 2017

Mandala

(com Danielle Tavares)

A dança
Em meio
A 150 pessoas,
A mandala
De elementos
Em que entro
Cética.

Mas a imensidão me atravessa
Do quebra-cabeças a última peça,
Sorrindo, sem pressa,
Já que estou no infinito.

De repente
O trivial
Começa a ganhar corpo
Em uma mescla
De beatitude e gente
E sou atravessada
De uma forma
Quase insuportável.

Rios de lágrimas e leveza,
A imensidão me abraça,
Acolhe e nina,
A beleza sem fim
Nem margem nem fora,
Apenas agora
Em que me entrego
Líquida.

A imensidão me atravessa
Do quebra-cabeças a última peça,
Sorrindo, sem pressa,
Já que estou no infinito.

Quero me agarrar a esse momento
Segurá-lo e mordê-lo,
E eu me desespero:
Como?
Mas me rendo,
Abandono esse impulso primeiro
E gozo
E pulso.

A imensidão me atravessa
Do quebra-cabeças a última peça,
Sorrindo, sem pressa,
Já que estou no infinito.

O conceito falta,
A palavra falta,
Falta a voz.
O momento escorreu,
A beleza escorreu,
O infinito escorreu,
Mas algo fica
Como uma lembrança linda
Do luminoso
Impossível.