(com Paulo Mendonça)
Minha história começa em um nascimento complicado,
Minha mãe grávida, no interior, roça, fazenda,
Meu pai trabalhava lá,
Sem médico, a parteira disse:
"Está complicado",
O médico da cidade
Depois de ser procurado
Disse:
"Só se salva um ou outro".
Meu pai fugiu dessa decisão
E acabamos sobrevivendo os dois.
Por isso, criei um vínculo muito forte com a minha mãe
Somos seis irmãos
Cinco mulheres e eu,
Sou o quinto de seis.
Vim de Rio Novo, na beira de uma açude.
Saindo da fazenda fomos para o centro,
Um local pequeno, quatro mil habitantes,
Crescendo nessa cidade
Mínima.
Nunca tinha planejado
Acabei querendo conhecer o mundo
Vim para o Rio,
Com medo do Rio fui para Niterói,
Até que um dia fui para os Estados Unidos,
Iowa.
O que eu estou contando para você?
A minha vontade de ver o mundo.
Sair de um lugar que nada tinha
E querer ver culturas diferentes
Formas diferentes de pensar a vida
Formas diferentes de encarar desafios
De encarar as individualidades e as culturas.
A partir daí nunca mais parei,
E desde então estou rodando o mundo.
Não apenas por prazer,
Eu uso isso para o meu trabalho
Sobre cultura nas organizações.
Em função disso tenho conhecido coisas muito diferentes.
No Japão, fiquei morando um mês,
A maneira como eles vivem,
Respeitam um ao outro, se ajudam,
Respeitam a individualidade e ainda assim as coisas funcionam.
No Irã, um país de onde todo mundo morre
De medo, tem uma cultura riquíssima, eles tem
Uma ancestralidade absurda, estão
No meio dos árabes, falam persa e não
Tem muito a ver com o que está em volta.
E a última, mais maluca,
Foi para o Butão, na Ásia,
Vi que nós, ocidentais, complicamos demais.
A vida na verdade
É fácil e simples.
E por que eu viajo?
Não tenho pretensão de mudar alguma coisa,
Essa situação que a gente vive
No Brasil e no mundo,
É muito complicada,
Mas eu tento
No meu quadrado
Fazer alguma coisa
Melhor.