Buscava alguma certeza
Tão pedra que me permitisse
Fugir desse mar de dúvidas
Que nos cerca, mas encontrei
O olhar desse outro
Que me sorri,
Encontrei o abraço desse outro
Que quente abraça,
Encontrei a música desse outro
Que me ecoa e continua.
Buscava alguma solidez
Tão leve que me permitisse
Voar acima das nuvens
Mas ela é bota de ferro
Voluntariamente posta,
Gaiola aberta em que se escolhe ficar,
Fazenda marinha onde, por medo,
Se escolhe nadar.
Buscava algum norte
Para poder me perder
Sem temer nunca mais
Me encontrar,
Mas encontro esse outro
Sem nome que me indefine,
Sem rosto que me ilimita,
Sem nada além
De ser um outro
Tão outro
Que não cabe
Em qualquer palavra minha
E parei de buscar
Para me encontrar
Nesse outro
Que me apequena,
Me perspectiviza
E me agiganta.