Olho o mundo com os olhos do convalescente,
Que não pensa, que não sabe,
Apenas vê e sente,
E como dentro de si não cabe
Escreve para se alargar.
Não cabe a existência mesma do mar
E não apenas o não-mar.
Não cabem passantes andando despreocupados com seus passos despudoradamente tranquilos
E não apenas algo em direção a.
Não cabem veículos que se movimentam velozmente buscando recuperar o que já se perdeu,
Que simplesmente vão,
Repletos de olhares insistentes fixos em lugar nenhum,
Repletos de gente, de seres
Humanos.
Tão humanos quanto o humano gesto de um palavra de carinho,
Essa palavra que é sempre uma cópia original,
Um modo único dentre as possibilidades em potência,
Uma organização particular de ecos de vozes há muito esquecidas,
Que permitem o humano gesto
E o fim dessa poesia.