(com Mohammed el Jazouli)
Um dia, eu e meu amigo,
Queríamos fazer uma associação
Para orientar os imigrantes refugiados
Subsaarianos.
Nós começamos isso porque tem muitas associações
No meu país, mas essa ideia
Nunca foi implantada por ninguém.
Os africanos subsaariano que chegam lá
Moram nos guetos
Entre eles, e tem muita
Dificuldade de se integrar.
Também ocorre um racismo
Contra eles, pois dizem que eles
Roubam o emprego da gente,
Aumentaram o crime,
E o país está em crise.
A gente quer ajudá-los
A se integrar com os marroquinos.
Com muita burocracia,
Ficamos um ano,
E ouvíamos as perguntas:
"Por que você quer ajudá-los?
Precisamos ajudar aqui dentro.
Deixa eles irem para a Europa."
Foi difícil,
Eu sofri muito,
E essa tristeza me empurrou
Para deixar o país.
Nos últimos meses, a gente desistiu,
Ele foi para Omã
E eu vim para o Brasil.
A mesma coisa que eu escutei lá
Sobre africanos subsaarianos
Eu ouço aqui.
Eu gosto do Brasil,
Acho o Brasil
Bom, pois eu ando sempre
Com as pessoas boas.
No Omã,
Ele esqueceu toda a história da associação.
Agora,
A história está voltando.
Agora,
Nós somos refugiados.
Agora,
Vemos a xenofobia.
Eu recebi muita ajuda
De muitos brasileiros
E vejo que recebi essa ajuda
Pois eu também tentei ajudar os outros no meu país.
E agora, estou bem,
Trabalho como professor de francês,
Estou com o Chega Junto,
E conto essa história porque hoje é o dia da África,
E sei que os africanos estão sofrendo muito,
Mesmo que a Europa tenha recursos para receber muito mais imigrantes
Não o fazem.
Lá fora, os brasileiros, latinos,
Sofrem igualmente.
Quando eu cheguei aqui,
Vi como a visão do Brasil
Lá fora
É um estereótipo
E que aqui tem muita diversidade.
Agora estou
Sujeito ao mesmo preconceito contra o qual eu lutava
Lá no meu país.
É um sentimento
Que você nunca pode imaginar
Até que você vive.
Quando eu estava lá
Eu via o sofrimento,
E sofria, mas aqui
Sujeito a esse preconceito,
Você se machuca.
Falta para as pessoas
Pensarem antes de falar
E verem algo além
Da superfície.
Os governos também são culpados
Pois não tem muita discussão
Não tem uma educação da verdade
Não dão muitas oportunidades.
Lá no Marrocos
Sofríamos antes da imigração
O desemprego já havia
O crime já havia
Mas por egoísmo patriótico
Nós queremos ter tudo
E não deixar nada para o outro.
Queremos ficar ricos
À custa dos outros.
Em Candide, Voltaire conta
Sobre um europeu que veio para a América Latina
E tinha diamantes e ouro nas ruas da Bolívia e do Peru.
Ele começou a guardar esses diamantes e ouro.
O imperador do Peru falou
"Você pode ter todo o ouro e diamante que quiser"
E morou no palácio
Rico, com tudo.
Mas dois meses depois,
Ele fala ao imperador
"Eu quero ir para a Europa,
Pegar comigo
Todo o diamante e ouro,
E ir para lá
Onde eu tenho tudo
Que ninguém tem".