Estava voltando para casa depois
de uma semana estressante de trabalho. Reuniões, ligações, e-mails, relatórios.
Finalmente havia acabado. Conversou com o chefe que lhe permitiu sair um pouco
mais cedo naquela sexta-feira. Iria fazer uma surpresa para a esposa. Era tão
difícil vê-la, a semana tão corrida. Ela já deveria estar em casa a essa hora.
Chegou em casa, abriu a porta
devagar, não queria que ela percebesse. Na mesa de jantar, encontrou um paletó
de homem em uma das cadeiras. Não era seu. Percebeu que sua esposa não estava
sozinha.
Entrou no quarto e viu-a com
outro homem.
Gritava impropérios, xingava o
homem de todos os nomes. Os dois começaram a brigar, rolaram no chão. Estavam
na sala, retratos quadros vasos caindo e se despedaçando. O homem sacou uma
arma do paletó que estava na cadeira e deu-lhe dois tiros. O sangue escorria,
molhando as rosas que o marido trouxera, seria uma surpresa. Morreu na hora.
II
Estava voltando para casa depois
de uma semana estressante de trabalho. Reuniões, ligações, e-mails, relatórios.
Finalmente havia acabado. Conversou com o chefe que lhe permitiu sair um pouco
mais cedo naquela sexta-feira. Iria fazer uma surpresa para a esposa. Era tão
difícil vê-la, a semana tão corrida. Ela já deveria estar em casa a essa hora.
Chegou em casa, abriu a porta
devagar, não queria que ela percebesse. Na mesa de jantar, encontrou um paletó
de homem em uma das cadeiras. Não era seu. Percebeu que sua esposa não estava
sozinha.
Sabia que simplesmente entrar no
quarto não ia dar certo. Puxou a arma do paletó, descarregou-a. Guardava na
cozinha um taco de beisebol, para emergências.
Entrou no quarto e viu-a com
outro homem.
Não se deu o trabalho de abrir a
boca. Depois de cinco minutos batendo no homem com o taco, deixou-o irreconhecível.
Sentiu-se aliviado.
Sua esposa foi embora no mesmo
dia. Uma semana depois, estava na portaria de seu prédio, indo para o trabalho.
De repente parou em sua frente uma moto preta, dois homens. Foi tanta bala que
o velório foi feito com caixão fechado.
III
Estava voltando para casa depois
de uma semana estressante de trabalho. Reuniões, ligações, e-mails, relatórios.
Finalmente havia acabado. Conversou com o chefe que lhe permitiu sair um pouco
mais cedo naquela sexta-feira. Iria fazer uma surpresa para a esposa. Era tão
difícil vê-la, a semana tão corrida. Ela já deveria estar em casa a essa hora.
Chegou em casa, abriu a porta
devagar, não queria que ela percebesse. Na mesa de jantar, encontrou um paletó
de homem em uma das cadeiras. Não era seu. Percebeu que sua esposa não estava
sozinha.
Sabia que simplesmente entrar no
quarto não ia dar certo. Puxou a arma do paletó, descarregou-a. Guardava na
cozinha um taco de beisebol, para emergências.
Pensou, sabia que um flagrante não
adiantaria. Revistou os bolsos do paletó, encontrou um cartão de identificação:
Aquiles Barroso, Almirante. Anotou todos os dados, colocou-o de volta.
O taco deixou em um local
visível. Saiu sem fazer barulho.
Aquiles não percebeu o taco, a
mulher sim, mas preferiu não falar nada. Ele achou muitíssimo estranho sua arma
estar descarregada mas apressado que estava pensou que era coisa da sua cabeça.
No mesmo dia, Odílio ligou para
um amigo seu que era militar. Buscou saber mais informações sobre esse
almirante, onde morava, se tinha família. Descobriu que a esposa dele estava
buscando um professor de inglês. Estava um pouco enferrujado, mas nada impossível
de contornar.
