(com Luciana Cabral)
a visão da morte começa com a parte humana
a dor física
os pequenos avisos de dor da morte
até aquela raquetada de dor
sem sonhos
sem lembranças
o julgamento dos outros
foi porque estava com angústia
foi porque não comia
ou trabalhava muito
a morte é só um ciclo que se encerra
mas procuramos sempre um motivo
que só sabe quem morreu
a imagem de todos em volta do caixão
na trombose cerebral
a discussão sobre o erro médico da terceira trombose cerebral
muita demência e desejo não realizado no CTI
a vontade de vingança por um passado não esquecido
o italiano gritando
quero queijo de cabra com coca cola
a noite inteira
a morte não pede licença
não negocia
a sua volta é fóbica
até o reencontro do ciclo da vida
e a perspectiva do tempo do dia
qual é o meu tempo não vendido?