Marcou aulas nos horários de
almoço. Era uma correria, mas valia a pena. Certo dia viu a filha de seu
inimigo, linda como a mãe que já mostrava avanços na nova língua.
Cada dia se aproximava mais de
seu objetivo. Conquistaria a esposa de seu inimigo, assim como ele havia feito
com a sua, e iria mostrar que o melhor para todos seria fingir que nada havia
acontecido. Todos retornariam para seus lares satisfeitos.
Seu projeto ia de vento em popa.
Não percebeu que sua mulher começou a desconfiar, batom na gola da camisa,
perfume de mulher. Pediu para Aquiles providenciar alguém que o seguisse. E que
surpresa não foi quando descobriram onde Odílio passava seus horários de
almoço.
Sabia que era uma vingança justa,
mas mesmo assim Aquiles foi cruel. Ligou para algumas pessoas, arranjou a
demissão de Odílio. Deixou-o na penúria, sem emprego, sem mulher. De sobra,
contratou algumas pessoas para lhe darem uma surra.
IV
Estava voltando para casa depois
de uma semana estressante de trabalho. Reuniões, ligações, e-mails, relatórios.
Finalmente havia acabado. Conversou com o chefe que lhe permitiu sair um pouco
mais cedo naquela sexta-feira. Iria fazer uma surpresa para a esposa. Era tão
difícil vê-la, a semana tão corrida. Ela já deveria estar em casa a essa hora.
Chegou em casa, abriu a porta
devagar, não queria que ela percebesse. Na mesa de jantar, encontrou um paletó
de homem em uma das cadeiras. Não era seu. Percebeu que sua esposa não estava
sozinha.
Sabia que simplesmente entrar no
quarto não ia dar certo. Puxou a arma do paletó, descarregou-a. Guardava na
cozinha um taco de beisebol, para emergências.
Pensou, sabia que um flagrante não
adiantaria. Revistou os bolsos do paletó, encontrou um cartão de identificação:
Aquiles Barroso, Almirante. Anotou todos os dados, colocou-o de volta.
O taco deixou em um local
visível. Saiu sem fazer barulho.
Aquiles não percebeu o taco, a
mulher sim, mas preferiu não falar nada. Ele achou muitíssimo estranho sua arma
estar descarregada mas apressado que estava pensou que era coisa da sua cabeça.
No mesmo dia, Odílio ligou para
um amigo seu que era militar. Buscou saber mais informações sobre esse
almirante, onde morava, se tinha família. Descobriu que a esposa dele estava
buscando um professor de inglês. Estava um pouco enferrujado, mas nada impossível
de contornar.
Marcou aulas nos horários de
almoço. Era uma correria, mas valia a pena. Certo dia viu a filha de seu
inimigo, linda como a mãe que já mostrava avanços na nova língua.
Refletiu um instante, perguntou
sobre a filha. Vinte e dois anos, fazia faculdade de música. Tocava flauta
transversa. Alta, mãos delicadas. Não gostaria de estudar inglês? Pois sim,
duas vezes na semana atendia a mãe, duas vezes atendia a filha.
Começou a se interessar por essa jovem
mulher de um sorriso cativante. Sempre presente nas aulas, sempre trazia um
novo tema. Ouvira Chopin, Rachmaninoff. Na pintura, gostava do modernismo.
Baudelaire revolucionou a poesia, lera toda sua obra.
Que mãos delicadas. Longas,
suaves. Pareciam dançar em cada movimento. Perdiam os contornos. Voz aveludada,
um pouco rouca, levemente apenas. Lábios carnudos, um olhar penetrante.
Em menos de um mês esqueceu-se de
Aquiles, esqueceu-se de sua esposa. Só pensava em suas aulas de inglês com
aquela ninfa. A mãe se cansara, livrara-se do professor empurrando-o para a
filha.
Odílio pediu o divórcio, não
fazia mais sentido aquela relação. Engatou o namoro com sua flautista. Aquiles
ficou furioso, mas acabou sendo convencido a aceitar. Feliz que estava,
trabalhava com afinco. Foi promovido.